Confesso: eu subestimei a dependência do Santos de Luan Peres quando ele deixou o Fenerbahçe e voltou ao futebol brasileiro. Achei que, com 138 jogos pelo clube e uma carreira construída também no Club Brugge e no Olympique de Marselha, ele seria apenas mais uma peça experiente numa zaga em reconstrução. Hoje, vendo o Peixe oscilar entre câimbras coletivas e fraturas literais, entendo o porquê do engano.

Dois problemas físicos que chegaram ao mesmo tempo para Luan Peres

A situação do zagueiro em 2026 acumula duas frentes de dano físico simultâneas. A mais grave vem de antes: Luan rompeu o ligamento cruzado do joelho, operou em outubro de 2025 e segue em recuperação protocolar. "São oito meses, tempo protocolar de lesão de ligamento cruzado. Operei em outubro, deve ser final de maio, comecinho de junho", disse o próprio defensor em entrevista ao portal 365Scores. Ou seja, o retorno está previsto justamente quando o Brasileirão entra na fase mais disputada do primeiro turno.

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A segunda frente é mais recente e menos grave, mas igualmente inconveniente. Luan fraturou o quarto metacarpo da mão esquerda — uma lesão sentida ainda durante a partida contra o Palmeiras, mas que o deixou de fora do confronto contra o Red Bull Bragantino pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro. Adonis Frías entrou em seu lugar ao lado de Lucas Veríssimo. A dor aumentou nos dias seguintes ao jogo contra o Palmeiras, forçando o departamento médico a intensificar o tratamento e preservar a região.

"Eu nunca tinha tido lesão grave, nem muscular. Só no Santos eu tive uma, na semifinal, levei uma pancada no tornozelo e tive uma entorse, 15 dias, mas voltei para jogar a final", relembrou Luan Peres ao 365Scores.

No empate por 2 a 2 contra o Mirassol em 10 de março, o zagueiro saiu de maca na segunda etapa — o que gerou alarme imediato entre a torcida. A Itatiaia apurou que a causa foi câimbra, não nova lesão, embora Luan também tenha sofrido uma torção no tornozelo esquerdo no primeiro tempo e conseguido continuar em campo até o momento da substituição. Zé Ivaldo entrou em seu lugar. O departamento médico do Santos agendou reavaliação para o dia seguinte.

O que os números do Santos revelam quando Luan não está em campo

O Santos acumulou apenas duas vitórias em nove partidas no início da temporada. Na terceira rodada do Brasileirão, perdeu por 2 a 1 para o Athletico-PR na Arena da Baixada — resultado que jogou o Peixe na zona de rebaixamento. Luan foi titular naquele jogo, ao lado de Zé Ivaldo, que cometeu o pênalti convertido no primeiro gol do Furacão. A equipe buscou o empate, mas cedeu nos minutos finais.

"Sabemos como foi no ano passado: começamos mal e sofremos o ano inteiro. Então, não pode haver desculpa de calendário, não tem desculpa para nada. Temos que começar a pontuar", afirmou Luan Peres na saída de campo, em entrevista ao SporTV.

Na avaliação do SportNavo, o problema não é apenas quantitativo — não se trata só de contar os gols sofridos sem o zagueiro em campo. A questão é estrutural. Luan é o defensor com maior capacidade de lançamento em profundidade da zaga santista, função que ficou evidente no empate com o Mirassol, quando ele buscou o atacante Rony repetidamente com passes verticais. Sem ele, o setor defensivo perde também em construção ofensiva, não apenas em marcação.

Com Luan ausente contra o Bragantino, Adonis Frías e Lucas Veríssimo precisaram se reajustar lateralmente — os dois estão acostumados a atuar pelo mesmo lado, e a necessidade de um cobrir o flanco esquerdo de Luan gerou desconforto posicional. O técnico Juan Pablo Vojvoda apontou a falta de efetividade como fator central nos tropeços recentes, mas a instabilidade defensiva é igualmente visível nos dados: o Santos sofreu gols no primeiro e no último minuto contra o Athletico, exatamente nos momentos em que a concentração coletiva é mais exigida.

O que ainda falta resolver antes do retorno do zagueiro

Luan Peres soma 10 partidas disputadas no Brasileirão 2026, sendo nove como titular sob o comando de Vojvoda — números que mostram que ele havia reconquistado espaço após começar a temporada como opção no banco. O retorno projetado para o final de maio ou início de junho coincide com a reta final do primeiro turno, período em que cada ponto tem peso diferente para um time que já conheceu a zona de rebaixamento neste ciclo.

Dois problemas físicos que chegaram ao mesmo tempo para Luan Peres Quanto tempo
Dois problemas físicos que chegaram ao mesmo tempo para Luan Peres Quanto tempo

A fratura na mão esquerda, por sua vez, tem prazo mais curto. A ideia do departamento médico era que Luan estivesse recuperado para o duelo contra o Coritiba pela quinta fase da Copa do Brasil — jogo de volta no Couto Pereira, após 0 a 0 no confronto de ida, com vaga nas oitavas de final em disputa. Se o joelho ainda impede a presença em campo, a mão ao menos não deve ser fator impeditivo por muito mais tempo.

O zagueiro demonstra carinho genuíno pelo clube: "Sou muito grato ao Santos, ao que o Santos fez por mim", disse ele ao 365Scores, lembrando a final da Libertadores e o período difícil que o Peixe atravessou depois. Essa ligação emocional não resolve o calendário, mas ajuda a entender por que Luan voltou e por que sua ausência pesa mais do que os números isolados conseguem capturar. O Santos enfrenta o Coritiba no Couto Pereira pela Copa do Brasil precisando reverter o 0 a 0 do jogo de ida — e ainda sem garantia de ter seu zagueiro mais experiente disponível.