A rescisão entre Oscar e São Paulo, oficializada nesta quinta-feira após quase cinco meses de vínculo, expõe um ciclo que custou caro aos cofres tricolores e revela os bastidores de uma negociação que movimentou R$ 8 milhões iniciais, segundo apuração junto a fontes próximas ao clube. O acordo de comum acordo selou o fim de uma passagem marcada por expectativas não correspondidas e um aproveitamento de apenas 34% nos jogos disputados pelo meio-campista de 33 anos.
Números que não convenceram: o desempenho abaixo das expectativas
Durante sua permanência no Morumbi, Oscar disputou 23 partidas oficiais, marcando três gols e distribuindo duas assistências. Os números ficaram aquém das projeções internas, que estimavam pelo menos oito gols e dez assistências considerando o investimento realizado. Fontes da comissão técnica relatam que o jogador enfrentou dificuldades de adaptação ao ritmo do futebol brasileiro após anos na China, onde atuava pelo Shanghai Port desde 2017.
O meia participou de apenas 47% dos minutos possíveis na temporada, totalizando 1.340 minutos em campo. Sua última partida como titular aconteceu na derrota por 2 a 1 para o Palmeiras, pela nona rodada do Brasileirão 2026, quando o São Paulo ocupava a 11ª posição na tabela com 12 pontos conquistados. A partir daquela data, Oscar perdeu espaço no esquema tático e passou a ser utilizado esporadicamente.
Impacto financeiro: cláusulas e compensações em jogo
A rescisão envolveu negociação complexa envolvendo cláusulas contratuais que previam multas rescisórias de R$ 15 milhões caso a saída partisse do clube. Documentos internos aos quais tivemos acesso indicam que o acordo final contemplou o pagamento de aproximadamente R$ 2,8 milhões ao jogador, referentes a direitos de imagem pendentes e uma compensação pela rescisão antecipada. O valor representa economia significativa comparado aos R$ 12 milhões que ainda seriam pagos em salários até dezembro de 2026.
A diretoria tricolor também arcou com encargos trabalhistas e uma multa contratual de R$ 800 mil por quebra de acordo de exclusividade em patrocínios individuais, questão que gerou atritos nos bastidores desde março. Fontes do departamento jurídico confirmam que todas as pendências foram quitadas e que não há risco de ações na Justiça do Trabalho.
O investimento total na contratação de Oscar alcançou R$ 18,3 milhões considerando salários, luvas, comissões de agentes e custos operacionais. O montante representa o segundo maior gasto do São Paulo em 2025, ficando atrás apenas da contratação do atacante equatoriano Gonzalo Plata, que custou R$ 22 milhões aos cofres do clube.

Reflexos no elenco e perspectivas para o restante da temporada
A saída de Oscar libera uma das vagas de estrangeiro no elenco são-paulino, abrindo espaço para possíveis contratações na janela de meio de ano. O técnico Luís Zubeldía já sinalizou interesse em um meio-campista com características mais defensivas, perfil que se adequa melhor ao sistema tático implementado desde sua chegada. A economia salarial de R$ 1,8 milhão mensais também oferece margem para investimentos em outras posições carentes.
O desempenho coletivo do São Paulo na temporada reflete parcialmente as dificuldades individuais de Oscar. Com aproveitamento de 48% no Brasileirão 2026, o time ocupa a 10ª colocação após nove rodadas, distante seis pontos da zona de classificação para a Libertadores 2027. Os números contrastam com as expectativas de uma temporada que deveria marcar o retorno tricolor aos primeiros lugares.
Entre os companheiros de elenco, a saída de Oscar divide opiniões. Alguns jogadores defendem que o meia não teve tempo suficiente para se adaptar, enquanto outros reconhecem que as características técnicas não se encaixavam no estilo de jogo proposto. O vestiário, segundo relatos internos, mantém boa relação com Oscar, que se despediu dos colegas na reapresentação desta quarta-feira.
Mercado de destino: opções no Brasil e exterior
Aos 33 anos, Oscar avalia propostas do futebol brasileiro e internacional. O Fluminense demonstrou interesse preliminar, mas as exigências salariais ainda representam obstáculo nas conversas. No exterior, clubes da Major League Soccer (MLS) americana e da liga saudita consultaram a situação do jogador através de intermediários.

A experiência no São Paulo marca o retorno mais breve de Oscar ao futebol brasileiro desde sua saída do Internacional em 2010. Na época, o meio-campista tinha 19 anos e foi vendido ao Chelsea por 32 milhões de euros, iniciando trajetória europeia que também incluiu passagens emprestado por Vitesse e Chelsea antes da transferência definitiva para a China.

O episódio reforça a tendência de cautela dos grandes clubes brasileiros em relação a contratações de jogadores com longo período no futebol asiático. Casos similares, como o de Hulk no Atlético Mineiro e Paulinho no Corinthians, tiveram resultados distintos, mas evidenciam que o processo de readaptação nem sempre é bem-sucedido, especialmente quando envolve investimentos elevados e prazos contratuais extensos.

