O silêncio que tomou o vestiário argelino depois do terceiro gol da Argentina não durou muito — mas pesou. Luca Zidane ficou parado na linha do gol por alguns segundos, os braços caídos, o olhar perdido em direção à arquibancada que cantava o nome de Messi. Três gols sofridos. Oito jogos pela seleção. E o sobrenome mais famoso do futebol estampado nas costas da camisa. A pergunta que o torcedor da Argélia quer responder é simples e cruel ao mesmo tempo: esse goleiro aguenta a pressão da Copa do Mundo?

O que aconteceu dentro das quatro traves na estreia contra a Argentina

Foi no MetLife Stadium, com o calor úmido de Nova Jersey sufocando as duas torcidas, que Luca Zidane viveu o pior e o mais exposto dos seus 26 anos de vida. A Copa do Mundo não perdoa estreantes — e o placar de 3 a 0 para a Argentina escancarou as fragilidades de um goleiro com currículo ainda em construção. O segundo gol foi o mais comentado: uma finalização de Lionel Messi que passou por baixo do corpo do arqueiro franco-argelino, num movimento que analistas de toda a Europa classificaram como erro técnico elementar. Não foi uma bomba impossível de defender. Foi o tipo de gol que um goleiro titular de Copa do Mundo precisa parar.

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A experiência de Zidane com a camisa da Argélia se resume a oito partidas — número que, para um torneio dessa magnitude, levanta questionamentos legítimos sobre preparo e rodagem. Ele nunca enfrentou uma seleção do nível da Argentina antes desta noite. E o batismo foi duro, com Messi na melhor fase da Copa, marcando três vezes e virando o protagonista absoluto de uma goleada que pode definir o Grupo J.

O que aconteceu dentro das quatro traves na estreia contra a Argentina Petkovic
O que aconteceu dentro das quatro traves na estreia contra a Argentina Petkovic

A reação da mídia e o peso do sobrenome Zidane

Nas horas seguintes ao apito final, as redes sociais foram um tribunal sem advogado de defesa. Clips do segundo gol rodaram em loop, cada um com uma legenda mais cruel que a anterior. A imprensa francesa, que acompanha Luca desde os tempos de goleiro reserva no Real Madrid e no Lausanne, foi igualmente impiedosa. O sobrenome Zidane — que abriu portas, gerou manchetes e encheu estádios para vê-lo treinar — virou o próprio peso que ele carrega nas costas.

No futebol, como diria qualquer avô do interior, quem não tem cão caça com gato: a Argélia apostou num goleiro de linhagem nobre, mas com poucas batalhas nas pernas, esperando que o talento herdado compensasse a falta de experiência internacional. A aposta pode custar caro — ou pode se provar genial, dependendo do que acontecer nas próximas 90 horas.

Petkovic fecha o cerco e mantém Luca Zidane no gol contra a Jordânia

Vladimir Petkovic entrou na sala de imprensa com o passo firme de quem já decidiu. O técnico suíço-bósnio, que comandou a Suíça em Copas do Mundo anteriores, não veio para negociar. Veio para blindar.

"Todos os nossos jogadores estão preparados para o jogo de amanhã. Eles todos têm o direito ao erro. Confio nas qualidades de Luca Zidane como goleiro", disse Petkovic na coletiva realizada na véspera do duelo contra a Jordânia.

A declaração veio acompanhada de uma segunda frase que diz muito sobre o estilo do treinador — e sobre como ele enxerga o ruído externo que cerca o clube desde a derrota.

A reação da mídia e o peso do sobrenome Zidane Petkovic bate no peito por Luca Z
A reação da mídia e o peso do sobrenome Zidane Petkovic bate no peito por Luca Z
"Não leio os jornais e não tenho contas nas redes sociais. Não sei o que se diz, eu me concentro apenas no trabalho", completou o técnico.

Petkovic confirmou que o time terá mudanças para o duelo contra a Jordânia, mas as alterações se concentram no meio-campo e no ataque. Riyad Mahrez deve retomar a titularidade no setor ofensivo, enquanto Maza, Bentaleb, Aouar e Boudaoui disputam duas vagas no meio. O gol, ao menos por enquanto, continua sendo de Luca Zidane — com ou sem a aprovação das redes sociais.

A decisão de Petkovic tem lógica técnica além da lealdade. Trocar o goleiro após uma única partida, especialmente em Copa do Mundo, manda uma mensagem de pânico para o vestiário inteiro. O técnico sabe que a Argélia precisa de estabilidade emocional para seguir em frente no torneio, e abalar a confiança do grupo agora seria um erro maior do que qualquer gol sofrido. A questão é se Luca Zidane consegue absorver a pressão e responder dentro de campo — não nas entrevistas, não nas redes sociais, mas nos 90 minutos que definem quem fica e quem vai embora.

A Argélia enfrenta a Jordânia nesta terça-feira, às meia-noite (horário de Brasília), numa partida que já não admite tropeço. Com apenas três pontos disponíveis e a Argentina disparada na liderança do Grupo J, uma derrota praticamente encerra o sonho argelino antes de chegar à terceira rodada. Luca Zidane terá 90 minutos para responder a todas as críticas. Ele tem 26 anos e oito jogos pela seleção. O relógio não para.