"Centroavante que ainda melhora depois dos 30 é exceção, não regra." A frase é do senso comum do futebol — e os dados de 2026 a colocam sob pressão severa quando se observa Tiquinho Soares, 35 anos, com 17 gols em 33 jogos pelo Mirassol.

Do outro lado da tabela do Brasileirão Série A, Vitor Roque, 21 anos, acumula 16 gols e 3 assistências pelo Palmeiras no mesmo recorte. Um gol de diferença. Quatorze anos de distância entre eles.

A comparação é cirúrgica: mesma liga, mesma posição, mesmo número de jogos. O que os separa não é o volume de gols — é o perfil físico, o sistema que cada um habita e, sobretudo, o horizonte de tempo em que cada um faz sentido.

Hoje, qual está em melhor momento

Os números brutos são quase idênticos. Mas há uma camada abaixo deles.

Dimensão Vitor Roque Tiquinho Soares
Idade 21 anos 35 anos
Clube Palmeiras Mirassol (emprestado pelo Santos)
Jogos (2026) 33 33
Gols (2026) 16 17
Assistências (2026) 3 4
Valor de mercado €38 milhões €800 mil

Tiquinho lidera em gols e assistências. São números que, para um atacante de 35 anos em um clube recém-promovido à elite, constituem uma anomalia estatística.

Seu perfil físico — 187 cm, 89 kg — sugere um pivô clássico. Ele ocupa a área, disputa bolas aéreas, fixa zagueiros. É um atacante que funciona como âncora ofensiva: a equipe organiza a transição em torno dele.

Vitor Roque opera de forma diferente. Com 174 cm e uso eficiente dos dois pés, ele atua pelas laterais do ataque, cria desequilíbrio com drible e finaliza com o pé oposto ao esperado. É um atacante de movimento, não de fixação.

No recorte de forma imediata, Tiquinho leva a melhor. Um gol a mais, uma assistência a mais, em um contexto de menor pressão institucional. Isso conta.

Em 12 meses, quem deve liderar

A análise muda de eixo aqui. O critério deixa de ser o dado atual e passa a ser a sustentabilidade da performance.

Tiquinho Soares completará 36 anos em janeiro de 2027. Sua situação contratual já é de empréstimo — está cedido pelo Santos ao Mirassol. Isso limita qualquer planejamento de médio prazo em torno do atleta.

Vitor Roque tem 21 anos e uma trajetória que já passou por Cruzeiro, Athletico Paranaense, Barcelona e Real Betis antes de chegar ao Palmeiras. Essa mobilidade indica que o jogador ainda está em processo de consolidação — o que, taticamente, é uma vantagem: ele ainda absorve sistemas.

Em 12 meses, a tendência é que Roque aumente sua participação em jogos de alta pressão pelo Palmeiras, clube com maior exigência competitiva. A curva de aprendizado de um atacante de 21 anos em um ambiente de elite tende a ser ascendente.

Tiquinho pode manter números relevantes até o fim de 2026. Mas a projeção para 2027 é incerta por fatores que vão além do campo: contrato, idade, desgaste físico acumulado.

Nos próximos 12 meses, Vitor Roque deve assumir a liderança por consistência projetada — não por superioridade atual.

Em 5 anos, quem é a aposta mais segura

Em 2031, Tiquinho Soares terá 40 anos. A resposta aqui é objetiva.

Vitor Roque terá 26 — exatamente a faixa etária em que centroavantes atingem o pico de maturidade tática combinada com capacidade física plena. É o intervalo entre 24 e 28 anos que a literatura de ciências do esporte identifica como o ápice de desempenho para atacantes de movimentação.

Seu valor de mercado atual de €38 milhões reflete essa expectativa. A diferença em relação aos €800 mil de Tiquinho não é apenas financeira — é uma leitura do mercado sobre potencial futuro.

A carreira de Tiquinho, com passagens por Porto, Olympiakos e Botafogo, já entregou o que tinha a entregar em alto nível. O título da Copa Libertadores de 2024 e o Campeonato Brasileiro do mesmo ano com o Botafogo são o ápice documentado de sua trajetória.

Roque ainda não tem um título continental. Mas tem idade, valor de mercado e perfil técnico para construir essa história.

Em cinco anos, a aposta é Vitor Roque — sem ambiguidade.

O que isso significa para o leitor

A comparação foi registrada com dados da temporada 2026, conforme levantado pelo SportNavo, e o que ela revela é uma sobreposição rara: dois atacantes em momentos opostos da carreira produzindo volumes de gol quase idênticos no mesmo campeonato.

Tiquinho Soares vence o presente. Um gol a mais, uma assistência a mais, em um clube que depende dele como referência central. Sua eficiência atual é real e não deve ser minimizada por conta da idade.

Mas Vitor Roque vence todos os outros horizontes. O médio prazo, o longo prazo e o custo de oportunidade de qualquer investimento.

A escolha depende do que se está comprando. Se o critério é o Brasileirão 2026, semana a semana, Tiquinho entrega mais agora. Se o critério é construir um projeto de ataque para os próximos anos, Roque é a única resposta racional.

É a diferença entre uma composição já gravada — perfeita, acabada, sem margem para nova interpretação — e uma partitura ainda sendo escrita, com compassos em aberto que prometem mais do que qualquer versão já executada.