— Cara, o Vasco vai contratar mais alguém na janela?
— Vai, mas tem um problema: já tem nove gringos no elenco.
— E daí?
— Daí que nove é o máximo que a CBF permite. Pra entrar um, tem que sair um.
Essa conversa acontece nos bares próximos a São Januário toda semana. E ela resume, com precisão brutal, o nó que o Vasco terá de desatar antes que a janela de transferências abra — no dia seguinte ao encerramento da Copa do Mundo. O clube chegou ao limite regulatório de estrangeiros com a chegada do colombiano Johan Rojas, que elevou o plantel a nove jogadores nascidos fora do Brasil. Esse é o teto imposto pela CBF para lista de relacionados por partida. Não existe espaço para um décimo gringo enquanto algum dos nove atuais permanecer no elenco.
O mapa dos 10 jogadores presos no Vasco pelo Brasileirão
A regra dos estrangeiros é apenas metade do problema. A outra metade envolve dez atletas que já ultrapassaram o limite de 12 partidas pela Série A em 2026 — e, portanto, não podem mais assinar com outro clube do Brasileirão nesta temporada. São eles: Léo Jardim, Robert Renan, Andrés Gómez, Thiago Mendes, Barros, David, Rojas, Nuno Moreira, Brenner e Lucas Piton. A CBF alterou as regras neste ano, quando o torneio passou a começar em janeiro: o jogador que disputar 13 ou mais partidas fica vinculado ao clube para toda a competição. Quem fizer a 13ª aparição, perde a janela.
O caso de Tchê Tchê é o mais delicado do momento. Se entrar em campo no domingo contra o Atlético-MG, em São Januário, ele também cruza essa linha e passa a integrar o grupo dos intransferíveis. Renato Gaúcho, portanto, carrega nas mãos uma decisão com consequência direta no mercado — não apenas tática.
Quem ainda está dentro do limite oferece algum alívio. Paulo Henrique, Puma Rodríguez, Spinelli e Hugo Moura têm 11 partidas cada e encerram a primeira fase do calendário abaixo do corte. Marino Hinestroza, com apenas oito jogos, é o nome com maior liquidez potencial: o colombiano ainda não se firmou, mas tem mercado tanto no Brasil quanto no exterior, segundo apuração do ge.

Contratos expirando em dezembro e o risco de perder jogadores de graça
Há um terceiro vetor de pressão sobre o planejamento vascaíno: seis atletas têm contrato encerrando em dezembro de 2026. O goleiro Léo Jardim é o principal nome da lista, e as conversas de renovação já estão em curso. Os outros cinco são Puma Rodríguez, Alex Teixeira, Maurício Lemos, Jair e Paulinho. Como informa o portal O São Gonçalo em matéria do SportNavo, a partir de 1º de julho esses jogadores podem assinar pré-contrato com qualquer clube — sem que o Vasco receba um centavo.
Puma Rodríguez é o caso mais sensível dessa lista. O lateral uruguaio tem conversas avançadas pela renovação, foi convocado por Marcelo Bielsa para as Eliminatórias e é peça regular de Renato Gaúcho. O clube quer sua permanência, mas o jogador aguarda ajustes nos valores e clareza no planejamento esportivo. Alex Teixeira, na ponta oposta, praticamente não tem futuro em São Januário: retornou no meio do ano passado a pedido de Philippe Coutinho, não se destacou e não deve renovar.
Quem não tem cão caça com gato — e o Vasco, sem poder contratar estrangeiros enquanto não liberar vagas, precisará ser criativo. A diretoria já identificou dois argentinos negociáveis: Sforza e Garré estão na lista de saídas, com contratos vigentes, e o clube tenta transformar as transferências em receita. Maxime Domínguez, o suíço retornado de empréstimo do Toronto FC, está em avaliação e pode sair mediante proposta. Essas três saídas potenciais são a chave para que o Vasco possa registrar o uruguaio Alan Saldivia, alvo em negociação com o Colo-Colo.
O que falta resolver antes que a janela abra de fato
A equação é clara: para contratar Saldivia — ou qualquer outro estrangeiro —, o Vasco precisa reduzir o plantel de nove para no máximo oito gringos. As saídas de Sforza e Garré resolveriam o problema numericamente, mas dependem de propostas concretas do exterior, onde ambos já receberam sondagens. Enquanto isso não se concretiza, a diretoria está de mãos atadas na ponta das chegadas.
Há também a questão dos dez jogadores presos no Brasileirão. Eles não podem ir para outro clube da Série A, mas podem ser negociados para o exterior ou para a Série B — o que abre uma janela de movimentação que o clube pode explorar para reduzir folha ou gerar caixa. Brenner, por exemplo, tem mercado internacional e seu nome pode render uma transferência relevante.
O Vasco joga no domingo contra o Atlético-MG, às 16h, em São Januário — último compromisso antes da pausa. A partir daí, o relógio corre em duas direções: renovar quem vence em dezembro e liberar vagas para quem precisa chegar. Nove estrangeiros, dez presos e seis contratos expirando. Esse é o mapa que a diretoria tem pela frente.










