O colapso defensivo que custou a classificação na Champions expôs uma realidade incômoda: o Real Madrid acumula meio-campistas sem encontrar a combinação ideal. Com oito jogadores para quatro posições no sistema 4-3-3 de Ancelotti, Florentino Pérez planeja uma reformulação que pode gerar mais de 200 milhões de euros.
Mapeamento completo do setor
O atual meio-campo madridista apresenta clara saturação. Modric (38 anos) permanece intocável por decisão técnica, enquanto Bellingham consolidou-se como peça central do projeto. Valverde mantém status de titular absoluto na ala direita da formação, completando o trio considerado inegociável.
Tchouaméni representa o maior dilema. Cotado em 80 milhões de euros pelo Transfermarkt, o francês perdeu protagonismo após atuações inconsistentes contra Manchester City e Barcelona. Sua capacidade de recuperação (4,2 desarmes por jogo) contrasta com limitações na saída de bola sob pressão alta.
Camavinga enfrenta situação similar. Apesar da versatilidade tática - atua como pivô, segundo volante ou lateral-esquerdo -, o jovem de 22 anos não conseguiu se firmar como titular absoluto. Avaliado em 70 milhões de euros, tornou-se candidato natural à negociação.
Casos específicos demandam soluções
Dani Ceballos vive momento delicado. Com contrato até 2027 e salário de 4 milhões anuais, o espanhol perdeu espaço na rotação principal. Suas 847 horas em campo na temporada representam queda de 23% em relação ao período anterior, segundo apuração do SportNavo.
Aurélien Tchouaméni manifestou desconforto com a irregularidade de minutagem.
"Preciso jogar com mais continuidade para mostrar meu melhor nível", declarou o volante em entrevista recente ao jornal L'Équipe.
Eduardo Camavinga também expressou frustração:
"Quero uma posição definida no time, não posso continuar alternando entre três funções diferentes", afirmou o meio-campista durante coletiva de imprensa.
Jovens promessas complicam equação
Arda Güler adiciona complexidade ao cenário. O turco de 20 anos disputou apenas 12 partidas como titular, mas impressionou com eficiência de 0,73 gols por 90 minutos jogados. Sua permanência depende da saída de ao menos dois meio-campistas estabelecidos.
Brahim Díaz retornou do empréstimo ao Milan em situação indefinida. O marroquino registrou 16 participações diretas em gols na Serie A, números que elevaram sua cotação para 35 milhões de euros. Ancelotti considera aproveitá-lo como opção pela direita do meio-campo.
A base madridista conta ainda com Nico Paz, emprestado ao Como. O argentino-espanhol de 20 anos soma sete gols em 19 jogos na Serie A italiana, despertando interesse de clubes como Napoli e Villarreal por valores próximos aos 25 milhões.
Reformulação define próxima era
A venda de Tchouaméni e Camavinga liberaria aproximadamente 150 milhões de euros, montante suficiente para investir em um meio-campista de elite. Nomes como Joshua Kimmich (Bayern) e Declan Rice (Arsenal) circulam internamente como alvos preferenciais.
Ceballos e Brahim Díaz completariam o pacote de saídas, gerando recursos adicionais de 50 milhões. O Real Madrid planeja manter núcleo composto por Bellingham, Valverde, Modric e Güler, além de uma contratação de impacto para 2025-26.
A próxima janela de transferências, que abre em janeiro, servirá como laboratório para as mudanças estruturais. O primeiro teste da nova configuração acontece no El Clásico de 26 de outubro, contra o Barcelona, no Santiago Bernabéu.

