Quando Oscar dos Santos Emboaba Júnior gravou o vídeo anunciando sua aposentadoria precoce no último sábado (4), aos 34 anos, por problemas cardíacos, o São Paulo perdeu mais que um jogador experiente. O clube viu desaparecer, de uma tacada só, o cérebro do meio-campo e a principal referência técnica de um elenco que ainda buscava seu equilíbrio na temporada 2026.

"Lamentei não ter conseguido fazer mais pelo clube", disse Oscar em vídeo divulgado pelo São Paulo nas redes sociais.

O meia, que tinha contrato válido até dezembro de 2026, representava a experiência internacional que o Tricolor tanto valorizava. Foram 33 jogos pelo Brasil, passagens por Chelsea e Shanghai Port, além de conquistas na base do Internacional. Sua saída abrupta deixa um buraco tático que vai além dos números: Oscar era o jogador com mais passes decisivos por partida no elenco tricolor em 2026, com média de 2,3 assistências a cada 90 minutos.

Reformulação urgente no setor criativo

A diretoria são-paulina agora enfrenta um dilema estratégico complexo. Com a janela de transferências do meio do ano ainda distante, o técnico Luis Zubeldía precisa reorganizar um meio-campo que dependia da visão de jogo e da qualidade técnica de Oscar para criar as principais oportunidades ofensivas.

As opções internas incluem o jovem William Gomes, de 19 anos, que vinha sendo preparado como sucessor natural, além de Rodrigo Nestor e Michel Araújo, ambos com características diferentes do meia aposentado. Nestor possui maior capacidade de marcação, enquanto Araújo oferece mais velocidade pelos flancos, mas nenhum dos dois apresenta a mesma capacidade de lançamento longo que caracterizava o jogo de Oscar.

O departamento de futebol tricolor já havia mapeado possíveis reforços para o meio-campo em 2026, mas a aposentadoria repentina acelera os planos. Nomes como Giuliano, do Corinthians, e Alan Patrick, do Internacional, circularam internamente como alternativas, embora ambos tenham perfis mais ofensivos que o de Oscar, tradicionalmente mais recuado na armação.

Impacto financeiro e mudança tática

Do ponto de vista financeiro, a saída de Oscar libera aproximadamente R$ 8 milhões em folha salarial até dezembro de 2026, valor que pode ser redirecionado para contratações pontuais. O jogador era o segundo maior salário do elenco, atrás apenas do atacante Calleri.

Taticamente, Zubeldía estuda duas alternativas principais: apostar na formação 4-2-3-1, com dois volantes mais defensivos e três jogadores de criação à frente, ou migrar para o 4-3-3 tradicional, utilizando um meio-campista box-to-box no lugar da função específica que Oscar ocupava.

A experiência internacional do meia também fará falta nos momentos decisivos. Oscar participou de 127 partidas em competições europeias pelo Chelsea entre 2012 e 2017, bagagem que poucos jogadores do atual elenco são-paulino possuem. Sua liderança silenciosa no vestiário era reconhecida pelos companheiros, especialmente os mais jovens do grupo.

Próximos passos e adaptação do elenco

O São Paulo volta aos treinos na próxima segunda-feira (6) para preparar o duelo contra o Palmeiras, marcado para quinta-feira (9), no Allianz Parque, pela décima rodada do Campeonato Brasileiro. Será o primeiro compromisso oficial sem Oscar no elenco, teste prático para as adaptações táticas de Zubeldía.

Reformulação urgente no setor criativo Oscar deixa vácuo técnico no São Paulo a
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A comissão técnica já trabalha com a hipótese de promover William Gomes ao time titular, apostando no potencial do jovem que se destacou nas categorias de base. Aos 19 anos, o meia possui características similares a Oscar no passe longo, embora ainda careça da experiência em jogos de alta pressão.

Com 15 pontos em nove jogos disputados, o São Paulo ocupa a quarta posição do Brasileirão 2026, mas a perda de Oscar pode afetar diretamente o rendimento ofensivo da equipe. O time de Zubeldía enfrentará o Palmeiras precisando mostrar que consegue manter o nível técnico mesmo sem sua principal referência na criação de jogadas.