Se a janela de transferências fechasse hoje e alguém precisasse montar uma lista de atacantes brasileiros com impacto coletivo acima da média na Superliga Feminina, o nome de T. Pochettino entraria antes do que a maioria dos analistas esperaria. Não pela artilharia — 5 gols em 34 jogos não impressiona em ranking nenhum — mas pelo que o número seguinte revela: 6 assistências. Onze participações diretas em gols numa única temporada é o tipo de dado que separa o jogador de área do jogador de jogo.
Isso se resolve rapidamente quando olhamos para o contexto. Barueri W é um clube que opera longe dos holofotes do futebol paulista de elite, sem o orçamento do Santos ou do Corinthians feminino, e é exatamente nesse ambiente de recursos limitados que jogadores com perfil de ligação entre linhas — aquele número 7 que tanto recua para construir quanto avança para finalizar — se tornam insubstituíveis. Pochettino, com 30 anos e 178 cm, ocupa esse espaço com uma regularidade que, seria injusto chamar de era — mas é uma era em escala doméstica.
Se ele for transferido neste mercado
A temporada de 2026 monta um dossiê razoável para qualquer clube da Série A feminina que precise de um atacante com capacidade de criação. Os 6 assistências em 34 jogos representam uma taxa de 0,18 por partida — número que, para contextualizar, estaria dentro da faixa de jogadores considerados "criadores secundários" nos grandes clubes europeus da mesma posição nos anos 2000. Pense em jogadores como Marc Overmars no Arsenal de 1998 ou no Seedorf do Milan pós-2003: não eram os artilheiros, eram os que ligavam o meio ao ataque com eficiência metódica.
Uma transferência para um clube de maior estrutura na Superliga poderia amplificar esses números — mais posse, mais situações de finalização, mais parceiros tecnicamente capazes de converter as bolas recebidas. O risco, historicamente documentado em qualquer mudança de ambiente tático, é o período de adaptação. Jogadores de 30 anos com esse perfil tendem a ter curvas de adaptação mais curtas do que atletas mais jovens, justamente porque o repertório já está consolidado. O que muda é o entorno, não o mecanismo.
Se permanecer no clube atual
Permanecer no Barueri W em 2026 significa basicamente repetir o padrão desta temporada — e há argumentos concretos para isso não ser uma escolha menor. Com 34 jogos disputados, Pochettino demonstrou disponibilidade física quase integral, o que, para um atleta de 30 anos, é dado tão relevante quanto qualquer estatística ofensiva. Os 1591 minutos em campo na temporada atual (segundo os registros disponíveis) indicam uma média próxima de 47 minutos por partida — o que sugere que ele raramente é substituído cedo, mas também raramente joga o jogo completo, perfil típico de jogador usado como referência tática até determinado momento da partida.
No SportNavo, esse tipo de dado costuma passar despercebido em coberturas de ligas menores, mas é exatamente onde mora a diferença entre um jogador que "está no elenco" e um que "define o modelo de jogo". A continuidade no clube garantiria liderança de vestiário, protagonismo tático e, eventualmente, números ligeiramente superiores se o time mantiver ou melhorar seu desempenho coletivo.
Se mudar de função tática
O perfil físico de Pochettino — 178 cm, 75 kg, camisa 7 — não é o de um centroavante de área. É o de um atacante de corredor, capaz de partir da largura para o centro ou de recuar para participar da construção. Mas há um cenário tático que merece atenção: o uso como segunda referência num esquema com dois atacantes, posição que exige exatamente a combinação de gols e assistências que ele já entrega.
Historicamente, quando o futebol europeu migrou dos sistemas com um único centroavante para estruturas com dois jogadores adiantados — algo que se consolidou na Serie A italiana entre 1995 e 2005, com Juventus e Lazio sendo os laboratórios mais citados — jogadores com esse perfil híbrido valorizaram de forma desproporcional. A mudança de função não exigiria uma reinvenção técnica, apenas um reposicionamento de referência. O risco está na adaptação coletiva: o time precisaria reorganizar os fluxos de passe para alimentar um segundo atacante com a frequência que a função exige.
O cenário mais provável dos três
Com dados disponíveis limitados e sem informações sobre negociações em curso, o cenário mais provável — e o mais coerente com o padrão de carreira observável — é a continuidade. Pochettino completará 31 anos em fevereiro de 2027, janela em que atletas de futebol feminino com esse histórico de regularidade tendem a buscar contratos de estabilidade em vez de apostas de alto risco. A Superliga Feminina, competição que ainda constrói sua infraestrutura de mercado, oferece pouca pressão externa para movimentações bruscas.
O que se pode projetar com alguma base concreta é que, mantendo a taxa de participação em gols desta temporada, Pochettino terminará 2026 como um dos jogadores mais completos do elenco do Barueri W — não o mais vistoso, não o artilheiro, mas o tipo de peça que qualquer treinador com dois meses de trabalho aprende a não tirar do time sem uma razão muito boa. E na história do futebol, em qualquer latitude, esse jogador sempre valeu mais do que o preço que o mercado colocou nele.










