A vitória da Seleção Brasileira sobre a Croácia por 3 a 1, no último amistoso antes da definição da lista final, criou um problema positivo para Carlo Ancelotti. O técnico italiano não escondeu que as boas atuações dos chamados "novatos" aumentaram significativamente as dúvidas para os 23 convocados da próxima competição oficial. Em seis amistosos sob o comando de Ancelotti, o Brasil acumula quatro vitórias, um empate e apenas uma derrota, mantendo 67% de aproveitamento.

O treinador foi enfático ao destacar que jogadores como Igor Thiago, autor de um dos gols contra os croatas, e Léo Pereira, que atuou como titular na defesa, aproveitaram a oportunidade de forma exemplar. "O que me deixa mais satisfeito é que os novos aproveitaram a oportunidade. Isso aumenta a dúvida para a lista definitiva", declarou Ancelotti em entrevista coletiva.

Gestão tática e decisões polêmicas em campo

Um dos momentos mais discutidos da partida envolveu a cobrança do pênalti sofrido por Endrick, quando o jogo ainda estava empatado em 1 a 1. Apesar do jovem atacante de 18 anos ter conquistado a penalidade máxima, a comissão técnica optou por Igor Thiago para a cobrança, decisão que gerou questionamentos entre torcedores e imprensa especializada.

Ancelotti esclareceu a situação de forma direta: "No jogo, quem tinha que bater o pênalti era o Matheus Cunha. Ele saiu substituído, e o Igor Thiago é muito bom cobrador. Treinamos pênaltis ontem, e ele bateu bem". A explicação revela o planejamento prévio da comissão técnica, que define previamente a hierarquia de cobradores com base em treinos específicos.

A gestão de Ancelotti também chamou atenção pela rotação do elenco. Em 90 minutos, o técnico utilizou 16 jogadores diferentes, testando formações e observando o comportamento tático de atletas que brigam por posições na lista final. Endrick, mesmo aos 18 anos, já acumula 8 gols em 12 jogos pela Seleção principal, números que fortalecem sua candidatura.

Novatos ganham espaço e complicam escolhas

Igor Thiago se tornou o grande destaque da noite ao converter o pênalti decisivo e ainda participar ativamente da construção do terceiro gol brasileiro. O meia-atacante de 22 anos, que defendeu o Ludogorets na temporada 2025-26, marcando 11 gols em 28 partidas pelo clube búlgaro, mostrou maturidade tática que impressionou a comissão técnica.

Léo Pereira, por sua vez, formou dupla de zaga com Marquinhos e não sofreu nenhum gol nos 73 minutos em que permaneceu em campo. O defensor do Flamengo, que teve participação decisiva na conquista do Campeonato Brasileiro de 2025 pelos rubro-negros, demonstrou segurança aérea e qualidade na saída de bola que podem ser fundamentais em competições oficiais.

Danilo, capitão da Seleção, contribuiu com uma assistência para o primeiro gol e liderou a equipe com 89% de passes certos, reforçando sua importância como referência técnica e emocional do grupo. Aos 33 anos, o lateral-direito da Juventus disputou 41 partidas na temporada europeia, mantendo regularidade que justifica sua presença constante nas convocações.

Impacto na definição da lista final

A vitória sobre a Croácia, atual vice-campeã mundial, ganhou peso especial pela qualidade do adversário e pelo contexto da partida. Os croatas, que ocupam a 10ª posição no ranking FIFA, apresentaram formação próxima da ideal, com Modrić, Kovačić e Gvardiol entre os titulares, tornando o triunfo brasileiro ainda mais significativo.

Ancelotti agora enfrenta o desafio de escolher apenas 23 nomes entre um grupo de aproximadamente 30 jogadores que passaram pelos últimos seis amistosos. A comissão técnica tem até o próximo dia 15 para definir a lista, que será anunciada oficialmente em coletiva de imprensa na sede da CBF.

As dúvidas do treinador refletem um cenário positivo para o futebol brasileiro: pela primeira vez em anos, a Seleção possui concorrência real em praticamente todas as posições. Jogadores como Raphinha (23 gols em 47 jogos pelo Barcelona na temporada), Savinho (12 assistências em 38 partidas pelo Manchester City) e João Pedro (19 gols em 35 jogos pelo Brighton) brigam por espaço no ataque ao lado de nomes consolidados como Vinícius Jr e Rodrygo.

O meio-campo apresenta cenário similar, com Bruno Guimarães, Casemiro, Gerson e agora Igor Thiago disputando vagas em um setor que historicamente foi problemático para a Seleção. A defesa, tradicionalmente bem resolvida, ganhou novas opções com as boas atuações de Léo Pereira e a consolidação de jogadores como Beraldo, do PSG.

A última convocação de Ancelotti deve ser anunciada considerando não apenas o aspecto técnico, mas também a experiência internacional dos atletas e sua adaptação ao sistema tático implementado pelo italiano. O treinador busca equilibrar juventude e experiência, priorizando jogadores que demonstraram entendimento rápido de suas ideias táticas durante os amistosos preparatórios.