Voltou. Neymar participou do treino coletivo da Seleção Brasileira na manhã desta terça-feira, 23, no último trabalho antes da viagem a Miami, e seu nome aparece entre os relacionados para o confronto contra a Escócia, marcado para quarta-feira, 24 de junho, no Hard Rock Stadium. A participação, porém, virá do banco — e deve durar cerca de 20 minutos, condicionada ao andamento do jogo e à resposta física apresentada nas últimas 48 horas.

O que aconteceu na panturrilha e o que a CBF ainda não sabe

A lesão grau 2 na panturrilha direita tirou Neymar de ação por mais de um mês. Nesse tipo de ruptura parcial das fibras musculares, o protocolo padrão exige entre quatro e oito semanas de reabilitação antes do retorno ao contato físico pleno — e é exatamente aí que reside a principal incógnita da comissão técnica de Carlo Ancelotti. O atacante treinou. Correu. Participou de atividades coletivas. Mas a Copa do Mundo não é treino.

A intensidade física do torneio em 2026 tem sido notável. Disputas de bola, pressão alta, marcação homem a homem — o futebol que se vê nos grupos é o de seleções que chegaram para vencer, não para administrar. O que para o argentino é uma guerra de posições calculadas, para o escocês é pressão física incessante desde o apito inicial. A Escócia de Steve Clarke não joga diferente: 9,8 quilômetros percorridos em média por jogador nas duas primeiras partidas da fase de grupos, segundo dados de rastreamento da FIFA. Neymar, aos 34 anos, vai entrar nessa dinâmica depois de mais de 30 dias sem sentir um carrinho.

"Neymar participou do treino coletivo mais uma vez e deve ser novidade entre os relacionados para o duelo contra a Escócia. O atacante está recuperado de uma lesão grau 2 na panturrilha direita e pode ganhar minutos na partida", informou a Revista Placar.

Vinte minutos de Neymar numa defesa desgastada — o cálculo tático de Ancelotti

A lógica do banco não é nova. Ancelotti já utilizou a estratégia do impacto tardio em temporadas recentes no Real Madrid, especialmente com jogadores em retorno de lesão. A ideia é simples: uma defesa que passou 70 minutos em alta intensidade é diferente de uma defesa no início do jogo. Pernas pesadas, marcações menos ajustadas, espaços que não existiam no primeiro tempo começam a aparecer.

Neymar, mesmo em versão reduzida, é um problema para qualquer linha defensiva desgastada. Sua capacidade de criar desequilíbrio no um contra um — 4,3 dribles bem-sucedidos por 90 minutos na última Copa em que atuou com regularidade — não depende de 90 minutos em campo. Depende de instantes. De uma pedalada, de um drible em velocidade reduzida que ainda assim é mais rápido do que o defensor que correu durante uma hora.

A dúvida maior de Ancelotti antes do jogo não é se Neymar entra — é quando e em qual contexto. Se o Brasil estiver vencendo com conforto, o risco de colocá-lo é menor. Se o placar estiver empatado, a pressão por seu uso aumenta. E se a Seleção estiver perdendo, a tentação de antecipar sua entrada pode entrar em conflito direto com o cuidado médico que a CBF prometeu ter.

"Sua atuação deve ser limitada a 20 minutos, condicionada ao andamento da partida e à resposta física apresentada nos dias anteriores ao duelo", registrou o UOL Esporte.

Rayan x Ben Gannon-Doak e a decisão que define o Brasil sem o camisa 10

Alisson retornou aos treinos normalmente nesta terça, após ser poupado na segunda-feira por controle de carga. A presença do goleiro no último trabalho confirma sua titularidade em Miami — e tira uma preocupação da mesa da comissão técnica antes de uma partida em que o Brasil precisa dos três pontos para fechar o Grupo com aproveitamento máximo.

Quem ainda não está definido é o substituto de Raphinha, que deixou o jogo contra o Haiti com lesão muscular na coxa direita. Ancelotti testou Rayan, Luiz Henrique e Endrick na posição durante os treinos desta semana, com Gabriel Martinelli como opção adicional. Rayan, de 19 anos, chega embalado: foram 5 gols e 2 assistências em 13 partidas da Premier League 2025/2026 pelo Bournemouth — números que justificam sua presença na convocação e credenciam sua candidatura à titularidade.

Existe ainda um detalhe que passou quase despercebido nos bastidores: Rayan e o escocês Ben Gannon-Doak, de 20 anos, dividem o mesmo vestiário no Bournemouth. O ponta revelado pelo Celtic e que passou pelo Liverpool conhece os movimentos do brasileiro de dentro — e vice-versa. Em reportagem publicada pelo SportNavo, o duelo entre os dois companheiros de clube foi apontado como um dos subplots mais intrigantes da partida.

A decisão sobre Raphinha define o Brasil dos primeiros 70 minutos. Neymar define, ou não, os últimos 20. E é nessa sequência que Ancelotti constrói seu plano para Miami: um time capaz de chegar ao intervalo da partida com vantagem ou equilíbrio, para então usar o camisa 10 como trunfo em campo aberto, contra uma defesa escocesa que já terá percorrido seus quilômetros. O Brasil enfrenta a Escócia nesta quarta-feira, 24 de junho, às 19h (horário de Brasília), no Hard Rock Stadium, em Miami, pela terceira e última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo 2026. Uma vitória garante o primeiro lugar do grupo.