30 jogos. É esse o número que coloca Ademir no centro de qualquer análise honesta sobre o ataque do Bahia no Brasileirão Série A de 2026. Não é um número que encanta à primeira vista — mas é o número de um jogador que está em campo toda rodada, carregando a camisa 7 e acumulando função tática sem que o holofote sempre acompanhe.

Sob a lente do treinador

Para quem monta escalação, Ademir é um atacante de 172 cm e 31 anos que oferece mobilidade e capacidade de articulação. Nas 30 partidas desta temporada, ele registrou 3 gols e 4 assistências — sete participações diretas em gols, o que representa uma contribuição a cada 4,3 jogos.

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Esse dado interessa ao treinador porque indica consistência de presença, não apenas flashes de brilho. Um atacante que aparece na planilha de ações ofensivas em praticamente um terço das partidas com participação direta é jogador que entra no plano de jogo, não apenas no banco de opções.

O perfil físico — 172 cm — aponta para um atacante que não vive de duelo aéreo. Seu valor está na movimentação entre linhas, na velocidade de decisão e na capacidade de criar espaço para companheiros, o que explica o número de assistências (4) ser proporcionalmente relevante frente ao de gols (3).

Sob a lente do torcedor

Salvador tem um ritmo próprio — a cidade que vive no compasso do axé e do futebol de quinta-feira na Fonte Nova não perdoa atacante que some nos momentos decisivos. A torcida do Bahia cobra presença e protagonismo, e Ademir, com a camisa 7 nas costas, carrega o peso simbólico de uma numeração historicamente associada a pontas decisivos.

Nascido em 16 de fevereiro de 1995, o atacante chegou aos 31 anos ainda dentro do ciclo produtivo de um jogador de linha. Para o torcedor, o que importa é simples: a camisa 7 aparece quando o jogo aperta? Os 30 jogos nesta temporada dizem que sim — ele está em campo. A questão que a arquibancada ainda debate é se três gols em 30 partidas é o teto ou um patamar que pode crescer.

A resposta depende de contexto tático, de sequência e de confiança — três variáveis que o próprio calendário do Brasileirão vai testar nas próximas rodadas.

Sob a lente da planilha de dados

Os números desta temporada são claros: 30 jogos, 3 gols, 4 assistências. Isso coloca Ademir em uma taxa de participação ofensiva de 0,23 gols por jogo e 0,13 assistências por jogo — médias que o posicionam como um atacante de suporte, não de artilharia pura.

Para efeito de comparação, um atacante titular de alto rendimento no Brasileirão costuma operar acima de 0,40 gols por jogo. Ademir está abaixo desse patamar, o que não o desqualifica — mas define seu papel: ele é um jogador de sistema, não um centroavante de referência.

A relação entre gols e assistências (3 e 4, respectivamente) reforça o perfil de atacante que distribui tanto quanto finaliza. Em contextos táticos que pedem movimentação e criação, esse equilíbrio tem valor. Em sistemas que exigem gol do camisa 7, o número precisa crescer no segundo semestre.

Não há dados de carreira consolidados disponíveis para construir uma linha histórica de evolução estatística, o que impede comparações temporada a temporada. O que existe é o retrato de 2026: um atacante presente, participativo e ainda abaixo do potencial máximo de finalização.

Sob a lente do mercado

Atacantes de 31 anos no Brasileirão operam em uma janela específica do mercado. Não são mais ativos de valorização — são ativos de uso imediato. O valor de mercado de um jogador nessa faixa etária, com esse volume de participações mas sem artilharia expressiva, tende a se manter estável ou cair dependendo do desempenho no segundo semestre.

No mercado brasileiro, atacantes com perfil de criação e mobilidade — sem ser centroavante clássico — têm demanda em clubes de Série A que jogam em sistemas de pressão alta. O Bahia, que opera em competições nacionais com estrutura financeira em crescimento após o investimento do grupo City Football, tem condições de manter contratos desse perfil sem pressão imediata de venda.

Para Ademir, os próximos 12 meses são uma janela de definição. Se o segundo semestre de 2026 trouxer crescimento na taxa de gols — chegando a 6 ou 7 no total da temporada —, o atacante consolida sua posição no elenco e abre espaço para renovação contratual em condições favoráveis. Se a produção estagnar nos 3 gols atuais, o clube pode optar por não renovar e buscar perfil diferente para 2027.

Não há informações públicas disponíveis sobre o valor atual do contrato ou cláusulas específicas. O que o mercado lê, por ora, é o que a planilha mostra: um atacante de 31 anos, 30 jogos, 7 participações diretas em gols e uma camisa 7 que ainda não disse tudo o que tem a dizer.

No vestiário da Arena Fonte Nova, depois de mais uma rodada, Ademir ajusta as chuteiras e olha para o número no ombro da camisa. Sete. O número que exige mais do que presença.