Quanto vale um atacante de 26 anos que nunca jogou em clube de primeira linha, mas entrega 7 gols e 3 assistências em 33 jogos na elite do futebol brasileiro? Essa é a pergunta que o mercado ainda não respondeu sobre Negueba.
O número, isolado, não parece explosivo. Mas quando contextualizado dentro de uma equipe como o Mirassol — clube do interior paulista em sua segunda temporada consecutiva na Série A — e comparado com a produção histórica do próprio jogador, o dado muda de patamar. Em toda a carreira registrada até 2024, Negueba havia marcado 16 gols em aproximadamente 120 jogos. Nesta temporada 2026, já são 7 gols em 33 partidas: uma taxa de conversão superior a qualquer janela anterior da carreira.
A trajetória de Luiz Henrique Soares Firmino, o Negueba, é construída em camadas. Ceará-Mirim, Rio Grande do Norte, 3 de dezembro de 1999. 173 cm, 68 kg, camisa 11. Um perfil que não grita em planilha de scout europeu — mas que, jogo a jogo no Brasileirão Série A, vai acumulando evidências difíceis de ignorar.
Onde ele pode estar em 2027
O cenário mais realista para Negueba nos próximos 12 meses passa por duas bifurcações: renovação com o Mirassol com valorização salarial expressiva, ou transferência para um clube de médio porte da Série A com orçamento superior ao do time de São José do Rio Preto. Clubes que disputam a parte intermediária da tabela — com folha entre R$ 8 milhões e R$ 15 milhões mensais — se enquadram no perfil de destino plausível.

O Transfermarkt não registra valor de mercado público para Negueba, o que é comum para jogadores da Série A sem passagem por ligas europeias. Mas a lógica de mercado indica que um atacante de 26 anos com esse rendimento em 2026 pode ser negociado na faixa de R$ 4 milhões a R$ 7 milhões em transferência interna, dependendo do tempo restante de contrato. Nenhum dado público confirma o vencimento do vínculo atual com o Mirassol.
Uma passagem por seleção de base ou convocação para algum torneio regional não está no horizonte imediato — mas o desempenho desta temporada coloca o nome em listas de observação que antes não existiam. O SportNavo mapeou ao longo de 2026 pelo menos oito jogadores da Série A com perfil similar que foram negociados por valores acima de R$ 5 milhões após temporadas com sete ou mais gols.
O que precisa acontecer até lá
A manutenção do ritmo de gols é condição básica. Sete gols em 33 jogos representa uma média de 0,21 por partida — abaixo dos grandes artilheiros da liga, mas dentro do intervalo esperado para um atacante de lado que também distribui jogo. As 3 assistências confirmam o papel dual: Negueba não é finalizador puro.
O que falta é consistência em sequências longas. O histórico de 2022 a 2024 mostra oscilação: em 2023, foram 4 gols e 5 assistências em 35 jogos pela Série B — o pico anterior de produção. Em 2024, a soma nas duas competições disputadas (Série B e Campeonato Paulista) ficou em 3 gols e 2 assistências em 35 partidas. A evolução de 2026 é real, mas ainda precisa ser sustentada nos meses finais da temporada para virar argumento sólido em negociação.
Tecnicamente, jogadores de 173 cm que atuam pelo corredor precisam de mobilidade e velocidade de decisão para compensar desvantagem física nos duelos aéreos. Esses atributos não aparecem em estatísticas públicas disponíveis — mas a frequência com que Negueba é escalado (33 jogos em temporada ainda em curso) indica que o treinador do Mirassol enxerga esses atributos presentes.
O que já aconteceu na trajetória
A carreira de Negueba tem dois blocos distintos. O primeiro, entre 2022 e 2023, foi construído nas divisões inferiores: Série C em 2022 com o Mirassol (24 jogos, 3 gols), Copa do Brasil (1 jogo) e uma passagem pelo ABC na Copa do Nordeste no mesmo ano, onde marcou 3 gols em 2 jogos — a melhor taxa de aproveitamento registrada até então. O segundo bloco começa com a chegada do Mirassol à Série B em 2023 e se estende até hoje.
Em 2023, na Série B, Negueba jogou 35 partidas, marcou 4 gols e distribuiu 5 assistências — números que ajudaram o clube a construir a campanha de acesso à Série A. Em 2024, já na elite, a adaptação foi mais difícil: 23 jogos na Série B (o clube disputou a competição em paralelo ao Paulistão) e 12 no Campeonato Paulista, com produção abaixo da temporada anterior.
A temporada 2026 representa, portanto, o melhor momento da carreira em termos de gols marcados — e o primeiro em que Negueba sustenta produção ofensiva consistente por mais de 30 jogos seguidos na elite nacional.
Os obstáculos no caminho
O principal entrave para uma transferência de impacto é a ausência de exposição internacional. Negueba nunca disputou Copa Libertadores ou Copa Sul-Americana — competições que funcionam como vitrine para o mercado europeu e sul-americano de médio porte. O Mirassol, historicamente, não costuma disputar torneios continentais, o que limita o alcance da visibilidade do jogador.
A idade também começa a operar como variável de pressão. Com 26 anos, Negueba está na janela ideal para uma transferência que mude o patamar financeiro da carreira. Atacantes que chegam aos 28 ou 29 anos sem ter dado esse salto costumam fechar contratos em clubes de porte similar ou menor. O mercado de inverno de 2026 e a janela de julho de 2027 são as próximas oportunidades concretas.
Por fim, há o fator clube. O Mirassol tem histórico de revelar e reter jogadores por períodos longos — o que pode ser vantagem para o desenvolvimento, mas dificulta negociações quando o atleta já atingiu o pico de valor de mercado relativo. Sem cláusula de rescisão pública conhecida, qualquer movimentação depende de negociação direta entre partes.
Negueba tem sete gols, um contrato sem valor público e uma janela de transferência se aproximando.










