Quebrou. O Grêmio não conseguiu honrar o acordo de parcelamento firmado com o volante colombiano Cuéllar no momento da rescisão contratual, em fevereiro de 2026 — e agora enfrenta uma cobrança extrajudicial que chega a aproximadamente R$ 15 milhões. O caso expõe uma crise de liquidez que vai muito além de um contrato mal encerrado.
Como a dívida com Cuéllar chegou a R$ 15 milhões
Antes mesmo da rescisão, o Grêmio já acumulava cerca de R$ 6 milhões em salários atrasados ao atleta, segundo informações do jornalista JB Filho. Quando as partes chegaram ao acordo de desligamento, o clube optou por parcelar tanto os valores em atraso quanto as parcelas que ainda venceriam até o término original do contrato — o que elevou o montante total para próximo de R$ 15 milhões. A lógica do parcelamento, em tese, aliviaria o caixa imediato. Na prática, o Tricolor não conseguiu sustentar nem essa saída negociada.
Fluxo de caixa comprometido e a cobrança que veio antes da Justiça
A opção pela via extrajudicial, antes de qualquer ação judicial, revela que há espaço — ainda que estreito — para uma composição entre as partes. Cuéllar e sua assessoria jurídica parecem calcular que um acordo fora dos tribunais é mais célere e menos custoso do que um processo trabalhista. Contudo, a persistência do problema de fluxo de caixa do Grêmio, relatada por JB Filho como a causa direta do descumprimento do parcelamento, sugere que o clube não dispõe de reservas suficientes para quitar a dívida em curto prazo.
Segundo o jornalista JB Filho, o Tricolor não estaria conseguindo cumprir o acordo por falta de fluxo de caixa neste momento, o que teria ocasionado a cobrança extrajudicial.
O SportNavo apurou que situações dessa natureza — rescisões parceladas que o clube não consegue honrar — são um sintoma recorrente em agremiações que operam com receita corrente comprometida por dívidas antigas, sem acesso a crédito bancário favorável ou injeção de capital via SAF.
Os riscos jurídicos concretos para o Grêmio
Se a cobrança extrajudicial não prosperar, o caminho natural é a Justiça do Trabalho, onde o histórico de condenações de clubes brasileiros por salários atrasados é extenso e, em geral, desfavorável às agremiações. Uma ação judicial envolvendo R$ 15 milhões poderia resultar em penhora de direitos de transmissão, cotas de patrocínio ou até receitas de bilheteria — fontes vitais para o equilíbrio operacional do clube em plena temporada do Brasileirão 2026.
O que pode ser penhorado
- Cotas de direitos de transmissão da TV
- Receitas de patrocínio master e de uniformes
- Bilheteria de partidas em casa na Arena do Grêmio
- Valores a receber de transferências de atletas
A penhora de qualquer dessas fontes num cenário de campeonato em andamento teria efeito cascata: comprometeria a capacidade de contratar reforços, pagar o elenco atual em dia e manter a estrutura operacional do departamento de futebol — criando um ciclo vicioso que clubes europeus já documentaram em estudos de governança esportiva publicados pela UEFA entre 2018 e 2023.
O que o Grêmio precisa fazer nas próximas semanas
O prazo para uma solução negociada é curto. Enquanto a cobrança permanece na esfera extrajudicial, o clube tem a oportunidade de evitar o desgaste público e jurídico de um processo formal. A direção gremista precisaria apresentar a Cuéllar e seus representantes um cronograma de pagamento crível — lastreado em receitas futuras verificáveis, como repasses de TV ou transferências já acordadas — antes que a paciência da outra parte se esgote. Sem essa sinalização concreta, a ação judicial tende a ser protocolada ainda no primeiro semestre de 2026, com potencial de travar recursos que o Grêmio precisará para a segunda metade da temporada.
Quebrou — e agora precisa demonstrar que tem como se reerguer antes que a Justiça decida por ele.











