Roger Machado não mascarou a realidade após as últimas apresentações do São Paulo. Em entrevista coletiva, o técnico admitiu que o excesso de cruzamentos tem prejudicado o rendimento ofensivo da equipe e sinalizou possíveis mudanças no elenco para corrigir os problemas identificados. Com apenas 28 gols marcados em 22 jogos do Brasileirão 2026, o Tricolor ocupa a 8ª posição com 34 pontos, distante da zona de classificação para a Libertadores.
Diagnóstico tático: Os números que preocupam
A análise estatística revela o cerne do problema identificado por Roger Machado. O São Paulo registra uma média de 24 cruzamentos por partida, aproveitando apenas 18% dessas jogadas - índice inferior à média da Série A, que gira em torno de 22%. Lucas Moura lidera as estatísticas da equipe com 47 cruzamentos tentados, mas converteu apenas dois em assistências efetivas.
O meio-campo são-paulino, comandado por Alisson (3 gols e 2 assistências em 18 jogos) e Pablo Maia (1 gol em 15 partidas), tem demonstrado dificuldades na criação de jogadas pela região central. A dependência excessiva das jogadas pelas laterais, especialmente pelo lado direito com Rafinha (34 cruzamentos em 16 jogos), evidencia a carência de variações táticas no sistema ofensivo.
"O excesso de cruzamentos não é algo que desejo para minha equipe", declarou Roger Machado, reconhecendo que a estratégia tem limitado as opções de finalização. Jonathan Calleri, principal referência no ataque com 8 gols na temporada, recebe apenas 3,2 passes por jogo na área adversária, número que reflete a baixa criatividade do setor ofensivo tricolor.
Comparação com sistemas táticos eficientes
A análise do desempenho ofensivo de outros clubes da Série A expõe as deficiências do São Paulo. O Botafogo, líder do campeonato, marca em média 1,8 gol por jogo contra 1,3 do Tricolor. A diferença fundamental está na diversificação das jogadas: enquanto os cariocas alternam entre cruzamentos (32% das jogadas), passes curtos na área (28%) e finalizações de média distância (24%), o São Paulo concentra 58% de suas ações ofensivas em cruzamentos.
Times como Palmeiras e Flamengo, que ocupam posições superiores na tabela, demonstram maior equilíbrio tático. O Verdão, com Raphael Veiga comandando o meio-campo (6 gols e 4 assistências), apresenta 42% de aproveitamento em jogadas construídas pelo centro, contra apenas 26% do São Paulo. Esse dado corrobora a necessidade urgente de ajustes no esquema tático implementado por Roger Machado.
A eficiência na área adversária também preocupa. O São Paulo registra 4,1 finalizações por jogo, média inferior aos 5,8 dos líderes da competição. Michel Araújo (2 gols em 14 jogos) e Wellington Rato (3 gols em 19 partidas) precisam assumir maior protagonismo na criação de oportunidades, especialmente em jogadas de aproximação e infiltração.
Possíveis mudanças e perspectivas para o elenco
Roger Machado não descartou alterações no plantel para corrigir as deficiências identificadas. A diretoria são-paulina avalia investimentos em jogadores de meio-campo que ofereçam maior criatividade e capacidade de finalização. A janela de transferências de julho pode ser crucial para implementar as mudanças táticas desejadas pelo treinador.
O técnico também estuda modificações no sistema de jogo, testando formações com dois meias centrais para reduzir a dependência dos cruzamentos. Em treinos recentes, Rodrigo Nestor (15 jogos, 1 gol) tem sido utilizado numa posição mais avançada, buscando criar conexões diretas com Calleri e diminuir o isolamento do centroavante argentino.
A reformulação tática passa necessariamente pela valorização do jogo interior e pela criação de alternativas ao jogo aéreo, que tem se mostrado previsível e pouco eficiente contra defesas bem organizadas.
As próximas rodadas serão fundamentais para Roger Machado implementar os ajustes necessários. Com o São Paulo a sete pontos do G-6, cada partida representa uma oportunidade de correção de rumo. A torcida tricolor aguarda sinais concretos de evolução tática, especialmente em jogos contra adversários que se fecham defensivamente e tornam os cruzamentos ainda menos efetivos. A temporada 2026 ainda oferece tempo suficiente para que o Tricolor encontre seu melhor futebol, mas as mudanças precisam ser implementadas com urgência para não comprometer os objetivos da temporada.

