Um zagueiro que distribui assistências não é uma contradição — é uma declaração de estilo. E é exatamente esse paradoxo que define Lucas Ángel Esquivel dentro do Athletico PR: o homem escalado para proteger a meta do Furacão se tornou, na temporada 2026, um dos jogadores mais participativos da construção ofensiva do clube paranaense.
Sob a lente do treinador
Nascido em Santa Fe, Argentina, em 14 de outubro de 2001, Esquivel chegou ao futebol brasileiro carregando a formação do Union Santa Fe — clube de sua cidade natal onde deu os primeiros passos profissionais. A transição para o Athletico PR não foi um salto no escuro: foi uma aposta calculada em um zagueiro de 183 cm e 78 kg que já havia mostrado versatilidade tática nas competições argentinas. O que um treinador enxerga nesse perfil é raro: um zagueiro que não apenas intercepta, mas que inicia jogadas.
Na temporada 2024, antes mesmo de consolidar sua posição na equipe titular, Esquivel acumulou participações em quatro competições distintas pelo Furacão — Brasileirão, Copa do Brasil, CONMEBOL Sudamericana e Campeonato Paranaense — além de ter sido convocado para a Seleção Argentina Sub-23, onde disputou o Torneio Pré-Olímpico da CONMEBOL. Essa amplitude de exposição competitiva, ainda jovem, é o tipo de currículo que seduz comissões técnicas exigentes. Jogar Libertadores, Sudamericana e seleção de base no mesmo ciclo não é rotina para um zagueiro de 22 anos.
Sob a lente do torcedor
A Arena da Baixada tem memória longa. Quem frequenta o estádio curitibano sabe distinguir o zagueiro que resolve por impulso daquele que resolve por leitura. Esquivel pertence à segunda categoria. Sua chegada ao Athletico em 2023, quando disputou 20 jogos no Brasileirão Série A e ainda somou partidas pela Copa do Brasil e pela CONMEBOL Libertadores, foi o período de apresentação. O torcedor aprendeu o nome devagar, como se aprende o de um músico que não toca no rádio mas enche sala de show.
O que para o argentino é o zagueiro-libero — aquele que sai jogando, que conduz a bola até a meia-cancha com autoridade —, para o brasileiro é o zagueiro-armador, figura que ainda causa estranheza em torcidas acostumadas a ver a defesa como linha de contenção pura. Esquivel habita esse espaço de tensão cultural com naturalidade. Suas quatro assistências na temporada 2026 não são acidente estatístico: são consequência de um padrão de jogo construído desde Santa Fe.
Sob a lente da planilha de dados
Os números desta temporada contam uma história precisa. Em 33 jogos pelo Brasileirão 2026, Esquivel marcou 1 gol e distribuiu 4 assistências — índice de participação ofensiva que supera a maioria dos zagueiros titulares da Série A. Para contextualizar: assistências de zagueiro em campeonatos sul-americanos são eventos raros, e quatro em uma única temporada de liga representam um dado que merece atenção analítica, não apenas jornalística.
Segundo apuração do SportNavo, o perfil de Esquivel ao longo das temporadas registradas mostra consistência crescente: em 2023, sua primeira temporada completa no Brasil, já entregou 1 assistência em 20 jogos de Brasileirão. Em 2024, o número saltou para 4 assistências apenas na Série A, com outros 5 passes para gol distribuídos entre Copa do Brasil e Sudamericana naquele ciclo. A curva aponta para cima. Aos 24 anos, com mais de 140 jogos profissionais acumulados em carreira, ele não é uma promessa em fase de testes — é um titular em fase de afirmação.
Sob a lente do mercado
O mercado europeu de zagueiros sul-americanos opera com lógica própria: busca atletas que combinem fisicalidade com saída de bola, preferencialmente bilíngues e com experiência continental. Esquivel preenche esse formulário com folga. A passagem pela Seleção Argentina Sub-23 e a participação em competições da CONMEBOL — tanto Libertadores quanto Sudamericana — constroem o tipo de vitrine que clubes portugueses, espanhóis e até ingleses monitoram com regularidade.
O Athletico PR tem histórico de revelar e valorizar zagueiros que depois cruzam o Atlântico. Esquivel, com contrato vigente e desempenho ascendente na temporada 2026, representa um ativo de mercado real. A janela de transferências europeia de julho é o horizonte mais imediato. Mas há um cenário igualmente plausível — e talvez mais interessante do ponto de vista esportivo: permanecer no Furacão, disputar a fase de grupos de competição continental e chegar ao final de 2026 com um currículo ainda mais robusto para negociar em posição de força.

O paradoxo do zagueiro que ataca já tem resposta. Lucas Ángel Esquivel não escolheu entre defender e construir — ele decidiu fazer os dois, e o Brasileirão 2026 está registrando essa decisão partida a partida, número a número, assistência a assistência.










