Se a janela de transferências fechasse hoje e você precisasse assinar com um centroavante do Brasileirão Série A 2026, a escolha entre Vitor Roque e Alerrandro seria mais difícil do que os números de superfície sugerem. A resposta, porém, existe — e ela depende de qual pergunta você está fazendo.
Roque tem 21 anos, vale €38 milhões e acumula 16 gols em 33 jogos pelo Palmeiras. Alerrandro tem 26 anos, está avaliado em €3 milhões e marca 15 gols em 34 jogos pelo Internacional. A diferença de um gol e de €35 milhões separa dois perfis táticos completamente distintos. Vamos dissecar.
Se você fosse comprar um, qual escolheria
A pergunta real não é quem marca mais — é o que você está comprando além do gol.
A tabela abaixo coloca os dados lado a lado sem filtro:
| Dimensão | Vitor Roque | Alerrandro |
|---|---|---|
| Idade | 21 anos | 26 anos |
| Jogos (2026) | 33 | 34 |
| Gols (2026) | 16 | 15 |
| Assistências (2026) | 3 | 4 |
| Altura | 174 cm | 180 cm |
| Valor de mercado | €38,0 milhões | €3,0 milhões |
O primeiro dado que salta: a diferença de produção é marginal. Um gol a mais para Roque, uma assistência a mais para Alerrandro. Em 33 e 34 jogos respectivamente, a taxa de participação direta em gols é quase equivalente — 19 contribuições para Roque, 19 para Alerrandro.
O que diverge estruturalmente é o perfil físico e o histórico de passagens. Roque, com 174 cm, atua pelas laterais do campo e usa os dois pés como ferramenta de imprevisibilidade — um atacante que cria ângulos de finalização onde o defensor não espera. Alerrandro, com 180 cm, opera com mais presença física na área, o que se reflete nas 4 assistências: um pivô que também distribui.
Produção idêntica, custo radicalmente diferente. Antes de qualquer análise tática, esse desequilíbrio financeiro já estrutura a decisão.
Quem entrega mais agora
Em forma pura de temporada, Roque leva por margem mínima — mas o contexto importa.
Roque está em seu melhor momento desde que retornou ao Brasil. Após passagens pelo Barcelona e Real Betis que não consolidaram sua posição na Europa, ele encontrou no Palmeiras um sistema que o libera para atuar pelas beiradas e finalizar com ambos os pés. A conversão de 16 gols em 33 jogos, para um atacante de 21 anos, é tecnicamente robusta.
Alerrandro, por sua vez, chegou ao Internacional por empréstimo do CSKA Moscou e produziu de forma consistente: 15 gols e 4 assistências em 34 jogos. O número de assistências indica que ele não é apenas referência de área — ele participa da construção ofensiva. Para um atacante emprestado, adaptar-se ao ritmo do Brasileirão e manter essa produção é um dado relevante.
- Taxa de gols por jogo: Roque marca a cada 2,06 jogos; Alerrandro a cada 2,27 jogos.
- Participação direta em gols: ambos chegam a 19 contribuições na temporada.
- Assistências: Alerrandro supera Roque nessa dimensão (4 vs 3), o que aponta para maior envolvimento no jogo coletivo.
Em termos de forma imediata, Roque tem leve vantagem na finalização. Alerrandro compensa com maior participação associativa. Nenhum dos dois está em má fase — e esse equilíbrio é o que torna a comparação analiticamente interessante.
Quem chega mais longe nos próximos 5 anos
Aqui a resposta é menos ambígua: a curva de desenvolvimento de Roque ainda não atingiu o teto.
Roque tem 21 anos e uma trajetória que já inclui Barcelona e Real Betis — experiência europeia que poucos atacantes brasileiros acumulam antes dos 22. O retorno ao Brasil, ao Palmeiras, parece funcionar como uma fase de consolidação técnica. Com a capacidade de usar os dois pés e atuar em múltiplas posições no setor ofensivo, ele tem o perfil que times europeus de alto nível buscam em janelas futuras.

Alerrandro tem 26 anos. Isso não é uma sentença — atacantes frequentemente atingem o pico entre 26 e 29 anos. Mas o horizonte de valorização de mercado é mais curto. Seu valor atual de €3 milhões, mesmo que suba com uma temporada consistente, dificilmente alcança o patamar de Roque nos próximos anos.
A questão tática para os próximos cinco anos:
- Roque, se mantiver a evolução, tem potencial para retornar à Europa em condições melhores do que quando saiu.
- Alerrandro, com 26 anos e passagem pela Premier League Russa, está em um estágio de carreira onde consistência vale mais do que projeção.
- O perfil de Roque — bilateral, móvel, capaz de atuar pelas laterais — se encaixa em sistemas de pressão alta e transição ofensiva rápida, que é a tendência dominante no futebol europeu contemporâneo.
Para um clube que pensa em 2028 ou 2029, Roque é o ativo com maior margem de crescimento — tanto técnico quanto financeiro.
O voto final, com os critérios na mesa
A decisão depende do horizonte temporal do comprador — mas há uma resposta clara para cada cenário.
Se o critério é custo-benefício imediato, Alerrandro é a escolha racional. Por €3 milhões, você adquire um atacante que produz 15 gols e 4 assistências em 34 jogos — números que justificariam um investimento cinco vezes maior no mercado brasileiro. A relação entre o que ele entrega e o que custa é desproporcional a seu favor.
Se o critério é potencial de valorização e encaixe tático em sistemas modernos, Roque é o ativo correto. A €38 milhões, o preço já embute a projeção — mas um atacante bilateral de 21 anos com experiência europeia e 16 gols no Brasileirão não está sendo superestimado. Está sendo precificado pelo que pode se tornar.
Meu voto, com os dados na mesa: para um clube que precisa ganhar agora com orçamento controlado, Alerrandro é a compra mais inteligente do Brasileirão 2026. Para um clube que pensa em construir um ativo de longo prazo e tem capital para investir, Roque é a aposta com maior retorno projetado. A diferença de €35 milhões entre os dois compra muito contexto — e é exatamente esse contexto que define qual é o seu negócio.
Se a janela de transferências fechasse amanhã e você precisasse assinar com um centroavante do Brasileirão Série A 2026, a escolha entre Roque e Alerrandro seria mais clara do que os números de superfície sugerem.










