Errou. A parcela da torcida do Atlético-MG que pediu nas redes sociais o adiamento da homenagem a Hulk partiu de uma premissa equivocada: a de que uma despedida só tem valor quando o atleta pendurou as chuteiras. Os números da trajetória do atacante no Galo desmontam esse argumento com facilidade. Em 311 jogos disputados com a camisa alvinegra, Hulk marcou 140 gols e distribuiu 56 assistências — uma média de participação direta em gol a cada 1,8 partida. Não há carreira que precise esperar o fim para ser celebrada com esses dados na mesa.
O legado que a Arena MRV vai homenagear no domingo
A cerimônia de despedida está marcada para o próximo domingo, dia 10, antes do confronto entre Atlético-MG e Botafogo pelo Campeonato Brasileiro. O evento contará com exibição de lances marcantes nos telões da Arena MRV, condecoração oficial ao atacante e um discurso de Hulk à torcida. Uma patrocinadora do clube também preparou uma ação especial para a ocasião.
O ponto que gerou polêmica é simples: Hulk já rescindiu o contrato com o Atlético-MG e foi anunciado oficialmente pelo Fluminense. Para uma parte da torcida, fazer a homenagem antes do encerramento da carreira soa como despedida prematura. Mas esse argumento ignora um dado estrutural: o tributo é ao ciclo no clube, não ao fim do futebol. Hulk chegou ao Galo em 2021, aos 35 anos, vindo da China, e construiu ali o capítulo mais produtivo de sua fase como atleta veterano.
Nas palavras que circularam nas redes sociais após o anúncio da cerimônia, o próprio atacante sinalizou gratidão ao clube e à torcida, reconhecendo o peso do que foi construído em Belo Horizonte. Esse tom encerra o ciclo com dignidade — independentemente do que vem a seguir.
"A homenagem é pelo que ele fez aqui, não pelo que ainda vai fazer em outro lugar. E pelo que ele fez, merece muito", resumiu um torcedor alvinegro em postagem que viralizou após o anúncio.
O que Hulk representa para o Fluminense de Mano Menezes
Chegou. Com 39 anos, Hulk desembarca no Rio de Janeiro num momento em que o Fluminense busca reconstrução após uma temporada 2025 de altos e baixos. Mano Menezes comanda um grupo que precisa de referência ofensiva — e essa é exatamente a função que o atacante ocupou com mais consistência ao longo de sua carreira.

O Flu terminou a temporada passada com dificuldades no setor de criação e finalização. Nos dados compilados pelo SportNavo, o clube tricolor ficou entre os cinco times com menor média de finalizações no alvo por partida no segundo semestre de 2025 — um problema que Hulk, por suas características físicas e posicionamento de área, pode ajudar a mitigar. Com 1,90m e histórico de conversão elevado em jogadas aéreas e cobranças de falta, ele oferece ao técnico um perfil que o elenco atual não possui.
A questão física é legítima. Aos 39 anos, nenhum atleta mantém os mesmos índices de mobilidade e recuperação dos 28. O que Hulk entrega agora é diferente do que entregava no Porto, no Shanghai ou no Zenit — mas é ainda relevante. No Atlético-MG, ele participou de competições de alta intensidade como a Copa Libertadores e o Brasileirão até o fim de seu contrato, sem sinais graves de queda de rendimento nos últimos seis meses. A resistência física que o manteve atuando no nível que atuou é, por si só, um dado analítico.
"Hulk ainda tem gol. O que muda é a gestão de carga. Se Mano souber usá-lo nos momentos certos, o Fluminense ganha um finalizador que poucos times no Brasil têm", avaliou um preparador físico consultado por veículos especializados após o anúncio da transferência.
O que os dados dizem sobre veteranos nessa posição no Brasileirão
Existe uma narrativa recorrente no futebol brasileiro de que jogadores acima dos 37 anos perdem utilidade competitiva. Os números, porém, contradizem essa generalização quando o perfil do atleta é de centroavante físico com volume de jogo controlado. No Brasileirão 2025, atacantes com mais de 35 anos que atuaram acima de 1.200 minutos mantiveram médias de gol compatíveis com titulares regulares em suas equipes — padrão que Hulk cumpriu no Atlético-MG ao longo do ciclo recente.
Mano Menezes tem histórico de aproveitar veteranos em posições estratégicas. No comando de equipes como Grêmio e Cruzeiro, o técnico gaúcho demonstrou habilidade para integrar jogadores experientes ao esquema sem sobrecarregá-los fisicamente. No Rio de Janeiro, no compasso acelerado do futebol carioca de mata-mata e calendário denso, essa gestão será ainda mais determinante para que Hulk entregue o que o Fluminense espera.
O atacante não precisa disputar 35 partidas por temporada para justificar sua contratação. Seis ou sete gols em momentos decisivos, liderança no vestiário e referência para os jovens atacantes do clube já tornam o negócio lucrativo para o Fluminense. A homenagem do Galo no domingo faz sentido exatamente por isso: encerra um ciclo completo, de alto nível, com números que poucos jogadores brasileiros conseguirão repetir. O Fluminense estreia Hulk no Brasileirão 2026 num calendário que já prevê confrontos diretos contra Flamengo e Botafogo nas próximas semanas — partidas em que a presença de um finalizador experiente pode fazer diferença concreta no resultado.









