Não é sobre quem tem mais seguidores. Não é sobre quem vende mais camisa. O mercado de futebol faz sua própria contagem — e os números que chegaram à véspera da Copa do Mundo de 2026 são brutais com alguns e generosos com outros. Um levantamento da Betfair, parte do estudo "O valor da nossa paixão nacional", rastreou a evolução do valor de mercado de cada jogador convocado pela Seleção Brasileira desde 2006. O que os dados revelam sobre Vinicius Júnior e Neymar não é surpresa — mas ver os números lado a lado ainda impressiona.
Vinicius Júnior e os €200 milhões que o mercado reconhece
O calor de Miami ainda estava no ar quando os primeiros dados do estudo começaram a circular nos grupos de scouts europeus. Vinicius Júnior chegou ao Mundial de 2026 avaliado em 200 milhões de euros — exatamente o dobro dos 100 milhões que o mercado atribuía a ele na Copa do Catar, em 2022. Quatro anos. Uma Champions League a mais. Uma Bola de Ouro que o mundo inteiro debateu. O atacante do Real Madrid não apenas cresceu dentro de campo; ele se tornou ativo financeiro de primeira linha no futebol mundial.
A valorização de Vini não é isolada. Bruno Guimarães saltou de 30 para 80 milhões de euros no mesmo período, crescimento de 50 milhões. Raphinha dobrou seu valor, de 40 para 80 milhões de euros. Gabriel Martinelli subiu de 28 para 55 milhões, acréscimo de 27 milhões. Bremer foi de 20 para 35 milhões. São jogadores que construíram temporadas consistentes em grandes ligas europeias — e o mercado respondeu com precisão cirúrgica.
"Vinicius Júnior consolidou-se como um dos atletas mais valiosos do futebol mundial", aponta o estudo da Betfair, que analisa os ciclos da Seleção desde 2006.
Os 26 convocados para defender o Brasil na Copa do Mundo de 2026 somam 978,7 milhões de euros em valor de mercado, com média de 37,64 milhões por atleta. A Seleção está a um passo da marca de 1 bilhão — e é, segundo o levantamento, o elenco brasileiro mais valioso da história, superando todos os ciclos anteriores, incluindo o de 2014, quando o Brasil jogou em casa. Esses dados foram registrados pelo SportNavo com base no estudo completo divulgado pela Betfair.
A queda de Neymar e o peso dos anos parados
O vestiário do Santos FC guarda uma história que o mercado já precificou. Neymar, atualmente na Vila Belmiro e titular da camisa 10 da Seleção, viu seu valor desabar de 90 milhões de euros em 2022 para 10 milhões de euros em 2026 — redução de 80 milhões em quatro anos. É a maior queda nominal entre os convocados. As lesões no Al-Hilal, o longo período sem jogar e o retorno tardio ao futebol brasileiro pesaram de forma decisiva nessa conta.
Casemiro aparece logo atrás no ranking das desvalorizações. O volante do Manchester United recuou de 60 para 12 milhões de euros, perda de 48 milhões. Fabinho, do Al Ittihad, caiu de 60 para 18 milhões, menos 42 milhões. Alisson passou de 60 para 25 milhões de euros. São jogadores que dominaram o futebol mundial entre 2018 e 2022 — e que chegam ao torneio numa fase descendente de suas curvas de mercado.
"Alguns dos principais nomes da geração anterior registraram forte desvalorização", constata o levantamento da Betfair, sem poupar nenhum dos veteranos da análise.
A queda de Neymar tem uma dimensão extra que os números não capturam: ele ainda é o camisa 10, ainda é referência simbólica do grupo. Mas o mercado não negocia símbolos. Negocia minutos jogados, nível de competição e consistência física. Nos últimos quatro anos, o atacante acumulou mais tempo no departamento médico do que em campo de alta performance.
O que a Seleção mais valiosa da história precisa provar na Copa
Quase 1 bilhão de euros reunidos num único elenco. O número é vertiginoso — e cria uma pressão proporcional. A Seleção Brasileira de 2026 não tem desculpa financeira. Tem o atacante mais valorizado do hemisfério ocidental, tem dois meias avaliados em 80 milhões cada, tem uma espinha dorsal construída nos melhores clubes da Europa.

Lucas Paquetá, por exemplo, chegou a 40 milhões de euros em 2026. Bremer consolidou sua posição entre os zagueiros mais caros do mundo ao atingir 35 milhões. A profundidade do elenco, do ponto de vista financeiro, nunca foi tão grande. O problema é que Copa do Mundo não se ganha no papel de scouts.
A Seleção estreia no torneio com a expectativa de um país que não levanta a taça desde 2002. Vinicius Júnior, agora com 200 milhões de euros nas costas, entra em campo como o jogador mais caro e mais decisivo do grupo. Neymar, a 10 milhões do mercado mas ainda de número 10 no peito, carrega o peso inverso — o de provar que os números mentem quando ele está em dia. O Brasil tem o elenco mais caro da sua história — falta o troféu que justifique o preço.









