Todo mundo sabe que o Flamengo levantou o Carioca com Leonardo Jardim. O que pouca gente sabe direito é o que estava na cabeça de Luiz Eduardo Baptista quando ele assinou a demissão de Filipe Luís — um treinador que havia goleado o Madureira por 8 a 0 dias antes e que tinha entregado Brasileirão e Libertadores em 2025. A história do troféu começa, na verdade, por uma confissão de derrota antecipada.

A certeza que Bap carregava antes da final contra o Fluminense

Na quinta-feira, 14 de maio, durante o 'São Paulo Innovation Week', Bap abriu o jogo de um jeito que raramente se vê de um dirigente de futebol. Sem rodeios, o presidente do Flamengo declarou:

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"Tinha certeza absoluta que ia perder o Campeonato Carioca para o Fluminense. Tem poucas coisas que detesto mais do que perder para o Fluminense. Talvez uma ou duas só. Foi pelo conjunto de aspectos que entendi que devia mudar."

A narrativa que circulou nos bastidores imediatamente após a demissão era a de que Filipe Luís havia perdido o vestiário ou que o desempenho técnico estava em queda livre. Nenhuma das duas batia com os fatos brutos: o time havia acabado de vencer por 8 a 0 na semifinal. A leitura mais precisa, confirmada agora pelo próprio Bap, é mais sutil — e mais reveladora sobre como o presidente enxerga gestão esportiva.

O que mudou e o que não mudou no Flamengo de Jardim

Bap foi cirúrgico ao detalhar o que, de fato, se alterou com a troca de comando: praticamente nada além do técnico. O elenco era o mesmo, o diretor esportivo era o mesmo, a comissão técnica seguiu inalterada, e o Maracanã continuou sendo o Maracanã. No entanto, o presidente identificou uma variável decisiva no comportamento do grupo.

"Olho para o Leonardo (Jardim) e vejo ele tirando mais do que tirava anteriormente. Então cumpri com meu papel de fazer performar melhor. A relação pessoal nunca foi ruim."

Quando um treinador entra com o elenco surpreso e ainda assim empata em 0 a 0 com o rival mais detestado da torcida, segurando a pressão de uma final, algo mudou na microgestão do grupo. Quando esse mesmo treinador vence nos pênaltis graças a duas defesas de Agustín Rossi — em cobranças de Guga e Otávio — o resultado passa a ter nome e sobrenome. Quem não tem cão caça com gato: Jardim não tinha tempo de montar um trabalho, mas usou o que encontrou melhor do que o antecessor usava.

O risco real da aposta e o que Jardim ainda precisa provar

A demissão de Filipe Luís foi, objetivamente, uma operação de alto risco. O ex-lateral havia construído o chamado 'ano mágico' de 2025, com Brasileirão e Libertadores, e saiu depois de perder Recopa e Supercopa no início de 2026. Demiti-lo após uma goleada de 8 a 0, às vésperas de uma final, seria considerado impensável na maioria dos clubes brasileiros — e a maior parte da imprensa tratou o movimento como impulsividade.

Quando Bap explica os bastidores, fica claro que a decisão foi baseada em leitura de ambiente, não de resultados pontuais. O risco, porém, não desaparece com a taça do Carioca. Leonardo Jardim já tem uma coincidência incômoda com seu antecessor: ambos caíram cedo na Copa do Brasil — Jardim perdeu para o Vitória na quinta fase do mata-mata em 2026, replicando uma das poucas manchas do ciclo anterior. Com quatro pontos a menos que o líder Palmeiras no Brasileirão, e ainda com um jogo a menos na conta, o Flamengo precisa de uma resposta rápida. A oportunidade chega neste domingo, 17 de maio, contra o Athletico-PR, às 19h30, na Arena da Baixada, em Curitiba.