Não foi a falta de talento que impediu o Vasco de vencer em Assunção nesta quarta-feira, 20 de maio — foi, talvez, a brutalidade de exigir maturidade de quem ainda está construindo a própria história. Com sete jogadores sub-20 relacionados para o duelo contra o Olimpia no estádio Defensores del Chaco, o Cruzmaltino ficou no empate por 1 a 1 pela 5ª rodada do Grupo G da Copa Sul-Americana 2026, resultado que mantém a equipe na liderança da chave, mas deixa a classificação em aberto para a rodada final.
A escolha de Renato e os sete nomes da base
A delegação que embarcou para o Paraguai carregava algo incomum para um jogo decisivo em competição continental: Bruno André, Bruno Lopes, Zuccarello, Samuel, Alison, Andrey Fernandes e Gustavo Guimarães foram todos convocados do sub-20. Avellar e Ramon Rique, que já vinham treinando com o grupo principal nas últimas semanas, também integraram o elenco. A decisão de Renato Gaúcho não foi improvisação — foi leitura de calendário. Com o Brasileirão como prioridade declarada da temporada 2026, o técnico gaúcho optou por preservar parte do time titular, repetindo uma lógica que clubes europeus adotam há décadas na gestão de elenco durante sequências congestionadas.
Basta lembrar o que o Barcelona fazia no início dos anos 2000, quando Frank Rijkaard escalava jovens do B em jogos de Copa del Rey para poupar titulares para a Liga — uma prática que, àquela época, ainda soava como heresia para torcidas latinas acostumadas ao futebol de máxima intensidade em todos os fronts. No futebol brasileiro de 2026, a lógica finalmente chegou, ainda que de forma tímida.
Carlos Cuesta abre, Matteo Gamarra empata e Marino desperdiça o jogo
Em campo, o roteiro foi de altos e baixos. Aos 48 minutos do primeiro tempo, Nuno cobrou escanteio na entrada da pequena área e Carlos Cuesta cabeceou com liberdade para abrir o placar para o Vasco — um gol que chegou no momento mais improvável, quase no apito do intervalo, e que animou a torcida cruzmaltina conectada pelo Paramount+. A vantagem, porém, durou pouco mais de vinte minutos da segunda etapa: aos 21 minutos, Mateo Gamarra ganhou a disputa pelo alto de Lucas Freitas após escanteio de Quintana e empatou para os paraguaios.
O momento mais comentado da partida, no entanto, foi um gol que não saiu. Aos 39 minutos do primeiro tempo, TchêTchê recebeu na meia-lua, tentou o passe, a bola desviou e chegou limpa para Marino Hinestroza — o colombiano, livre dentro da área, cara a cara com o goleiro Olveira, finalizou de primeira e mandou para fora. Nas redes sociais, a reação dos torcedores foi imediata e contundente, com comentários afirmando que o jogador "não se ajuda" em lances que podem decidir partidas desta magnitude. Segundo apuração do SportNavo, o lance foi amplamente compartilhado e tornou-se o principal assunto entre torcedores vascaínos durante a partida.

"Não se ajuda", escreveram torcedores do Vasco nas redes sociais após Marino Hinestroza desperdiçar chance cara a cara com o goleiro aos 39 minutos do primeiro tempo.
O que o empate significa para o Grupo G e o risco dos playoffs
Antes da rodada, Vasco e Olimpia chegavam ao confronto empatados com sete pontos cada — mas o Cruzmaltino liderava o Grupo G pelo critério do confronto direto, primeiro desempate da competição. O empate em 1 a 1 no Defensores del Chaco mantém essa situação delicada: o Vasco segue à frente, mas não garantiu a classificação direta às oitavas de final. Uma vitória teria carimbado o primeiro lugar com uma rodada de antecipação.
O risco concreto de terminar na segunda colocação é significativo: os vice-líderes de grupo enfrentarão, em confrontos de ida e volta, os terceiros colocados da Copa Libertadores nos playoffs — dois jogos a mais no calendário, contra adversários que chegam tecnicamente superiores. Para um clube que declarou o Brasileirão como prioridade máxima, cada partida extra tem peso dobrado. A Conmebol definiu que os confrontos dos playoffs ocorrerão nas duas últimas semanas de julho, com as oitavas entre os dias 11 e 20 de agosto.
A última rodada do Grupo G será o termômetro final. O Vasco volta a campo com a obrigação de fechar a fase classificatória na liderança para evitar o caminho mais longo — e, desta vez, Renato Gaúcho deverá ter espaço para escalar um time mais próximo do seu melhor. A partida decisiva está marcada e o clube chega a ela sabendo que o empate de Assunção foi suficiente para manter o controle do próprio destino, mas não para encerrar a conversa.








