É uma joia bruta em estágio de lapidação dentro de um cofre com dono ciumento.
Robinho Jr., 18 anos, atacante revelado nas categorias de base do Santos FC, driblou Neymar durante o treino do último domingo (3) no CT Rei Pelé, em Santos. O veterano se irritou, pediu que o garoto «maneirasse», e a situação escalou para empurrões, uma rasteira e um tapa — conforme relatado por setoristas presentes na atividade. Ainda no CT, houve pedido de desculpas e o clube tratou o caso como encerrado internamente. A imprensa europeia não deixou barato: o portal espanhol AS avaliou que Neymar «perdeu a cabeça», enquanto o Le Parisien destacou o gesto físico do camisa 10 contra um jovem de apenas 18 anos.
O que aconteceu
Um drible virou um incidente internacional — e isso diz tudo sobre o peso desta história.
Segundo apuração do SportNavo junto a fontes presentes no CT Rei Pelé, Robinho Jr. aplicou um drible em Neymar durante movimentação de treino. O veterano reagiu verbalmente, pedindo que o jovem «maneirasse». O garoto, em resposta, pediu que Neymar se acalmasse. A partir desse ponto, a situação degenerou: houve discussão, empurrões, uma rasteira aplicada por Neymar e, na sequência, um tapa. O Santos afastou ambos do grupo temporariamente para mediação. Pessoas próximas a Neymar chegaram a contatar o presidente Marcelo Teixeira para registrar queixas — o que indica que o entorno do jogador, num primeiro momento, tentou transformar a vítima do drible em parte ofensiva do conflito.
O Marca e o Sport, da Espanha, repercutiram o episódio classificando-o como «mais uma gafe» de Neymar, enquanto o Le Parisien citou explicitamente a possibilidade de agressão física. A visibilidade internacional do caso é desproporcional ao que seria um simples desentendimento de vestiário — e isso tem consequências mensuráveis.
Por que isso importa
Quando um ativo de R$ 0 de custo de formação colide com um passivo de imagem avaliado em milhões, o clube que absorve o choque é o Santos.
Robinho Jr. carrega um sobrenome que funciona como ruído de fundo permanente: seu pai, o ex-atacante Robinho, cumpre pena de nove anos por estupro coletivo, condenação confirmada pelo STJ em 2022. Esse contexto torna qualquer episódio envolvendo o jovem automaticamente mais exposto — e exige do Santos um gerenciamento de imagem que vai além do futebol. O garoto, no entanto, não pode ser reduzido ao sobrenome. Revelado pelas categorias de base do Peixe, ele representa exatamente o tipo de ativo que clubes em dificuldade financeira precisam proteger: custo de formação baixo, potencial de valorização alto e janela de venda aberta ao mercado europeu nos próximos 18 a 24 meses.
A reação de Neymar, nesse contexto, não é apenas um problema de postura — é um risco operacional. Um jovem de 18 anos que se sente inibido a aplicar dribles em treino por medo da reação de um veterano é um jovem que para de se desenvolver. Tecnicamente, esse tipo de ambiente sufoca o ativo antes que ele atinja seu valor máximo de mercado.
«Quem é Neymar para ficar bravinho por causa de um drible? Se o menino parte pra cima e dá um drible, o correto seria incentivo, e não o oposto.»
A crítica, publicada por colunista do UOL Esporte, sintetiza o que parte da imprensa e da torcida santista avaliam: Neymar, que deveria funcionar como multiplicador de valor para os jovens da base, operou no sentido oposto.
Os números por trás
Aos 18 anos, Robinho Jr. ainda não possui valor de mercado consolidado no Transfermarkt — o que, por si só, é uma informação relevante.
Jovens atacantes brasileiros de base com perfil técnico semelhante e mesma faixa etária costumam ser registrados na plataforma entre € 500 mil e € 1,5 milhão antes da primeira temporada relevante no profissional. A janela de valorização mais agressiva ocorre entre os 18 e 21 anos, período em que o mercado europeu — especialmente clubes da Eredivisie, Primeira Liga portuguesa e Serie B italiana — monitora ativos brasileiros com maior frequência.
Neymar, por sua vez, retornou ao Santos em 2025 após rescisão com o Al-Hilal. Seu salário no Peixe não foi divulgado oficialmente, mas fontes do mercado estimam valores na faixa de R$ 3 milhões a R$ 5 milhões mensais, incluindo luvas e direitos de imagem. Com contrato vigente e desempenho abaixo do esperado — lesões frequentes e episódios de indisciplina —, o ROI do investimento em Neymar para o Santos segue negativo em termos de desempenho esportivo e positivo apenas em visibilidade comercial. O incidente de domingo coloca pressão sobre esse segundo pilar.
A análise do SportNavo indica que o Santos enfrenta aqui um problema de alocação de capital humano: o jogador com maior custo fixo está corroendo o ambiente de desenvolvimento dos ativos com maior potencial de retorno futuro.
O próximo capítulo
O drible já foi dado — a pergunta agora é quem define os próximos passos do jovem atacante.

O Santos enfrenta o Mirassol no próximo fim de semana pelo Campeonato Brasileiro 2026, e a presença de Robinho Jr. na lista de relacionados será o primeiro sinal concreto de como o clube gerenciou o episódio internamente. Se o jovem for preservado ou omitido da convocação sem justificativa técnica, o mercado interpretará como sinal de que o ambiente no CT Rei Pelé favorece o veterano em detrimento do ativo de base — o que pode antecipar conversas com empresários e agentes interessados em intermediar uma saída precoce do garoto. Uma transferência antes do pleno desenvolvimento reduz o valor de venda e encurta o retorno para o clube formador, que detém percentual dos direitos econômicos do jogador.








