Todo mundo sabe que José Mourinho vai voltar ao Real Madrid. O que ninguém calculou direito é como Florentino Pérez chegou a esse nome depois de uma temporada inteira sem levantar um troféu. A resposta está nos bastidores — e começa numa derrota de projeto, não de placar.
Florentino fecha portas e abre uma antiga
Segundo o The Athletic, a escolha do próximo técnico merengue está sendo conduzida diretamente pelo presidente Florentino Pérez — ao contrário do processo que levou Álvaro Arbeloa ao cargo, liderado pelo diretor-geral José Ángel Sánchez. O movimento é deliberado. Pérez quer controle total da reconstrução. E o nome que mais aparece nas suas conversas é o do português de 63 anos, atualmente no Benfica.
Mourinho assumiu o clube lisboeta em setembro de 2025 e, até hoje, não perdeu uma única partida na elite do Campeonato Português. São meses invicto num clube historicamente exigente. Mas a cláusula de saída está fixada em 3 milhões de euros — um valor palatável para os cofres do Bernabéu e que não deve ser obstáculo real nas negociações.
Segundo múltiplas fontes ouvidas pelo The Athletic, há resistência interna no Real Madrid ao retorno de Mourinho, em razão do histórico divisivo que marcou sua primeira passagem pelo clube.
O que o primeiro ciclo deixou de legado e de cicatriz
Entre 2010 e 2013, Mourinho conquistou uma La Liga e uma Copa del Rey no Real Madrid. Na temporada 2011-12, o clube bateu o recorde histórico de pontuação no Campeonato Espanhol, com 100 pontos. Números que dificilmente serão esquecidos. O que também não foi esquecido: a UEFA Champions League nunca veio. E as tensões internas com jogadores como Casillas e Sergio Ramos deixaram rastros que ainda são citados por quem viveu aquele vestiário.
Na avaliação do SportNavo, o terceiro ciclo — se concretizado — encontrará um elenco estruturalmente diferente do de 2013. Vini Jr., Mbappé, Bellingham e Rodrygo formam um grupo ofensivo de alto rendimento individual, mas que apresentou inconsistência coletiva ao longo desta temporada. Mourinho, historicamente, prefere sistemas compactos e transições rápidas, o que pode gerar fricção com jogadores acostumados a protagonismo com bola.
A mesa de decisão e os nomes descartados
Outros candidatos foram considerados pela cúpula madridista. Mauricio Pochettino e Jürgen Klopp chegaram a ser avaliados internamente, mas nenhum dos dois reuniu o consenso que Mourinho parece ter conquistado junto a Pérez. O fator "nome de peso" importa aqui — o Real Madrid não busca apenas um técnico, busca uma narrativa de reconstrução com impacto imediato de credibilidade.
Nas palavras de fontes próximas ao clube, citadas pelo The Athletic, Pérez enxerga em Mourinho alguém capaz de "devolver a identidade competitiva" ao Real Madrid após um ciclo de resultados abaixo do esperado.
A decisão final deve ser formalizada nas próximas semanas, com o Benfica ainda disputando o título português. Mourinho precisará encerrar seu ciclo em Lisboa antes de qualquer anúncio oficial — e os 3 milhões de euros da cláusula precisam ser acionados formalmente pelo clube espanhol. Uma receita pode demorar a ficar pronta. O que não muda é a lista de ingredientes que já estão sobre a bancada.









