Quando João Victor recebeu o cartão vermelho ainda no primeiro tempo, o cenário parecia conduzir o Mirassol a um empate defensivo no Campos Maia. O time do interior paulista respondeu de outra forma: venceu o Always Ready por 2 a 0, na 3ª rodada do grupo G da Copa Libertadores, e se instalou no centro de uma disputa completamente aberta na chave.
A expulsão e a reorganização estrutural
A saída precoce de João Victor obrigou a comissão técnica a redesenhar a linha de pressão do Mirassol. Com um a menos, o bloco defensivo precisou recuar o ponto de ativação, reduzindo a compactação no meio-campo e cedendo posse ao adversário em determinados setores do campo. A equipe abriu mão do pressing alto praticado nos primeiros minutos e passou a apostar em transições rápidas pelos flancos.
O ajuste surtiu efeito antes mesmo da expulsão impactar o volume de jogo. Aos 10 minutos, Reinaldo disputou uma bola aérea pela direita e escorou para a área. Alesson recebeu com espaço e cruzou rasteiro; Eduardo apareceu no centro para bater firme e abrir o placar. O gol precedeu a expulsão e deu ao time a margem psicológica necessária para suportar o desequilíbrio numérico.
O Always Ready, por sua vez, apresentou séria dificuldade para explorar a superioridade. A equipe boliviana criou sua melhor chance nos acréscimos do primeiro tempo, quando Maraude escapou pela direita sem ângulo e bateu colocado — o goleiro Walter espalmou. O volume ofensivo dos visitantes foi consistentemente baixo, incapaz de estressar a organização defensiva do Mirassol mesmo diante da vantagem numérica.
Pivô no segundo tempo e o gol que fechou o jogo
Na volta do intervalo, o Always Ready tentou uma pressão inicial mais alta. Nava disparou em velocidade e acionou Triverio em situação favorável, mas o atacante isolou de frente para o gol — o tipo de ineficiência ofensiva que condenou a equipe boliviana à lanterna do grupo. O Mirassol absorveu o susto e manteve a estrutura.
O segundo gol, marcado por Alesson, encerrou qualquer dúvida sobre o resultado. A análise do SportNavo aponta que o Mirassol conseguiu equilibrar posse de bola e eficiência nas transições ofensivas, característica que define o sistema tático do clube ao longo desta Libertadores: pressão posicional quando com a bola, bloco médio organizado sem ela.
Merece registro o gol anulado de Willian Machado aos 32 minutos do primeiro tempo. Em cobrança de falta pela direita, Reinaldo levantou e o zagueiro subiu sozinho para completar. O VAR identificou impedimento — detalhe que, em outro contexto de placar, poderia ter peso decisivo na gestão emocional da partida.
O grupo G e o impacto na classificação
O resultado consolidou um cenário raro em fases de grupos continentais: três equipes com seis pontos cada. Mirassol, LDU e Lanús estão empatados no topo do grupo G. O critério de confronto direto coloca os equatorianos da LDU na liderança, com o Mirassol em segundo. O Always Ready, zerado em três jogos, está eliminado da disputa pela classificação.
- LDU — 6 pontos (1º por saldo de confronto direto)
- Mirassol — 6 pontos (2º)
- Lanús — 6 pontos (3º)
- Always Ready — 0 pontos (lanterna)
A configuração transforma as três últimas rodadas em uma minichave decisiva. Cada confronto direto entre os três primeiros colocados tem peso equivalente a uma semifinal, elevando o nível de pressão tática de cada partida.
O que vem pela frente
Nas palavras do elenco após a partida, a vitória heroica foi tratada como prova de coletividade, mas o time já precisa virar a chave. O Mirassol recebe o Corinthians no domingo, dia 3, no Campos Maia, a partir das 20h30, pelo Campeonato Brasileiro. Na sequência, na quinta-feira, dia 7, o Leão Caipira volta à Libertadores enfrentando justamente a LDU, adversário direto na briga pela liderança do grupo G — desta vez, novamente dentro de casa.

Conforme levantamento do SportNavo, o desempenho do Mirassol como mandante nesta Libertadores é o principal ativo tático do clube. Manter o Campos Maia como fortaleza contra a LDU pode definir quem chega à próxima fase em posição privilegiada.










