O calor de Orlando queima mais que o esperado nesta segunda-feira. No centro de treinamentos da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti fecha as portas para os últimos ajustes. O técnico italiano prepara cinco mudanças no time titular que enfrentará a Croácia nesta terça-feira, em Orlando, no derradeiro teste antes da lista final para a Copa do Mundo de 2026.
A derrota por 2 a 0 para a França na última quinta-feira deixou marcas visíveis. Ancelotti separou onze jogadores para treinar finalizações, depois misturou todo o grupo em atividades técnicas e táticas. A tensão no ar é palpável quando se fala da pressão crescente sobre suas escolhas.
Mudanças táticas revelam novo Brasil
Ibañez e Luiz Henrique ganham chances de titularidade após as ausências de Wesley e Raphinha. O lateral-direito sofreu lesão, enquanto o atacante do Barcelona foi cortado por questões disciplinares. Marquinhos retorna à zaga após se recuperar de dores no quadril, ocupando a vaga de Bremer.
No meio-campo, Andrey Santos aparece como opção para substituir Danilo, enquanto João Pedro deve comandar o ataque no lugar de Gabriel Martinelli. Vinicius Junior, que preocupou ao não treinar no sábado, participou normalmente da atividade e confirma presença pelo lado esquerdo.
A provável escalação contra a Croácia terá: Ederson; Ibañez, Marquinhos, Léo Pereira e Douglas Santos; Casemiro e Danilo; Luiz Henrique, Matheus Cunha, João Pedro e Vini Jr.
Pressão cresce sobre o comandante italiano
O debate sobre Neymar intensifica o clima de cobrança. Craque Neto não poupou críticas ao momento de Vinicius Junior com a amarelinha durante programa na Band desta segunda-feira:

"Ele não joga na Seleção como no Real Madrid porque ele não aguenta, não tem personalidade. Não pega a bola, não dribla ninguém e tem medo"
O jornalista Juca Kfouri também disparou contra uma possível convocação do camisa 10 do Santos. Em programa do UOL, foi direto: "Eu quero que o Neymar vá para a Copa. Como turista, evidentemente". A declaração reflete o dilema entre renovação e experiência que Ancelotti enfrenta.
O próprio Neymar abriu o jogo sobre a pressão de jogar pelo Brasil. Em vídeo no seu canal oficial, desabafou:
"É um preço ser jogador, é difícil, porque no Brasil é muito massacrante. A galera te massacra demais. Eles não entendem que você é uma pessoa normal"
Geração atual busca reconhecimento histórico
João Pedro, provável titular contra os croatas, defende a qualidade do elenco atual. O atacante do Chelsea comparou esta geração com nomes históricos em entrevista recente:
"Acredito que, antigamente, tinha Ronaldo, Ronaldinho, Romário, mas, se você ver no futebol de hoje, o Brasil tem jogadores assim. O Brasil tem o Vinícius, no Real Madrid, o Raphinha, no Barcelona"
O jogador reconhece que o entrosamento ainda é o principal desafio. Com atletas espalhados por diferentes ligas europeias, o tempo reduzido de preparação nas Datas Fifa complica a sintonia coletiva. "A gente passa o ano inteiro no clube, é diferente de estar na seleção", explicou João Pedro.
Orlando decide rumos para Copa
Ancelotti admite estar preparado para jogar de forma pragmática contra seleções mais fortes. O italiano lembrou que os últimos dois títulos mundiais do Brasil, em 1994 e 2002, foram conquistados com equilíbrio entre talento ofensivo e solidez defensiva.

A partida contra a Croácia, vice-campeã mundial em 2018, serve como termômetro real para as ambições brasileiras. Os croatas, mesmo com elenco envelhecido, mantêm a experiência de grandes competições e o meio-campo técnico que causou problemas para Argentina e França nas últimas Copas.
O estádio Inter&CO Stadium, em Orlando, receberá aproximadamente 45 mil torcedores nesta terça-feira, às 21h (horário de Brasília). Para Ancelotti, será a última chance de observar alternativas antes de divulgar a lista definitiva de 26 convocados, prevista para a próxima sexta-feira.

