Quarenta e dois milhões de euros. Esse foi o valor que o Flamengo desembolsou para repatriar Lucas Paquetá do West Ham, na Premier League inglesa, encerrando sete temporadas do meia nas ligas europeias e devolvendo ao futebol brasileiro um jogador que chegou a despertar interesse do Manchester City. Para Giorgian de Arrascaeta, o camisa 10 uruguaio que chegou ao Mengão em 2019, a operação diz muito mais do que qualquer troféu poderia expressar sobre o crescimento do clube.
O clube que Arrascaeta viu crescer
Quando Arrascaeta desembarcou no Rio de Janeiro em fevereiro de 2019, vindo do Cruzeiro, o Flamengo tinha uma única Libertadores no currículo — a histórica de 1981, conquistada sob o comando de Zico. Seis anos depois, o clube acumula quatro taças continentais, três Brasileirões e duas finais de Mundial de Clubes disputadas, embora o troféu global tenha escapado nas duas oportunidades. Esse arco de crescimento é o pano de fundo que Arrascaeta utilizou para contextualizar a chegada de Paquetá.
"Desde que eu cheguei ao Flamengo para hoje, o clube cresceu muito. Hoje todos os jogadores querem jogar no Flamengo porque o Flamengo é um clube que vai estar sempre brigando por títulos", afirmou o uruguaio em entrevista ao site Transfermarkt.
A declaração não é retórica vazia. Nos últimos sete anos, o Rubro-Negro conquistou três Libertadores — 2019, 2022 e 2024 — e três Brasileirões, construindo uma hegemonia que poucos clubes sul-americanos sustentaram em período equivalente. Esse histórico recente é a moeda mais forte que a diretoria flamenguista usa nas negociações com atletas de alto nível.
O que Paquetá representa taticamente
Lucas Paquetá não é apenas um nome de mercado. Formado nas categorias de base do próprio Flamengo, o meia atravessou passagens por Milan, Lyon e West Ham antes de retornar, acumulando experiência em três das cinco principais ligas europeias. Sob o técnico Filipe Luís, o Flamengo tem operado com um meio-campo que exige criatividade com responsabilidade defensiva — perfil que Paquetá, pela versatilidade reconhecida em anos de Premier League, atende com folga.
"A contratação do Paquetá mostra a grandeza do clube em poder trazer um jogador desta qualidade e pelo valor que pagou. Isso é muito bom para o futebol brasileiro. Vai elevar ainda mais o nível", completou Arrascaeta, ao mesmo veículo.
A análise exclusiva do SportNavo aponta que a presença simultânea de Paquetá e Arrascaeta no meio-campo rubro-negro cria um dilema tático produtivo para Filipe Luís: ambos funcionam melhor com liberdade de movimentação entre as linhas, o que pode obrigar o técnico a redesenhar o posicionamento de ao menos um dos dois para evitar superposição de funções. A solução mais provável envolve Paquetá atuando como o meia mais recuado do trio, enquanto Arrascaeta mantém a função de armador avançado que exerceu com maestria nos títulos de 2019 e 2022.
A briga por títulos e o calendário imediato
O Flamengo disputa o Grupo A da Copa Libertadores e enfrenta o Estudiantes, da Argentina, nesta quarta-feira (29), a partir das 21h30 (horário de Brasília), com transmissão pela Rede Globo e pela Paramount+. A partida é realizada em La Plata, longe do apoio da Nação, e testará exatamente o tipo de repertório técnico que Paquetá agrega: capacidade de criar em espaços reduzidos sob pressão adversária.
No cenário doméstico, o Brasileirão começa a ganhar densidade nas próximas semanas, e o levantamento do SportNavo mostra que o elenco rubro-negro, reforçado com a chegada de Paquetá por R$ 260 milhões — conversão aproximada do valor em euros —, passa a ter um dos três maiores investimentos em elenco do futebol sul-americano na temporada. Arrascaeta, que completou 30 anos em dezembro de 2024, tem no meia carioca um parceiro que pode redistribuir o peso criativo da equipe, aliviando a dependência histórica que o time construiu sobre o uruguaio nos momentos decisivos.
O Flamengo como destino, não como escala
Há uma dimensão simbólica na fala de Arrascaeta que transcende a análise tática. Quando o camisa 10 afirma que "todos os jogadores querem jogar no Flamengo", ele está descrevendo uma virada de paradigma no futebol continental: por décadas, o Brasil exportou talentos para a Europa sem expectativa de retorno antes dos 32 ou 33 anos, quando as ligas do Velho Continente já haviam consumido o melhor da carreira do atleta. Paquetá voltou aos 27 anos, em plena capacidade física, escolhendo o projeto esportivo rubro-negro sobre a permanência em um dos campeonatos mais competitivos do mundo.
A próxima oportunidade de ver essa equipe em campo é justamente diante do Estudiantes, na Argentina, nesta quarta-feira — um jogo que pode definir a classificação antecipada do Flamengo à fase eliminatória da Libertadores e mostrar, em campo, se a grandeza que Arrascaeta descreve em palavras já se traduz em futebol com Paquetá vestindo o manto rubro-negro.









