O gol de Éder Militão aos 53 minutos contra o Mallorca, no último sábado (4), marcou simbolicamente seu retorno aos gramados após cinco meses afastado por ruptura do ligamento cruzado anterior. Porém, uma análise detalhada das métricas físicas do zagueiro brasileiro na derrota por 1 a 0 revela números que ficaram aquém de sua performance habitual, levantando questões sobre seu processo de readaptação ao futebol de elite.
Números do retorno ficam abaixo da média histórica
Durante os 90 minutos em campo no Son Moix, Militão registrou 73 passes com 89% de precisão, índice inferior aos 94% de acerto que mantinha na temporada 2023/24 antes da lesão sofrida em agosto. Nos duelos aéreos, tradicionalmente seu ponto forte, o defensor venceu apenas 4 de 8 disputas (50%), contrastando com os 78% de aproveitamento que ostentava no período pré-lesão.
A distância percorrida também chamou atenção: 10,2 quilômetros contra os 11,8 km de média que registrava antes do problema no joelho direito. Mais revelador ainda foi o número de sprints realizados - apenas 12, bem abaixo dos 19 que costumava executar por partida na primeira metade da temporada passada.
Cautela médica explica limitações físicas
O preparador físico Antonio Pintus, do Real Madrid, havia alertado publicamente sobre a necessidade de paciência no processo de retorno do brasileiro. Segundo dados do clube, jogadores que passam por ruptura de ligamento cruzado anterior levam, em média, entre 3 a 6 meses adicionais para recuperar 100% de sua capacidade física após voltarem aos gramados.
"Éder precisa de tempo para readquirir a confiança total nos movimentos explosivos. O gol é um sinal positivo, mas ainda há margem para evolução", comentou uma fonte próxima ao departamento médico merengue.
Carlo Ancelotti optou por manter Militão em campo durante toda a partida, decisão que gerou debate interno. O técnico italiano priorizou dar ritmo de jogo ao defensor, mesmo com o Real Madrid precisando da vitória para se manter na briga pelo título da La Liga.
Comparativo revela hesitação em lances de risco
A análise de vídeo da partida identificou momentos específicos onde Militão demonstrou cautela excessiva. Em três ocasiões, o zagueiro optou por não dividir bolas aéreas de forma agressiva, comportamento atípico para quem registrava média de 2,4 interceptações por jogo antes da lesão - contra apenas 0,8 diante do Mallorca.
Nos duelos no chão, porém, Militão mostrou sinais encorajadores. Completou 7 de 9 desarmes tentados (78%), número próximo aos 82% que mantinha como padrão. A velocidade de reação em lances de antecipação também se aproximou dos níveis anteriores, sugerindo que aspectos técnicos e de leitura de jogo permanecem preservados.
O gol marcado pelo brasileiro - um cabeceio preciso após cobrança de escanteio de Luka Modric - demonstrou que a coordenação motora e o timing para subidas em bolas paradas não foram comprometidos pelo longo período de recuperação.
Projeção indica retorno ao auge em março
Com base nos protocolos médicos do Real Madrid e comparando com casos similares de outros atletas, a expectativa é que Militão recupere entre 90% a 95% de sua capacidade física até o final de fevereiro. A meta é atingir 100% do rendimento na primeira quinzena de março, momento crucial para as oitavas de final da Champions League.
Dr. Jesús Olmo, chefe do departamento médico merengue, estabeleceu um cronograma de evolução gradual. Nas próximas quatro partidas, Militão deve aumentar progressivamente sua intensidade nos treinos, com foco especial no fortalecimento da confiança em movimentos de alta velocidade.
A derrota para o Mallorca deixou o Real Madrid com 43 pontos em 20 jogos, quatro pontos atrás do líder Atlético de Madrid. O próximo compromisso será na quinta-feira (9), contra o Celta de Vigo, no Santiago Bernabéu, partida onde Ancelotti deve dar nova oportunidade a Militão para acelerar seu processo de readaptação física.

