O empate sem gols entre Grêmio e Operário-PR expôs uma realidade incômoda do futebol brasileiro. Renato Portaluppi foi direto ao admitir as limitações do seu plantel na coletiva pós-jogo.
"Para falar a verdade, não temos grupo para disputar três competições. Mas nosso grupo é muito bom. O desgaste é muito grande. Temos dormido dentro de avião, dentro de hotel"
A declaração do técnico gremista encontra eco em outros clubes da elite nacional. Na terceira fase da Copa do Brasil, o padrão se repetiu: escalações mistas, rodízio de titulares e sinais evidentes de fadiga acumulada.
O rodízio como estratégia obrigatória
Fernando Diniz utilizou formação alternativa na vitória do Fluminense sobre o Sampaio Corrêa por 2 a 0. Lima abriu o placar aos 33 minutos, enquanto Jhon Arias converteu pênalti aos 86 minutos. A estratégia de poupança se mostrou eficaz contra adversário tecnicamente inferior.
O Palmeiras, mesmo com time misto, sofreu mais que o esperado contra o Botafogo-SP. Abel Ferreira precisou dos 17 anos de Estêvão para garantir a vitória por 2 a 1 no último lance da partida. O jovem atacante marcou seu segundo gol pela equipe principal, confirmando sua ascensão meteórica.
"Falem do Estêvão, que não vou dizer o que penso, vou pedir à Leila para não vender este jogador. Acho mesmo que este jogador é diferente de tudo que eu já vi"
Sinais de desgaste em múltiplos sistemas
O Flamengo apresentou criação limitada na vitória magra sobre o Amazonas por 1 a 0. Pedro marcou aos 20 minutos do primeiro tempo, mas o Rubro-Negro pouco ameaçou durante os 90 minutos. O retorno de Gabigol após suspensão não alterou a dinâmica ofensiva da equipe de Tite.

Artur Jorge, técnico do Botafogo, reconheceu as dificuldades do primeiro tempo na vitória sobre o Vitória por 1 a 0. Eduardo definiu aos 65 minutos após jogada coletiva elaborada, mas o português admitiu a apatia inicial da equipe.
"Nós tivemos uma primeira parte mais apática. Acho que o jogo não foi muito feliz da nossa parte, temos que reconhecer isso. Faltou-nos mais fome, mais vontade de ser agressivos"
A gestão física como diferencial competitivo
O calendário brasileiro de 2024 impõe 72 jogos potenciais para clubes nas três competições principais. Brasileirão (38 rodadas), Copa do Brasil (até 7 fases) e Libertadores (até 13 jogos) criam sobrecarga inevitável nos plantéis.
Renato Portaluppi exemplificou o problema com dados concretos: Fábio saiu do banco por febre, enquanto a rotação de goleiros entre Marchesín e Caíque evidencia a necessidade de distribuir minutos. A posse de bola favorável ao Operário-PR (60%) demonstrou como o cansaço afeta a intensidade de marcação.
O São Paulo encontrou solução na juventude. Juan, aos 19 anos, marcou dois gols na virada sobre o Águia de Marabá por 3 a 1. A energia do jovem atacante contrastou com o desempenho irregular dos veteranos na partida disputada no Mangueirão.
Consequências táticas da fadiga acumulada
A compactação defensiva se torna menos eficiente com jogadores fatigados. O Grêmio conseguiu apenas uma finalização no alvo contra o Operário-PR, reflexo da diminuição na intensidade das transições ofensivas. A linha de pressão perde sincronismo quando os jogadores não conseguem manter o ritmo coletivo.
O Atlético-MG mostrou eficiência na vitória sobre o Sport por 2 a 0, com gols de Zaracho (29 minutos) e Guilherme Arana (58 minutos). Porém, três gols anulados e três bolas na trave indicam falta de precisão nas finalizações, sintoma comum do desgaste físico.
O próximo desafio do Grêmio será contra o Criciúma no domingo, às 16h, na Arena do Grêmio, pela quinta rodada do Brasileirão. O jogo de volta contra o Operário-PR está marcado para 22 de maio, às 19h30, quando Renato Portaluppi precisará encontrar soluções para um elenco no limite.

