A mais recente declaração de Rogério Ceni sobre o Palmeiras, feita antes do confronto deste domingo na Fonte Nova, reacendeu uma polêmica que se arrasta há quatro anos. O técnico do Bahia voltou a criticar o estilo de jogo da equipe de Abel Ferreira, provocando reações imediatas de ídolos palmeirenses nas redes sociais. Nos bastidores, dirigentes do Verdão já demonstram irritação com o que consideram "provocações desnecessárias" do ex-goleiro são-paulino.

Linha do tempo das provocações entre Ceni e Abel Ferreira

O primeiro embate público entre os técnicos aconteceu em setembro de 2020, quando Ceni ainda comandava o Flamengo. Após derrota por 3 a 0 no Allianz Parque, o treinador questionou a "postura defensiva excessiva" do Palmeiras, que havia investido R$ 240 milhões em contratações naquele ano. Abel Ferreira, recém-chegado ao Brasil, respondeu através da assessoria que "resultados falam mais que palavras".

Em março de 2022, já no Fortaleza, Ceni voltou ao ataque após eliminação na Copa do Brasil. O técnico mineiro declarou que o Palmeiras "joga para não perder, não para ganhar", citando especificamente a escalação com três volantes em jogos decisivos. A resposta veio em coletiva: Abel afirmou que "alguns colegas deveriam estudar mais antes de opinar sobre futebol europeu".

Linha do tempo das provocações entre Ceni e Abel Ferreira Por que Rogério Ceni s
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"O Palmeiras tem um dos maiores orçamentos do país, mas insiste em um futebol cauteloso que não condiz com o investimento feito", disparou Ceni em entrevista à ESPN em 2023.

O ápice da rivalidade aconteceu durante as semifinais da Libertadores de 2023, quando o São Paulo de Ceni enfrentou o Palmeiras de Abel. Nos bastidores, fontes próximas aos clubes relataram tensão extra-campo, com trocas de farpas sobre métodos de preparação física e gestão de elenco. O Palmeiras avançou nos pênaltis, mas Ceni não poupou críticas ao "pragmatismo excessivo" do adversário.

Análise tática esconde rivalidade pessoal

Dirigentes que acompanharam as negociações entre os clubes nos últimos anos revelam que a rivalidade vai além das quatro linhas. Ceni, conhecido por seu perfil detalhista e analítico, frequentemente questiona investimentos do Palmeiras em atletas que considera "supervalorizados". O caso de Endrick, vendido por € 60 milhões ao Real Madrid, foi motivo de comentários reservados do técnico sobre "inflação artificial no mercado brasileiro".

Análise tática esconde rivalidade pessoal Por que Rogério Ceni sempre provoca po
Análise tática esconde rivalidade pessoal Por que Rogério Ceni sempre provoca po

Abel Ferreira, por sua vez, adotou estratégia de silêncio calculado. Desde 2023, o português orienta sua assessoria a não responder diretamente às provocações de Ceni, focando apenas em "trabalho e resultados". Essa postura irritou ainda mais o técnico mineiro, que passou a intensificar críticas em programas esportivos e entrevistas coletivas.

A situação se complicou quando Ceni assumiu o Bahia em setembro de 2024. O clube baiano, que recebeu aportes de R$ 150 milhões da Cidade Football Group, passou a disputar o mesmo patamar de investimento que o Palmeiras. Essa mudança financeira deu mais combustível às comparações e críticas mútuas entre os treinadores.

Bastidores revelam disputa por protagonismo

Fontes ligadas à CBF indicam que a rivalidade entre Ceni e Abel também envolve questões de mercado. Ambos disputam o mesmo nicho de técnicos "estudiosos" e com discurso elaborado, algo valorizado pelos grandes clubes brasileiros. A diferença nos títulos conquistados - Abel tem duas Libertadores pelo Palmeiras, enquanto Ceni possui um Brasileirão pelo Flamengo - alimenta essa competição silenciosa.

Empresários que negociam com ambos os profissionais relatam que Ceni demonstra incômodo com o "tratamento diferenciado" dado a Abel pela imprensa especializada. O técnico português, segundo essas fontes, recebe salário estimado em R$ 1,2 milhão mensais no Palmeiras, valor 40% superior ao que Ceni recebia no São Paulo antes de ir para o Bahia.

"Rogério sempre foi competitivo, desde os tempos de goleiro. Essa rivalidade com Abel é natural entre dois profissionais que brigam pelo mesmo espaço no mercado", revelou um dirigente que trabalhou com ambos.

O confronto deste domingo na Fonte Nova marca o décimo encontro direto entre os técnicos, com Abel levando vantagem: cinco vitórias contra três de Ceni, além de um empate. Nos bastidores, ambas as diretorias já sinalizaram que esperam "foco total no jogo" e evitar novas polêmicas públicas que possam prejudicar a imagem dos clubes.