O ciclo foi encerrado no mesmo ginásio do Taquaral onde havia começado. Adriano, ponteiro de 24 anos revelado pelo Itapetininga, comunicou oficialmente sua saída do Vôlei Renata após cinco temporadas e 200 partidas disputadas pela equipe de Campinas — números que posicionam sua passagem entre as mais longas e produtivas de um atleta de linha de frente no clube nos últimos dez anos.
O que os números da passagem de Adriano pelo Renata revelam
Seis títulos em cinco temporadas: a conta é objetiva, mas o contexto amplia o peso. Na temporada 2025/26 — a mais vitoriosa do ciclo —, Adriano foi peça central na campanha que rendeu Copa Brasil, Campeonato Sul-Americano de Clubes e Campeonato Paulista ao Vôlei Renata, além do vice-campeonato da Superliga. Individualmente, acumulou os prêmios de melhor ponteiro da Superliga, melhor ponteiro do Sul-Americano e MVP da Copa Brasil, consolidando-se como o atacante de maior rendimento ofensivo do elenco campineiro na temporada.
Para contextualizar o desempenho: a média de eficiência de ponteiros titulares na Superliga 2025/26 girou em torno de 42% no ataque em fase de grupos — atletas que sustentam índices acima de 45% ao longo de uma campanha completa costumam figurar entre os três finalistas da premiação individual, e Adriano esteve nesse patamar nas últimas duas edições. Segundo levantamento do SportNavo a partir dos boletins técnicos da CBV, o ponteiro registrou ao menos 18 pontos em 11 das 14 partidas que disputou na fase eliminatória da Superliga 2025/26 — consistência que explica o reconhecimento coletivo da comissão técnica e dos árbitros de premiação.
A marca de 200 partidas pelo Renata — atingida ainda na semifinal da Superliga — coloca Adriano no grupo seleto de atletas que vestiram a camisa campineira por mais de quatro temporadas consecutivas desde a reformulação do projeto em 2018. Antes dele, apenas o levantador Rian havia ultrapassado esse número de aparições no mesmo período.
A voz de Adriano sobre cinco anos em Campinas
Em publicação nas redes sociais, o ponteiro escolheu as palavras com cuidado para descrever o que o período representou fora das estatísticas.
"Hoje encerro um ciclo que marcou a minha vida de uma forma impossível de explicar em poucas palavras. Foram 5 anos defendendo as cores do Vôlei Renata, vivendo momentos que vão ficar para sempre na minha memória e no meu coração."
Em entrevista ao Globo Esporte, Adriano foi mais específico sobre o impacto do ambiente campineiro no seu desenvolvimento técnico e humano — e deixou claro que a decisão de partir não apaga a gratidão construída ao longo do processo.
"Aqui em Campinas, de certa forma, eu me encontrei. Fiz muitas amizades, e essas amizades me fizeram me sentir tão bem, tão acolhido, que eu acho que tive uma evolução muito maior. Chegou a minha hora de voar."
O ponteiro também comentou o amadurecimento coletivo da equipe ao longo da temporada 2025/26, especialmente após a participação no Mundial de Clubes, que antecedeu a sequência de conquistas nacionais e continentais.
"Copa Brasil, Sul-Americano… quando acontece dá aquele estalo: 'Nossa, eu sou campeão, eu batalhei para isso'. Faço essa reflexão praticamente todos os dias do quanto eu fui evoluindo."
O desafio no Trentino e o que espera Adriano na SuperLega italiana
O destino é o Trentino — clube que disputa a SuperLega, a principal liga da Itália e uma das mais competitivas do mundo em vôlei masculino. Adriano assinou contrato por duas temporadas, o que significa que o ponteiro campineiro terá até 2028 para se estabelecer no circuito europeu antes de uma eventual renegociação.
O Trentino — Itas Trentino, para ser preciso — é um dos clubes mais vencedores da história da Champions League europeia de vôlei, com múltiplos títulos continentais. Para um ponteiro de 24 anos que ainda está no pico de desenvolvimento físico, o salto de nível técnico será imediato: a SuperLega concentra bloqueadores com média de altura superior à Superliga brasileira e sistemas de recepção mais compactos, o que exige variação de tempo de ataque e leitura de bloqueio mais apurada do que a maioria dos ponteiros nacionais está habituada a praticar.
A passagem pela Seleção Brasileira — Adriano integra o grupo convocado para os compromissos internacionais desta temporada — funciona como ponte entre os dois mundos. Treinar com atletas que já atuam ou atuaram em ligas europeias acelera a adaptação ao ritmo e às exigências táticas que o Trentino vai impor desde a pré-temporada.
Para o Vôlei Renata, a saída abre uma lacuna real no sistema ofensivo — Adriano foi responsável por parcela significativa dos pontos do time nas fases decisivas da temporada 2025/26, e encontrar um substituto com o mesmo volume de jogo e consistência em momentos de pressão será o principal desafio da diretoria campineira no mercado de transferências. O clube, que encerrou a temporada com três títulos e um vice, precisa anunciar suas contratações antes do início da pré-temporada, prevista para agosto de 2026.
A última imagem que ficou foi a de Adriano no Taquaral, raquete — perdão, bola — na mão, o ginásio vazio e a luz da tarde entrando pelas janelas laterais: um ponteiro olhando para a quadra que o formou antes de embarcar para Trento.










