Doze desfalques, sete pontos de vantagem e uma frase que ficou. Tudo se explica daí.
O Palmeiras entra em campo domingo, às 16h, no Nubank Parque, para enfrentar a Chapecoense pela 18ª rodada do Brasileirão — último jogo antes da pausa para a Copa do Mundo. Líder contra lanterna, 38 pontos contra 9, e um elenco esvaziado num nível que Abel Ferreira foi direto ao chamar de "erro sem precedentes".
O que Abel perdeu antes mesmo de o jogo começar
A lista de ausências do Verdão vai de suspensos a lesionados, passando pelos convocados — e ela cresceu ao longo da semana. Carlos Miguel, Andreas Pereira e Giay cumprem suspensão. Vitor Roque e Benedetti estão no departamento médico. Piquerez viajou para finalizar a recuperação da cirurgia no tornozelo com a delegação uruguaia.
Dos convocados confirmados oficialmente, Flaco López (Argentina) e Jhon Arias (Colômbia) já estão fora. Emiliano Martínez, segundo apuração do Lance!, se junta ao Uruguai ao lado de Piquerez. Gustavo Gómez, Mauricio e Ramón Sosa aguardam o anúncio do Paraguai com Alfaro — mas a expectativa é de que os três sejam chamados. São doze nomes no total, entre certos e prováveis.
"Temos um jogo domingo. É difícil entender. No fim de outubro do ano passado, os clubes e a CBF organizaram o calendário. Estava previsto que os jogadores seriam liberados dia 1 de junho, mas a Fifa quis dia 25 de maio", reclamou Abel Ferreira em entrevista coletiva.
O técnico português foi além e responsabilizou o planejamento coletivo do futebol brasileiro:
"A CBF faz parte da Conmebol. Eu entendo que, em outubro do ano passado, nós, como futebol brasileiro, cometemos esse erro sem precedentes. Não é justo, não faz sentido, que as equipes que têm convocados disputem jogos desta forma."
Quem entra quando doze saem
Com a lateral direita comprometida pela suspensão de Giay, Abel deve recorrer a opções da própria casa. O setor do meio-campo também exige criatividade: Andreas Pereira suspenso significa que o Palmeiras perde seu principal organizador de jogo no momento em que mais precisaria de controle… e aí vem o problema.
Na frente, Flaco López — artilheiro do Verdão no Brasileirão com seis gols em 17 rodadas — também não estará. O argentino já integra a delegação da Albiceleste. A ausência do centroavante titular abre espaço para Ferreira ou para uma reconfiguração do ataque com peças de menor rodagem na elite.
Abel deixou claro que sete ou oito convocados são parte da identidade que construiu no clube.
"Muitos clubes querem o treinador do Palmeiras. Por quê? Por isso também. Quando o Palmeiras quis me contratar, expliquei qual era minha filosofia e não foi por acaso que o Palmeiras quis um treinador como eu", afirmou. A frase soa como orgulho — mas também como contexto para o domingo.
A Chapecoense que chega sem técnico e sem vitória há 15 jogos
Do outro lado, a Chape vive uma crise própria. A única vitória na Série A veio na abertura do campeonato, quando bateu o Santos por 4 a 2 em casa. Desde então, foram 15 jogos sem ganhar. O técnico Fábio Matias foi demitido na semana passada, e o auxiliar Celso Rodrigues assume de forma interina para o duelo de domingo.
No histórico entre os dois clubes, são 16 confrontos com oito vitórias do Palmeiras, cinco da Chape e três empates. A última vez que a equipe catarinense venceu o Verdão foi em 2017. No Allianz Parque especificamente, o Palmeiras tem cinco vitórias, dois empates e apenas uma derrota em oito jogos contra a Chape — e o último confronto entre eles foi em 2021, com vitória palmeirense por 2 a 0 em Chapecó.
Conforme registrado pelo SportNavo ao longo da temporada, o Palmeiras venceu o primeiro tempo em 11 das 17 rodadas disputadas. A Chapecoense, por sua vez, é o pior time nos primeiros 45 minutos do Brasileirão: em 16 partidas, foram 12 empates e quatro derrotas na etapa inicial — zero vitórias.

A vantagem de sete pontos sobre o Flamengo garante que o Verdão seguirá líder independentemente do resultado. Mas Abel vai querer vencer mesmo com o time remendado — e a Chape, sem técnico fixo e na lanterna, chega ao Nubank Parque como a combinação mais frágil possível de adversário para uma equipe que, mesmo incompleta, tem mais qualidade individual em reservas do que a maioria dos titulares da Chape.

Doze desfalques, sete pontos de vantagem e uma frase que ficou — mas agora o leitor sabe o tamanho do buraco que Abel precisa tapar.










