Quinta-feira, compartimento de carga de um ônibus em Nova Iguaçu. Foi ali, na Baixada Fluminense, que agentes da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM) da Polícia Civil do Rio de Janeiro encontraram aproximadamente 200 mil figurinhas falsificadas do álbum oficial da Copa do Mundo 2026 — o maior volume de cromos piratas interceptado no estado desde o início das operações de combate à pirataria neste ciclo do Mundial.
O que estava escondido no ônibus de Nova Iguaçu
A operação foi cirúrgica. Os policiais da DRCPIM identificaram o veículo e realizaram a abordagem antes que a carga chegasse ao destino final de distribuição. Junto com as 200 mil figurinhas, os agentes também apreenderam milhares de camisas e bonés da seleção brasileira produzidos ilegalmente — produtos que imitam o uniforme oficial da Seleção sem qualquer licença da CBF ou da Fifa.
O volume impressiona. Para ter referência: um álbum completo da Copa do Mundo 2026 exige cerca de 640 figurinhas distintas. O lote apreendido seria suficiente para montar mais de 312 álbuns inteiros — ou, mais provavelmente, para abastecer centenas de pontos de venda informais espalhados por comunidades do estado.
"O material será submetido à perícia e, posteriormente, inutilizado e retirado de circulação", informou a Polícia Civil do Rio de Janeiro em nota oficial sobre a apreensão.
A destruição do material, no entanto, não encerra o caso. Os investigadores pretendem dar continuidade às diligências para identificar e responsabilizar os envolvidos na produção e na logística de distribuição dos produtos falsificados.
A cadeia da pirataria em ano de Copa do Mundo
Anos de Copa do Mundo criam uma demanda extraordinária por produtos licenciados — e, junto com ela, um mercado paralelo que opera com margens de lucro altíssimas. Uma figurinha original do álbum Panini custa, em média, R$ 0,90 no varejo autorizado. As falsificadas chegam a ser vendidas por valores ainda menores, atraindo consumidores que desconhecem a irregularidade do produto.
O problema tem escala nacional. Em edições anteriores da Copa, a Receita Federal e as polícias estaduais registraram aumento de até 300% nas apreensões de produtos falsificados nos seis meses que antecedem o torneio — padrão que se repete em 2026 com o Brasil como sede, o que amplifica ainda mais o apelo comercial dos itens piratas.
Camisas falsas da seleção, especificamente, representam um dos segmentos mais lucrativos da pirataria esportiva. O uniforme oficial da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo 2026 é vendido por valores que superam R$ 350 na versão jogador. A versão falsificada circula por R$ 60 a R$ 90 — diferença que alimenta toda uma cadeia de produção ilegal.
"As investigações prosseguirão para identificar os responsáveis pela produção e distribuição dos itens falsificados", reforçou a DRCPIM, sinalizando que a apreensão em Nova Iguaçu é apenas um elo de uma operação mais ampla.
Como identificar figurinhas e camisas falsas antes de comprar
A perícia técnica aplicada ao material apreendido vai detalhar as diferenças entre os cromos originais e os falsificados — dados que, quando divulgados, servem de guia para consumidores e comerciantes. Mas há sinais visíveis que qualquer pessoa pode observar antes de fechar uma compra.
Nas figurinhas, os principais indicadores de falsificação são: papel com gramatura inferior ao original, cores desbotadas ou com saturação exagerada, ausência do selo holográfico da Panini no verso do envelope e impressão com bordas irregulares. Nos envelopes originais da Copa do Mundo 2026, a Panini aplica um verniz localizado que não aparece nas versões piratas.
- Verifique o selo holográfico nos envelopes de figurinhas
- Cheque a etiqueta com QR Code oficial nas camisas da seleção
- Desconfie de preços muito abaixo do mercado autorizado
- Compre apenas em lojas credenciadas pela CBF e pela Panini
- Denúncias podem ser feitas pelo Disque-Denúncia (21) 2253-1177 no Rio de Janeiro
A DRCPIM opera com uma equipe especializada que monitora não apenas o comércio físico, mas também plataformas digitais onde a venda de produtos falsificados cresceu significativamente desde 2022. Grupos em aplicativos de mensagens e perfis em redes sociais estão no radar das investigações em curso.
A perícia nas 200 mil figurinhas apreendidas em Nova Iguaçu deve ser concluída nas próximas semanas — prazo após o qual o material será inutilizado definitivamente, conforme determina a legislação brasileira de combate a crimes contra a propriedade imaterial.









