Mudou. O Palmeiras que entra em campo neste domingo, às 16h, no Nubank Parque, pela 18ª rodada do Brasileirão, não tem nada de parecido com o time que Abel Ferreira escalou nas últimas semanas. Dez desfalques — entre convocados para a Copa do Mundo e suspensos — obrigam o técnico português a recorrer a um elenco alternativo para enfrentar a Chapecoense, lanterna do campeonato com uma diferença abissal de 29 pontos na tabela. A pergunta que fica não é se o Palmeiras vai ganhar. É o que essa partida diz sobre o clube quando o roteiro sai do script.
Os dez desfalques que desfiguram o Palmeiras antes da pausa
A lista de ausências no Palmeiras para este domingo é longa o suficiente para desmontar qualquer esquema tático consolidado. Convocações para a Copa do Mundo levaram peças titulares do elenco, enquanto suspensões completaram o quadro de baixas que Abel Ferreira precisou administrar durante a semana. O resultado é um time que mistura jovens da base, atletas que raramente recebem minutagem e nomes que vivem à sombra dos titulares ao longo da temporada 2026.
Esse tipo de cenário remete inevitavelmente ao conceito de squad depth — profundidade de elenco — que diferencia clubes de alto rendimento dos demais. No futebol europeu, o Manchester City de Pep Guardiola transformou esse conceito em filosofia: qualquer combinação de onze jogadores deveria ser capaz de executar o mesmo modelo de jogo. Abel Ferreira tenta replicar essa lógica no Palmeiras há anos, e este domingo é um teste empírico dessa construção.
O Palmeiras chega à 18ª rodada com 38 pontos, na liderança do Brasileirão, quatro à frente do segundo colocado. Escalar um time alternativo contra a lanterna — e ainda assim preservar a vantagem — seria a prova mais concreta de que o projeto alviverde tem consistência estrutural, não apenas dependência de nomes.
Abel Ferreira diante do xadrez que ele mesmo montou
Abel Ferreira não é treinador de improvisos. Desde que chegou ao Palmeiras, em outubro de 2020, construiu um modelo de jogo reconhecível em qualquer escalação — pressão alta, transições rápidas, organização defensiva coletiva. A questão desta rodada é se esse modelo sobrevive sem os intérpretes habituais.
"É um fator que vem incomodando. Espero que possamos cessar tudo isso, justamente encontrando um equilíbrio e a confiança dos jogadores"
A citação acima é de Dorival Júnior, técnico do São Paulo, falando sobre as dificuldades do próprio elenco — mas ela poderia ser aplicada ao desafio de Abel neste domingo. Quando os titulares saem, o equilíbrio coletivo é o que sustenta o resultado. O Palmeiras tem um elenco avaliado entre os três mais caros do Brasil, com investimentos que ultrapassaram R$ 400 milhões em contratações nos últimos dois anos. Esse dinheiro precisa aparecer em campo justamente quando os convocados estão ausentes.
A Chapecoense, por sua vez, chega como lanterna com 9 pontos em 17 rodadas — média de 0,53 por jogo, insuficiente para qualquer pretensão de permanência na Série A. O histórico recente do clube catarinense no campeonato é de equipe que sofre gols em sequência contra adversários do alto da tabela, o que torna a missão do time alternativo do Palmeiras tecnicamente mais administrável.
O que a classificação revela sobre a briga pelo título após a pausa
A rodada deste domingo fecha o primeiro turno do Brasileirão antes da parada para a Copa do Mundo. O cenário na parte de cima da tabela é de disputa real: o Fluminense, terceiro colocado com 30 pontos, enfrenta o Cruzeiro no Mineirão às 20h30, numa partida que pode aproximar os mineiros — atualmente com 23 pontos — do G-6. O São Paulo, sétimo com 25 pontos, visita o Remo no Mangueirão no mesmo horário tentando retornar ao G-5.
Num único domingo, portanto, a tabela pode se reorganizar de forma significativa antes de todos os clubes entrarem em recesso para a Copa. O Palmeiras, se vencer a Chapecoense, chega à pausa com 41 pontos — uma vantagem que, historicamente, tem se mostrado decisiva. Dados do Brasileirão desde 2006 indicam que o líder ao fim do primeiro turno conquista o título em aproximadamente 70% das edições.
O Grêmio, que perdeu para o Corinthians por 3 a 1 na Arena neste sábado — com gols de André Luiz (duas vezes) e Kaio César para os paulistas, e apenas Gabriel Mec para os gaúchos —, encerrou a rodada com 21 pontos e viu a distância para o G-4 aumentar. O resultado do time gaúcho reforça o quanto a pausa chega em momentos distintos para cada clube: alguns entram nela com fôlego, outros precisando de uma reinicialização urgente.
Para o Palmeiras, o recado que este domingo envia ao restante do campeonato tem peso simbólico além dos três pontos. Vencer com um time desfigurado, contra um adversário em frangalhos na tabela, não é façanha — mas tropeçar seria um sinal de fragilidade que os rivais explorariam durante toda a pausa. Abel Ferreira sabe disso. Seu elenco, construído para suportar exatamente esse tipo de ausência, vai responder na tarde deste domingo no Nubank Parque. Depois da Copa do Mundo, o Brasileirão retorna com o Palmeiras precisando confirmar, jogo a jogo, que a liderança com 41 pontos não foi acidente de percurso.










