A última vez que a Fórmula 1 ocupou o horário nobre da Fórmula 1 na TV aberta brasileira de forma tão concentrada foi durante os anos de ouro da Band, quando o calendário inteiro passava pelo mesmo canal e qualquer brasileiro com uma antena no telhado podia assistir Schumacher, Barrichello e Hamilton sem pagar um centavo a mais. Agora, em 2026, a lógica mudou — mas há uma janela considerável aberta para quem não assina pay-per-view: nove corridas consecutivas na Globo, a partir do GP de Mônaco, marcado para o fim de semana de 5 a 7 de junho.
O que o fã sem assinatura vai assistir de Mônaco em diante
A temporada começou com dois GPs na TV aberta — Austrália, em 8 de março, quando George Russell venceu na abertura com Everaldo Marques narrando o retorno da categoria à emissora, e Japão, em 29 de março, com a vitória de Kimi Antonelli consolidando o jovem italiano como nome do momento. Depois disso, quatro etapas ficaram restritas ao SporTV. A partir de agora, a grade muda de figura.
Segundo apuração do SportNavo, as próximas nove corridas serão exibidas no canal aberto: Mônaco (7 de junho), Barcelona-Catalunha (14 de junho), Inglaterra (5 de julho), Holanda (23 de agosto), Itália (6 de setembro), Espanha (13 de setembro), Singapura (11 de outubro), São Paulo (8 de novembro), Las Vegas (22 de novembro) e Abu Dhabi (6 de dezembro). É uma fatia generosa do calendário — e estrategicamente escolhida.
A lógica da Globo é a mesma de transmissões anteriores da categoria: priorizar as provas realizadas de madrugada ou pela manhã no horário de Brasília, encaixando-as no Esporte Espetacular. Mônaco, Silverstone, Monza e Singapura se enquadram perfeitamente nesse perfil. Já no chamado "giro das Américas", com etapas à tarde, apenas o GP de São Paulo recebe tratamento de canal aberto — o que faz sentido geográfico, emocional e comercial para a emissora.
Quem sai perdendo no modelo atual de 15 corridas abertas
O modelo adotado em 2026 representa uma ruptura com o que a Band praticou por mais de uma década. Lá, o torcedor que não pagava nada tinha acesso a 100% do calendário. Agora, das 24 etapas da temporada, apenas 15 chegam ao canal aberto — e nove delas ainda estão por vir. Isso significa que corridas como o GP do Canadá, Miami, Mônaco pré-sequência e Azerbaijão ficaram exclusivas para assinantes do SporTV, sem qualquer janela gratuita.
Para quem acompanhava a batalha entre Russell e Antonelli pelo campeonato — os dois pilotos da Mercedes separados por 20 pontos no campeonato de construtores — perder etapas por falta de acesso ao pay-per-view é uma interrupção real na narrativa. A decisão da Globo de concentrar as corridas abertas no segundo semestre favorece o fã casual, que chega ao produto quando a temporada já tem forma e tensão, mas prejudica o espectador fiel que queria acompanhar o desenrolar desde o início.
O SporTV 3 e a nova casa do automobilismo na grade da Globo
Na passagem anterior da Fórmula 1 pela Globo, o canal de referência para o automobilismo era o SporTV 2. Em 2026, a categoria migrou para o SporTV 3, que passou a concentrar as transmissões das nove corridas que não chegam ao canal aberto. O SporTV 2, por sua vez, ficou com esportes olímpicos, Superliga de vôlei e NFL — uma redistribuição que reflete a hierarquia comercial dentro da emissora.
Na cabine, Everaldo Marques segue como narrador principal nas transmissões da TV aberta, função que já exerceu no GP da Austrália. Nomes como Felipe Giaffone e outros especialistas do automobilismo estão cotados para dividir o microfone com ele ao longo da temporada, mantendo o formato técnico que a emissora adotou nos primeiros fins de semana de cobertura.
O efeito cascata até Abu Dhabi em dezembro
A concentração de corridas abertas no segundo semestre cria um efeito interessante do ponto de vista dramático: o público da TV aberta vai entrar na cobertura exatamente quando o campeonato começa a se definir. Mônaco, historicamente um circuito de estratégia e caos, abre essa janela. Silverstone, com a torcida britânica empurrando Russell, amplifica o contexto. Monza e Singapura chegam quando as equipes já entenderam seus carros e os dados de telemetria começam a revelar quem tem o desenvolvimento mais eficiente na reta final do ano.
O GP de São Paulo, em 8 de novembro, é o ponto de máxima tensão do calendário nacional — e a Globo sabe disso. Interlagos é o único GP do "giro das Américas" que recebe transmissão aberta, uma exceção que confirma a regra e que provavelmente concentrará a maior audiência da temporada para a emissora. Las Vegas (22 de novembro) e Abu Dhabi (6 de dezembro) fecham o ciclo, com o campeonato possivelmente já decidido ou em seus minutos finais.
A próxima corrida na Globo está marcada para Mônaco, no fim de semana de 5 a 7 de junho — e a largada acontece no mesmo circuito de rua onde estratégias de pit wall valem mais do que qualquer vantagem de motor.










