Três coisas: 28 anos, zagueiro e um contrato com cláusula de opção de compra ativa em Portugal. Tudo o que importa sobre Guilherme Romão neste momento se explica a partir desses três pontos de partida.

Onde ele pode estar em 2027

O cenário mais concreto para Guilherme Romão nos próximos doze meses passa por Lisboa — ou, mais precisamente, pelos Açores. O empréstimo ao Santa Clara, clube da Primeira Liga de Portugal, formalizado em 31 de janeiro de 2026, inclui uma opção de compra ao final do vínculo. Se o clube português exercer esse direito, Romão deixaria definitivamente o Atlético GO e daria o passo mais relevante de sua carreira até aqui: tornar-se um ativo permanente no futebol europeu aos 28 anos.

FRANÇA X ESPANHA; ARGENTINA X INGLATERRA; VOLTA DO BRASILEIRÃO | De Placa 13/07/26

Do ponto de vista financeiro, o timing é razoável. Zagueiros com perfil de saída de bola e experiência consolidada na América do Sul costumam ter janela de valorização entre os 27 e os 31 anos no mercado europeu de segunda e terceira prateleira. A 28 anos, Romão ainda está dentro desse intervalo — o que torna a opção de compra um ativo relevante tanto para o Santa Clara quanto para o Atlético GO, detentor dos direitos econômicos do jogador.

O cenário alternativo é um retorno ao Brasil com mais mercado: clubes da Série A que buscam zagueiros com passagem europeia tendem a remunerar acima da média da Série B, onde Romão atuou em 2026.

O que precisa acontecer até lá

A temporada 2026 no Brasileirão Série B entrega um dado que merece atenção: 35 jogos disputados, 2 assistências e zero gols. Para um zagueiro, a ausência de gols não é demérito — a métrica relevante aqui é a participação. Trinta e cinco partidas numa divisão competitiva indicam regularidade e confiança do treinador, dois atributos que pesam na avaliação de qualquer clube comprador.

O que precisa evoluir é a contribuição nas bolas paradas ofensivas. Duas assistências em 35 jogos é um número positivo para a posição, mas o potencial de um zagueiro de 176 cm que sai bem com a bola nos pés pode ser medido também pelo xT (Expected Threat) — métrica que quantifica o quanto cada ação de um jogador aumenta a probabilidade de o time marcar. Quando um zagueiro acumula xT positivo consistente, significa que ele não apenas distribui, mas cria perigo real com a posse. Se os dados de rastreamento do Santa Clara confirmarem essa tendência, o argumento financeiro para a compra se fortalece.

"Zagueiro que joga 35 partidas numa temporada de Série B sem se machucar e ainda distribui duas assistências é o tipo de profissional que você quer no seu elenco. Não faz barulho, mas resolve."

— Comentarista de futebol brasileiro, em análise sobre o mercado da Série B em 2026

Para que a opção de compra do Santa Clara se torne realidade, Romão precisa repetir no futebol português o que entregou no Brasil: consistência de minutos, poucos erros individuais e capacidade de se adaptar ao ritmo técnico da Primeira Liga, superior ao da Série B em termos de pressão e velocidade de jogo.

O que já aconteceu na trajetória

Guilherme Kennedy Romão nasceu em 7 de outubro de 1997, em Marília, interior de São Paulo. Fez as primeiras categorias de base no clube local antes de ser contratado pelo Corinthians em 2015 — um movimento que, à época, sinalizava potencial acima da média para um zagueiro de cidade do interior.

Em 28 de abril de 2017, o Corinthians renovou o contrato de Romão até 2020, sinal de que o clube enxergava valor no ativo. Menos de um mês depois, em 22 de maio de 2017, ele foi emprestado ao Oeste, então na Série B. A estreia veio em 26 de maio, num empate por 1 a 1 contra o Boa Esporte. Foram 23 jogos naquela temporada — volume expressivo para uma estreia profissional.

O percurso seguinte foi de acúmulo silencioso: temporadas com volumes variados de minutos, passagens por diferentes clubes e a construção de um currículo que hoje soma 251 partidas oficiais, com 8 gols e 12 assistências ao longo da carreira, conforme registrado pelo SportNavo a partir de dados biográficos do jogador. O pico ofensivo individual veio em 2019, com 2 gols em 20 jogos — desempenho que, para um zagueiro, representa contribuição acima da média esperada.

A experiência internacional chegou tarde, mas chegou: em 31 de janeiro de 2026, aos 28 anos, Romão atravessou o Atlântico pela primeira vez como profissional, rumo ao Santa Clara.

Os obstáculos no caminho

O perfil físico de Romão é o primeiro ponto de atenção para qualquer analista de mercado. Com 176 cm e 69 kg, ele está abaixo da média de altura para zagueiros no futebol europeu — onde a referência gira em torno de 185 cm a 188 cm em ligas de primeira e segunda divisão. Isso não é determinante, mas reduz o universo de clubes dispostos a investir em sua compra definitiva.

O segundo obstáculo é estrutural: Romão chegou ao futebol europeu aos 28 anos, sem histórico de convocações para seleções de base ou principal. Esse currículo limita o valor de mercado percebido pelo Transfermarkt e por plataformas de scouting, que tendem a valorizar trajetórias com passagem por competições continentais ou internacionais.

Guilherme Romão (Atlético GO)
Guilherme Romão (Atlético GO)

O terceiro fator é o próprio contexto do Atlético GO na Série B. Um clube disputando a segunda divisão do Brasil tem poder de negociação limitado frente a clubes europeus — o que pode pressionar o valor da opção de compra para baixo, favorecendo o Santa Clara numa eventual negociação, mas reduzindo o retorno financeiro para o clube brasileiro.

Guilherme Romão (Atlético GO)
Guilherme Romão (Atlético GO)

Para Romão, o caminho mais eficiente é simples de enunciar e difícil de executar: jogar bem em Portugal, manter a regularidade que demonstrou no Brasil e deixar que os números façam o argumento. Aos 28 anos, ainda há tempo — mas a janela não fica aberta para sempre.