O Allianz Parque sacudiu quando a bola cruzou a linha. No banco do Palmeiras, em novembro de 2021, Alan Empereur era titular de uma equipe que conquistava sua segunda Copa Libertadores da América consecutiva. Hoje, aos 32 anos, ele defende o Cuiabá na Brasileirão Série A com a camisa 33 e uma bagagem que poucos zagueiros no campeonato conseguem apresentar.

Onde ele pode estar em 2027

Com contrato vigente no Cuiabá e desempenho consistente em 2026 — 33 jogos, 1 gol e 1 assistência na temporada atual —, Alan Empereur se posiciona como um dos zagueiros mais experientes disponíveis no mercado doméstico para a próxima janela de transferências. A combinação de titularidade absoluta no clube mato-grossense e o currículo internacional abre ao menos dois cenários realistas para os próximos 12 meses.

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O primeiro cenário é a renovação com o Cuiabá, clube que ele já conhece desde 2022 e pelo qual acumulou três títulos do Campeonato Mato-Grossense (2022, 2023 e 2024). O segundo envolve uma saída para um clube de maior expressão na Série A, dado que zagueiros com passagem por Libertadores e Copa do Brasil raramente ficam disponíveis sem interesse externo. Aos 32 anos, Empereur ainda tem fisicamente entre dois e três anos de alto rendimento — janela suficiente para um contrato relevante.

O que precisa acontecer até lá

Para que qualquer dessas hipóteses se concretize, o zagueiro precisa manter o nível apresentado em 2026. Com 33 jogos disputados na temporada atual, ele já superou a marca de participação direta em gols (2 contribuições entre gol e assistência) registrada por zagueiros titulares de pelo menos seis outros clubes da Série A no mesmo período — dado que evidencia não apenas solidez defensiva, mas capacidade de influenciar o jogo ofensivamente.

O Cuiabá, por sua vez, precisa sustentar a permanência na elite. Em temporadas anteriores, o clube oscilou entre a luta contra o rebaixamento e posições medianas. A continuidade de Empereur no elenco é parte direta dessa equação: zagueiros com seu perfil de liderança e leitura de jogo tendem a ser âncoras em esquemas que exigem linha defensiva alta.

O que já aconteceu na trajetória

Alan Pereira Empereur nasceu em Ipatinga, Minas Gerais, em 10 de março de 1994, mas construiu o início de carreira na Itália. Pelo Foggia, conquistou a Lega Pro no Grupo C em 2016-17 e a Supercoppa Lega Pro em 2017 — dois títulos que moldaram sua formação tática no futebol europeu antes do retorno ao Brasil.

O ponto de virada da carreira veio com o Palmeiras. No clube paulista, Empereur integrou o elenco que ergueu a Copa Libertadores da América em 2020 e repetiu o feito em 2021 — sequência inédita para o futebol brasileiro em mais de duas décadas. No mesmo ciclo, o clube conquistou a Copa do Brasil de 2020. Três títulos em dois anos em um dos maiores clubes do país.

A mudança para o Cuiabá, clube que disputava sua consolidação na Série A, representou uma escolha por protagonismo. Diferente do papel de reserva qualificado que poderia exercer em grandes centros, Empereur assumiu a titularidade em Mato Grosso e respondeu com regularidade: três Campeonatos Mato-Grossenses consecutivos (2022, 2023 e 2024) atestam a influência direta no clube.

Os obstáculos no caminho

A idade é o fator mais objetivo. Aos 32 anos, Empereur entra na fase em que clubes de médio e grande porte do Brasil tendem a optar por zagueiros mais jovens para investimentos de longo prazo. O mercado nacional raramente paga luvas expressivas a defensores nessa faixa etária, e contratos tendem a ser curtos — geralmente de um a dois anos —, o que reduz a segurança financeira e aumenta a pressão por desempenho contínuo.

A dupla nacionalidade ítalo-brasileira, que poderia abrir portas para um retorno à Europa, esbarra na realidade do futebol italiano: a Serie B e a Serie C absorvem perfis como o seu, mas raramente com condições financeiras superiores ao que o Cuiabá oferece na Série A brasileira. A janela europeia, portanto, parece mais simbólica do que concreta neste momento.

Há ainda a questão do clube. O Cuiabá opera com orçamento limitado em comparação aos grandes do Brasileirão, o que restringe a visibilidade midiática de Empereur. Zagueiros de clubes menores raramente aparecem nos radares de seleção ou em transferências de alto valor — independentemente do nível de desempenho.

Alan Empereur (Cuiabá)
Alan Empereur (Cuiabá)

É o mesmo cenário que Digão viveu no Cuiabá em 2022 — só que agora a aposta é de um jogador com dois títulos da Libertadores no currículo e 33 jogos de temporada provando que a conta ainda não fechou.