Seis jogos. Quase um mês sem balançar as redes. O último gol de Yuri Alberto foi no dia 9 de abril, contra o Platense, na vitória por 2 a 0 pela Libertadores. Desde então, o centroavante do Corinthians atravessa o jejum mais longo do ano — e a discussão sobre seu rendimento voltou com força depois da vitória por 2 a 0 sobre o Peñarol, nesta quinta-feira, na Neo Química Arena, resultado que manteve o Timão com campanha de 100% na fase de grupos do torneio continental.

O argumento contra Yuri e o que os números dizem

A crítica mais recorrente ao atacante é simples: centroavante que não faz gol não serve ao time. É um argumento que tem lógica aparente, mas ignora o contexto corintiano. O Corinthians marcou seis gols na Libertadores em três jogos e não sofreu nenhum. Lidera o Grupo E com nove pontos, seguido pelo Platense, enquanto Peñarol e Independiente Santa Fe somam apenas um ponto cada. Atribuir uma eventual fragilidade ofensiva ao jejum de Yuri Alberto, num cenário em que o time está invicto há sete partidas em todas as competições, exige mais do que intuição — exige dado.

Contra o Peñarol, o camisa 9 não finalizou, mas participou diretamente da construção do terceiro gol que não saiu. Aos 20 minutos do segundo tempo, Yuri ajeitou a bola após passe de letra de Raniele para Rodrigo Garro, que desperdiçou de maneira inacreditável. A análise do SportNavo sobre os últimos seis jogos sem gol do atacante mostra que ele seguiu ativo na articulação de pivô, um papel funcional que libera espaços para Garro e Lingard operarem entre linhas.

A defesa de Diniz tem base técnica

Fernando Diniz foi além do elogio emocional na coletiva pós-jogo. O técnico conectou o desempenho de Yuri Alberto ao sistema defensivo que sustenta a invencibilidade corintiana — e esse ponto merece atenção analítica.

"Acho que já falei sobre isso outras vezes, o trabalho defensivo começa com o Garro, com Yuri e, às vezes, está começando e terminando com os dois, e isso que está fazendo com que o time jogue com uma maneira segura", afirmou Diniz.

Gustavo Henrique reforçou esse dado na entrevista após o jogo: o Corinthians acumula sete partidas sem sofrer gol, somando Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores. Manter esse nível de solidez defensiva em três competições simultâneas não é coincidência — e o técnico atribui parte dessa organização à pressão alta iniciada pelo próprio Yuri Alberto no campo de ataque.

"Ele é um cara que não fez gols, mas estamos ganhando jogos. E uma das coisas mais importantes é porque ele está no time. Ele não desiste, ele trabalha, é solidário, é corajoso", disse Diniz, que revelou ainda ter enviado mensagens de apoio ao atacante ao treinador de goleiros Marcelo Carpes mesmo antes de assumir o comando do clube.

O que o jejum revela de fato

Yuri Alberto terminou a temporada passada como artilheiro do Corinthians, com 21 gols em 2023 — o melhor número de sua carreira até aquele momento. Em 2024, o rendimento caiu, e o debate sobre sua titularidade se tornou recorrente na torcida. O jejum atual de seis jogos ressuscita esse questionamento, mas o contexto de 2025 é diferente: o sistema de Diniz não exige do centroavante a mesma função de finalizador isolado que outros treinadores impuseram.

Jesse Lingard, por exemplo, marcou seu segundo gol em nove jogos pelo Corinthians justamente numa jogada em que Yuri foi o iniciador da troca de passes no campo ofensivo. O inglês recuperou a bola, viu o camisa 9 avançar, recebeu o passe de volta e finalizou para ampliar o placar para 2 a 0. O gol saiu da combinação — não da ação individual. Num esquema assim, avaliar um centroavante exclusivamente pela contagem de gols é método inadequado.

O que Diniz precisa resolver antes das oitavas

A ressalva de Diniz após a vitória sobre o Peñarol foi precisa: o primeiro tempo foi o melhor desde sua chegada ao clube, mas o segundo tempo trouxe acomodação. O técnico apontou que o time "poderia ter acelerado mais" e buscado o terceiro e o quarto gol após o intervalo. Esse controle de ritmo pode ser compreensível num calendário apertado — o Corinthians enfrenta o Mirassol fora de casa no domingo, às 20h30, e depois viaja para um jogo na altitude —, mas não pode virar hábito nas fases eliminatórias.

A pergunta concreta que fica sobre Yuri Alberto é outra: o atacante conseguirá retomar o papel de finalizador quando o Corinthians enfrentar adversários que pressionem alto e neguem os espaços de pivô? Nas oitavas da Libertadores, esse será o teste real. Por ora, o Timão lidera o grupo com seis gols marcados, zero sofridos e campanha perfeita em três rodadas — e o centroavante segue titular.