A decisão do Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas (FGV) que determinou o afastamento imediato de John Textor do comando da SAF do Botafogo criou um cenário de incerteza total sobre o futuro administrativo e financeiro do clube alvinegro. O dirigente norte-americano de 58 anos, que assumiu o controle da SAF em março de 2022, deixa a operação após questionamentos sobre sua condução unilateral de decisões estratégicas, principalmente o polêmico pedido de recuperação judicial protocolado na quarta-feira (22).

Recuperação judicial intensifica crise institucional

O pedido de recuperação judicial apresentado ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) representa o ponto central do impasse que culminou no afastamento de Textor. Segundo apuração do SportNavo, a medida foi tomada sem o aval dos demais acionistas da SAF, configurando violação dos acordos societários estabelecidos desde a criação da empresa em 2022. A própria SAF do Botafogo confirmou ter solicitado "a suspensão temporária do direito de voto do acionista majoritário que, por diversos meses, tem usado essa posição para obstruir a chegada de novo capital ao clube".

Recuperação judicial intensifica crise institucional Afastamento de Textor gera
Recuperação judicial intensifica crise institucional Afastamento de Textor gera

A Eagle Holdings, empresa de Textor que detém a participação majoritária na SAF alvinegra, viu seus direitos de voto suspensos como parte da estratégia de reorganização financeira. O norte-americano, que também possui participações no Crystal Palace (Inglaterra), RWD Molenbeek (Bélgica) e Lyon (França), acumula dívidas superiores a R$ 1,3 bilhão no Botafogo, incluindo compromissos trabalhistas com atletas e comissão técnica.

Torcida dividida entre alívio e apreensão

A repercussão nas redes sociais evidenciou a polarização da torcida botafoguense em relação à gestão Textor. Parte dos alvinegros celebrou o afastamento, responsabilizando o empresário pela crise financeira que levou à saída de jogadores como Luiz Henrique, vendido ao Zenit por 25 milhões de euros em janeiro, e pela instabilidade administrativa que resultou na troca de três diretores executivos em 18 meses.

Por outro lado, torcedores demonstraram preocupação com o vazio de liderança deixado pela saída de Textor. O dirigente foi responsável pelos investimentos que trouxeram ao clube jogadores como Almada (15 milhões de dólares), Savarino (8 milhões de dólares) e o técnico Artur Jorge, contratado por 2 milhões de euros junto ao Braga. Sob sua gestão, o Botafogo conquistou o Campeonato Brasileiro de 2024 e a Copa Libertadores, quebrando jejuns de 29 e 51 anos, respectivamente.

Torcida dividida entre alívio e apreensão Afastamento de Textor gera incerteza s
Torcida dividida entre alívio e apreensão Afastamento de Textor gera incerteza s
"A medida tem como prioridade absoluta a proteção das atividades do clube e o cumprimento dos compromissos com seus atletas, funcionários e prestadores de serviço", informou a SAF em nota oficial.

Cenários possíveis para a administração alvinegra

Com o afastamento temporário de Textor, três cenários se desenham para o Botafogo nas próximas semanas. O primeiro envolve a nomeação de um administrador judicial que assumiria as decisões operacionais da SAF durante o processo de recuperação. O segundo prevê o retorno do empresário caso o Tribunal Arbitral reverta a decisão na reavaliação marcada para a próxima semana. A terceira possibilidade contempla a entrada de novos investidores, cenário defendido pela atual diretoria como "chegada de novo capital ao clube".

A situação financeira crítica do Botafogo inclui dívidas com fornecedores, atraso de dois meses nos salários de funcionários administrativos e pendências trabalhistas que totalizam R$ 87 milhões. O clube também enfrenta processos de cobrança que podem resultar na perda de pontos no Campeonato Carioca, competição que iniciou disputando em 11 de janeiro contra o Maricá.

A decisão do tribunal será reavaliada entre os dias 27 and 31 de janeiro, período em que o Botafogo disputará sua segunda rodada do Estadual contra o Sampaio Corrêa, no sábado (25), às 16h30, no Estádio Nilton Santos. A indefinição administrativa coincide com o período de preparação para a estreia na Copa Libertadores, marcada para fevereiro contra adversário ainda a ser definido no sorteio da Conmebol.