A declaração de um pentacampeão mundial de que 'Neymar não quer ir para a Copa' de 2026 reacende o debate sobre o futuro da Seleção Brasileira. Aos 32 anos, o camisa 10 do Al-Hilal pode encerrar sua trajetória internacional antes do Mundial conjunto entre Estados Unidos, México e Canadá. O Brasil precisa urgentemente identificar quem assumirá o manto de principal criador ofensivo, função que Neymar desempenha desde a Copa de 2014.
O modelo tático Neymar na história da Seleção
Desde 2013, Neymar se tornou o eixo criativo da Seleção Brasileira, acumulando 79 gols em 128 jogos. Na Copa de 2022, no Catar, ele foi responsável por 43% das finalizações do Brasil na fase de grupos, superando Pelé como maior artilheiro da história da Seleção. Seu perfil tático único combina três elementos: capacidade de jogar entre linhas como falso 9, habilidade no um contra um pelas laterais e visão de jogo para passes decisivos no terço final.
A ausência de Neymar na Copa de 2014 contra a Alemanha ilustra sua importância: sem ele, o Brasil sofreu a maior goleada de sua história em Copas do Mundo (1 a 7). Estatisticamente, a Seleção tem 68% de aproveitamento com Neymar em campo e apenas 54% sem ele desde 2016, segundo dados da CBF.
Rodrygo emerge como principal herdeiro tático
Rodrygo, do Real Madrid, apresenta o perfil mais próximo ao de Neymar para 2026. Aos 23 anos, o atacante paulista já acumula 6 gols em 20 jogos pela Seleção e demonstra versatilidade tática similar: atua pelas pontas, centralizado como segundo atacante e até como meia-atacante. Na temporada 2023-24, Rodrygo registrou 17 gols e 9 assistências pelo Madrid, números que refletem sua capacidade de finalização e criação.
Gabriel Martinelli, do Arsenal, surge como alternativa pelo lado esquerdo. O atacante de 23 anos possui velocidade e capacidade de drible comparáveis a Neymar, além de melhor definição na área: converteu 23% de suas finalizações na Premier League 2023-24, contra 18% de Neymar no futebol saudita. Sua limitação está na distribuição de jogo - apenas 1,2 passes decisivos por partida, contra 2,8 de Neymar na seleção.
A solução pode estar no meio-campo
Lucas Paquetá representa uma abordagem diferente para substituir Neymar. O meio-campista do West Ham possui visão de jogo excepcional - lidera a Seleção em passes entre linhas desde 2022, com média de 4,1 por partida. Sua capacidade de chegada à área (3 gols em 12 jogos recentes) e experiência em grandes competições fazem dele candidato a assumir parte das responsabilidades criativas de Neymar.
Raphinha, do Barcelona, oferece perfil híbrido interessante. O atacante de 28 anos combina velocidade pelas pontas com capacidade de passe - registrou 10 assistências na temporada catalã de 2023-24. Sua experiência em La Liga e conhecimento tático adquirido sob comando de Xavi podem ser fundamentais para adaptar o estilo brasileiro sem Neymar.
Adaptação tática sem o camisa 10
A ausência de Neymar exigirá mudanças no sistema de Dorival Júnior. Historicamente, o Brasil utilizou Neymar em três posições: ponta-esquerda no 4-3-3 (Copa de 2018), meia-atacante no 4-2-3-1 (eliminatórias 2022) e falso 9 no 4-3-3 (jogos recentes). Sem ele, a Seleção pode adotar formação com dois meias criativos, distribuindo as responsabilidades entre Paquetá e Bruno Guimarães no meio, com Rodrygo e Raphinha nas pontas.
Os números mostram que a Seleção marcou 2,1 gols por jogo com Neymar entre 2022-2024, contra 1,6 sem ele no mesmo período. A diferença demonstra que nenhum jogador isoladamente substituirá sua produção ofensiva - a solução passa por sistema coletivo mais equilibrado, similar ao modelo da França campeã mundial em 2018, que distribuía a criação entre Griezmann, Mbappé e Pogba.
A Copa do Mundo de 2026 será disputada entre 11 de junho e 19 de julho, com o Brasil já classificado automaticamente como uma das melhores seleções sul-americanas no ranking FIFA. Dorival Júnior terá 18 meses para definir o sistema tático ideal, começando pelos jogos das eliminatórias em março de 2025 contra Colômbia e Argentina.

