Onze duelos. Onze classificações. Quando a Alemanha entrou em campo contra o Equador na última rodada do Grupo E e saiu derrotada por 2 a 1, de virada, o resultado pareceu um alarme. Mas o dado que verdadeiramente define a magnitude do confronto desta segunda-feira, 29 de junho, no Gillette Stadium, em Boston, é anterior àquela noite: em toda a história da Copa do Mundo, a seleção alemã jamais foi eliminada por uma equipe sul-americana em partida de mata-mata — exceto em finais. O Paraguai, terceiro colocado do Grupo D com 4 pontos, chega a este jogo carregando exatamente esse desafio histórico.

O que os números alemães em eliminatórias contra a América do Sul realmente dizem

O registro alemão contra sul-americanos em fases eliminatórias de Mundiais é construído ao longo de décadas. A Argentina foi derrotada nas oitavas de 2010 por 4 a 0, com dois gols de Thomas Müller, e nas quartas de 2006 nos pênaltis. O Uruguai caiu nas semis de 2010 por 3 a 2. O Equador, ironia do calendário, acaba de vencer a Alemanha na fase de grupos — mas essa derrota não quebra o tabu, pois grupos não são mata-mata. Em eliminatórias propriamente ditas, o único tropeço alemão veio em finais: a derrota para a Argentina em 1986, em Puebla, e o 1 a 0 sofrido para o mesmo adversário em 1990, quando a ordem se inverteu e a Alemanha venceu por 1 a 0. Seria injusto chamar de era — mas é uma era em escala doméstica do futebol mundial.

A única vez que o Paraguai e a Alemanha se cruzaram em Copa do Mundo foi nas oitavas de 2010, na África do Sul. Os paraguaios, liderados por Salvador Cabañas e Roque Santa Cruz, resistiram até os 74 minutos, quando Thomas Müller abriu o placar. Óscar Cardozo descontou de pênalti, mas Miroslav Klose fechou o placar em 1 a 0 para os alemães nos acréscimos — resultado final: Alemanha 1 a 0 Paraguai, partida disputada em Cape Town. Aquela geração paraguaia havia eliminado o Japão nas oitavas e chegava como azarão respeitável. O roteiro desta Copa do Mundo 2026 tem elementos comparáveis.

A campanha paraguaia que não estava no script

O Paraguai encerrou a fase de grupos do Grupo D com 4 pontos: derrota por placar ainda não divulgado para os Estados Unidos na estreia, vitória sobre a Turquia na segunda rodada e empate sem gols com a Austrália na terceira, em Santa Clara, no dia 26 de junho. A classificação entre os oito melhores terceiros colocados dependia de uma combinação de resultados — e veio pela via da Espanha, que derrotou o Uruguai por 1 a 0 no Grupo H, e pelo empate entre Cabo Verde e Arábia Saudita. A FIFA confirmou o confronto Paraguai x Alemanha ainda naquela sexta-feira.

Copa do Mundo
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O técnico paraguaio montou uma equipe compacta, que concedeu poucos espaços. O empate com a Austrália, seleção que também se classificou, demonstra a solidez defensiva da equipe — e talvez seja o argumento tático mais relevante para enfrentar uma Alemanha que, apesar dos 6 pontos conquistados com vitórias sobre Costa do Marfim e Curaçao, mostrou fragilidade defensiva diante da pressão equatoriana na última rodada. Quem se classificar neste duelo de Boston enfrentará o vencedor de França x Suécia nas oitavas de final.

O que ainda falta para o Paraguai concretizar a virada histórica

Segundo a análise da própria FIFA ao divulgar os confrontos, a Alemanha terminou como líder do Grupo E com desempenho consistente nas duas primeiras rodadas, mas a derrota para o Equador expôs uma equipe que ainda não encontrou equilíbrio entre a intensidade ofensiva e a segurança na saída de bola. Para o Paraguai, esse dado é operacional: pressionar a transição alemã pode ser o caminho mais eficiente do que tentar construir volume de jogo.

"A seleção paraguaia entrou nesta sexta-feira ainda dependente de outras chaves", registrou a cobertura do Terra, "mas a equipe tinha boa vantagem na disputa entre os terceiros colocados."

O histórico de mata-mata alemão contra sul-americanos é um dado estrutural, não um decreto. Em 1990, a Argentina de Maradona chegou à final como campeã defensora e perdeu para a Alemanha por 1 a 0, gol de pênalti de Andreas Brehme. Em 2010, o Paraguai daquela geração era considerado o mais limitado dos quatro semifinalistas e ainda assim chegou às quartas. A diferença entre aquela campanha e esta é que o Paraguai de 2026 não tem um Cardozo na plenitude nem um Santa Cruz como referência — mas tem organização coletiva e o peso psicológico de jogar sem nada a perder contra uma seleção que carrega a expectativa de todo um continente europeu.

"A Alemanha voltará a enfrentar uma equipe sul-americana após a derrota de 2 a 1, de virada, para o Equador", destacou a Folha de S.Paulo ao confirmar o confronto, sinalizando que o ambiente alemão chega ao mata-mata sem a tranquilidade que um primeiro lugar normalmente confere.

A bola rola às 17h30 desta segunda-feira, 29 de junho, no Gillette Stadium, em Boston. Se o Paraguai vencer, será a primeira vez na história da Copa do Mundo que a Alemanha perde para uma seleção sul-americana em partida eliminatória fora de uma final — dado que resiste desde 1934, quando os alemães disputaram seu primeiro mata-mata moderno. Se a Alemanha avançar, o tabu chega a doze duelos intactos.