Três vitórias, três viradas. O padrão que marca o início de Renato Gaúcho no comando do Vasco não é coincidência. Na vitória por 2 a 1 sobre o São Paulo, em São Januário, o técnico repetiu a receita que já havia funcionado contra Palmeiras e Fluminense: substituições cirúrgicas no intervalo que transformaram completamente a postura ofensiva da equipe.
Dos dez jogos de Renato no Vasco, quatro resultaram em vitória - e apenas uma não foi de virada. O Cruz-Maltino superou o Palmeiras por 2 a 1 após sair perdendo, repetiu o feito contra o Fluminense (2 a 1) e agora contra o São Paulo. O denominador comum está nas alterações promovidas pelo treinador, que melhoraram significativamente o volume ofensivo da equipe na segunda etapa.
As mudanças que fizeram a diferença
Contra o São Paulo, Renato promoveu duas alterações no intervalo: saíram Paulo Henrique e Tchê Tchê, entraram Puma Rodríguez e Adson. O impacto foi imediato. O Vasco registrou dez finalizações no segundo tempo, contra oito na primeira etapa, segundo dados da partida. No total, foram 18 tentativas vascaínas ante apenas oito são-paulinas.
Puma Rodríguez, que havia entrado no lugar de Paulo Henrique, foi responsável pelo gol de empate aos 24 minutos da segunda etapa. O pênalti surgiu após cobrança de escanteio, quando Calleri tocou com a mão na bola dentro da área. Na cobrança, o uruguaio converteu apesar da defesa parcial de Rafael.
"Foi um erro nosso recuar tanto. A gente jogou uma coisa totalmente [diferente] do que o treinador nos mostrou durante a semana", admitiu Calleri após a partida.
O gol da virada veio aos 42 minutos, em jogada que demonstrou a pressão constante exercida pelo Vasco após as substituições. Adson finalizou na área, a defesa são-paulina afastou mal, e Andrés Gómez aproveitou o rebote para decretar a vitória com um chute cruzado que ainda desviou em Sabino.
Padrão tático que se repete
A capacidade de reação do Vasco sob o comando de Renato Gaúcho não se limita ao jogo contra o São Paulo. Nas três viradas conquistadas, o técnico demonstrou habilidade para identificar os problemas táticos e corrigi-los com substituições precisas. Contra o Palmeiras, as mudanças também vieram no intervalo e resultaram na virada por 2 a 1. Situação similar ocorreu contra o Fluminense.
De acordo com análise do SportNavo, o padrão se baseia na entrada de jogadores com características mais ofensivas, aumentando o volume de jogo no campo de ataque adversário. As estatísticas da partida contra o São Paulo comprovam essa mudança: o Vasco teve 60% de posse de bola no primeiro tempo, mas foi na segunda etapa que converteu esse domínio em chances claras de gol.
O time carioca também se beneficiou do apoio de mais de 20 mil torcedores em São Januário, em noite de homenagens a Roberto Dinamite, que completaria 72 anos. A presença da família do ídolo e os cartazes espalhados pelas arquibancadas criaram um ambiente favorável para a reação vascaína.
Sustentabilidade da estratégia
Embora as três viradas demonstrem a competência de Renato Gaúcho para ajustes táticos, questionamentos surgem sobre a sustentabilidade dessa abordagem. O Vasco ocupa apenas a 12ª posição no Campeonato Brasileiro, com 16 pontos em 12 rodadas, evidenciando inconsistência ao longo da competição.
O São Paulo, mesmo com a derrota, mantém-se em posição superior na tabela. Com 20 pontos, a equipe de Roger Machado caiu para o 4º lugar, mas ainda está seis pontos à frente do líder Palmeiras. A pressão sobre o técnico são-paulino aumenta, especialmente com Dorival Júnior disponível no mercado.
Para o próximo compromisso, o São Paulo terá o desfalque de Alan Franco, suspenso pelo terceiro cartão amarelo. A equipe enfrenta o Mirassol no dia 25 de abril, pela 13ª rodada do Brasileirão, mas não jogará no Morumbi devido à montagem do palco para o show do The Weeknd. O Vasco, por sua vez, enfrentará o Paysandu na quarta-feira, às 21h30, no Mangueirão, pela Copa do Brasil.









