Se a Copa do Mundo de 2026 tivesse encerrado sem nenhuma alteração no ranking da FIFA, o Brasil seguiria na 6ª posição, atrás de Portugal, sem qualquer ganho prático nos sorteios de competições futuras. A realidade, atualizada após o fim do torneio, é diferente: a Seleção Brasileira subiu para o 5º lugar, ultrapassando os portugueses, que foram eliminados nas oitavas de final e recuaram duas posições, chegando ao 7º posto. Um degrau a mais no ranking pode parecer cosmético — seria injusto chamar de virada histórica, mas em escala de sorteio é uma virada histórica em escala doméstica.

A Espanha bicampeã e a nova hierarquia europeia no topo

A Espanha encerrou a Copa do Mundo de 2026 com 1995,88 pontos no ranking FIFA, retomando a liderança que havia perdido para a Argentina em junho. O ganho espanhol durante o torneio foi superior a 121 pontos, reflexo direto de uma campanha que culminou no bicampeonato mundial. A Argentina, finalista derrotada, caiu para o 2º lugar com 1970,37 pontos — ainda uma pontuação robusta, mas insuficiente diante do desempenho ibérico. Completam o Top 5: França (3º) e Inglaterra (4º), ambas com campanhas sólidas nas fases finais do torneio.

Seleção Brasileira
Seleção Brasileira

O precedente português e o que o Brasil fez diferente

Nas últimas três edições da Copa do Mundo, Portugal e Brasil disputaram posições muito próximas no ranking FIFA — ora um à frente, ora o outro, com diferenças de décimos de ponto. Em 2022, após o Catar, Portugal havia encerrado o torneio à frente do Brasil no ranking. A Copa de 2026 inverteu essa lógica: a eliminação portuguesa nas oitavas de final custou duas posições à seleção de Roberto Martínez, enquanto o Brasil avançou o suficiente para acumular pontos e ultrapassá-la. O sistema de pontuação adotado pela FIFA desde 2018, o algoritmo SUM, penaliza eliminações precoces de seleções bem posicionadas justamente porque o coeficiente de dificuldade dos adversários nas fases iniciais é menor. Portugal pagou esse preço.

"O ranking reflete onde você chegou, não onde você poderia ter chegado", é a lógica que permeia o modelo SUM da FIFA — e o Brasil, ao avançar além das oitavas, acumulou pontos que Portugal simplesmente não teve condições de somar.

Marrocos no 6º lugar e o que isso sinaliza para 2027

Logo atrás do Brasil, o Marrocos chegou à sua melhor colocação histórica no ranking FIFA, ocupando o 6º lugar. A África, representada pelos marroquinos, e a América do Sul, com o Brasil em 5º, flanqueiam uma zona de classificação que terá peso direto nos sorteios da Copa do Mundo Feminina de 2027 — não diretamente, mas o posicionamento masculino influencia o prestígio das confederações e os critérios de cabeça de chave em torneios continentais. Para a própria Seleção Brasileira masculina, estar no 5º lugar significa ser tratada como cabeça de chave em praticamente todos os sorteios de qualificatórias e competições da Conmebol e da FIFA até a próxima grande atualização. A Noruega foi a seleção que mais subiu nesta rodada de atualização — 12 posições, chegando ao 19º lugar, sua melhor marca desde 2011, após alcançar as quartas de final. O México retornou ao Top 10, subindo quatro postos para o 10º lugar, enquanto a Alemanha caiu para o 12º.

O que o 5º lugar exige do Brasil até a Copa América

Ocupar o 5º posto no ranking FIFA não é herança automática — é uma posição que precisa ser sustentada com resultados. A Tunísia foi a seleção que mais perdeu posições nesta atualização, recuando 12 postos para o 57º lugar. O Panamá, apesar de manter-se no Top 50 (44º), foi quem mais perdeu pontos brutos no período pós-Copa. Esses movimentos mostram que o algoritmo SUM é implacável com campanhas abaixo do esperado para o nível de cada seleção. Para o Brasil, o próximo torneio relevante com impacto direto no ranking é a Copa América, cuja edição seguinte será disputada em 2027, no mesmo ano do Mundial Feminino. Chegar à competição continental na 5ª posição mundial coloca a Seleção em condição privilegiada de cabeça de chave e exige, no mínimo, uma semifinal para que a posição não sofra erosão significativa. A CBF e a comissão técnica de Carlo Ancelotti têm, portanto, um horizonte de 12 meses para consolidar esse patamar antes que o ranking seja novamente sacudido por uma grande competição.