Os números não mentem: Neymar atravessa o pior momento estatístico de sua carreira profissional. Em 12 partidas pelo Santos nesta temporada, o camisa 10 registra apenas 2 gols e 1 assistência – média de 0,25 participação direta por jogo, índice inferior até mesmo à sua temporada de estreia profissional em 2009, quando aos 17 anos marcou 14 gols em 48 jogos (0,29 por partida).
Declínio técnico evidente nos números
A comparação com outras fases da carreira de Neymar revela o tamanho da queda de rendimento. No PSG, entre 2017 e 2023, mantinha média de 0,89 participações diretas por jogo (220 gols e assistências em 247 partidas). No Barcelona (2013-2017), foram 105 participações em 186 jogos, resultando em 0,56 por confronto. Mesmo no Al-Hilal, onde enfrentou problemas com lesões, conseguiu 15 gols em 5 partidas antes da contusão no ligamento cruzado.
O episódio da discussão com torcedor após o empate de 1 a 1 com o Deportivo Recoleta ilustra a frustração do jogador. Segundo apuração do SportNavo, Neymar acumula 847 minutos em campo pelo Santos em 2026, registrando apenas 0,3 finalizações por jogo – número 78% inferior à sua média histórica de 1,4 chutes por partida.
Contexto físico e adaptação comprometem desempenho
A análise técnica indica fatores além do declínio natural. Aos 34 anos, Neymar retornou ao futebol após 11 meses parado por lesão no ligamento cruzado anterior. Estudos da Confederação Brasileira de Medicina do Esporte apontam que jogadores acima de 30 anos levam 40% mais tempo para recuperar velocidade e explosão após lesões graves no joelho.

O técnico Cuca, que assumiu o Santos em março substituindo Juan Pablo Vojvoda, soma apenas 2 vitórias em 6 jogos. A equipe ocupa a 15ª posição do Brasileirão com 13 pontos, apenas duas colocações acima da zona de rebaixamento. Na Copa Sul-Americana, o cenário é ainda mais dramático: lanterna do Grupo D com 1 ponto em 2 partidas.
Comparativo histórico revela gravidade da situação
Para dimensionar a crise, basta observar que nem mesmo na conturbada passagem pelo Al-Hilal – onde enfrentou adaptação cultural e pressão da mídia saudita – Neymar apresentou números tão baixos por tanto tempo. Em Riad, antes da lesão, mantinha média de 3 gols por jogo nos 5 confrontos disputados.
A falta de suporte ofensivo também pesa. Gabigol, substituto de confiança, soma apenas 4 gols em 18 jogos pelo Santos – aproveitamento de 22%, contra 47% que mantinha no Flamengo entre 2019 e 2024. Moisés, autor do gol da vitória sobre o Atlético-MG na última rodada, emerge como alternativa, mas ainda busca sequência como titular.
"A sequência sem vitórias e a derrota no clássico para o Flamengo transformaram o CT do clube em palco de protestos", destacou relatório interno divulgado pela diretoria santista.
Pressão externa intensifica declínio técnico
O ambiente hostil na Vila Belmiro contribui para o baixo rendimento. Conforme levantamento do SportNavo, o Santos não consegue sequência de vitórias há 7 rodadas, alternando entre empates frustrantes e derrotas que aumentam a pressão sobre Neymar. O flerte com o rebaixamento – algo impensável para um clube que revelou Pelé, Robinho e o próprio Neymar – amplifica a cobrança sobre o camisa 10.
Taticamente, Cuca tenta adaptar o esquema para potencializar Neymar, mas a falta de movimentação dos companheiros e a baixa qualidade dos passes recebidos limitam suas ações. Em 12 jogos, recebeu apenas 23 passes em condições ideais de finalização – média de 1,9 por partida, contra 4,2 que recebia no auge da carreira.
O Santos volta a campo neste domingo, às 16h, na Vila Belmiro, contra o Fluminense, pelo Campeonato Brasileiro. Para Neymar, representa oportunidade crucial de quebrar jejum de gols que já dura 4 jogos e amenizar pressão que pode definir prematuramente o fim de sua segunda passagem pelo clube que o revelou.

