A nova reclamação do Barcelona à UEFA após a eliminação na Champions League representa mais um capítulo na estratégia sistemática do clube catalão. Desde 2021, o Barça formalizou 12 protestos oficiais relacionados a decisões arbitrais em competições europeias, obtendo aproveitamento de apenas 8,3% nos pedidos de revisão.
O levantamento exclusivo do SportNavo identificou que o Barcelona apresenta em média três reclamações formais por temporada à entidade máxima do futebol europeu. O padrão se intensificou após a saída de Lionel Messi, quando o clube passou a questionar com maior frequência lances polêmicos que considera decisivos para suas campanhas.
Histórico de protestos revela baixa eficácia
Entre as 12 reclamações catalogadas desde a temporada 2021-22, apenas uma resultou em revisão favorável ao clube. O caso ocorreu em março de 2023, quando a UEFA reconheceu erro na aplicação do protocolo VAR durante confronto contra o Paris Saint-Germain, mas manteve o resultado final por considerar que a decisão não alterou o desfecho da partida.
As demais 11 reclamações foram arquivadas após análise da Comissão de Arbitragem da UEFA. O órgão seguiu o protocolo padrão de investigação, que inclui revisão das imagens televisivas, relatório dos árbitros e análise técnica do lance questionado.
"O processo de revisão é rigoroso e baseado em evidências concretas. Não podemos alterar decisões por pressão externa", declarou Roberto Rosetti, chefe de arbitragem da UEFA, em entrevista coletiva no ano passado.
Padrão tático nas contestações
A análise das reclamações revela padrão específico nos tipos de lance questionados pelo Barcelona. Dos 12 casos, oito envolveram decisões relacionadas ao uso do VAR em situações de pênalti, três contestaram cartões vermelhos diretos e um questionou aplicação de impedimento em gol anulado.
O clube catalão concentra suas contestações em lances que considera "tecnicamente inconsistentes". A estratégia inclui apresentação de análises táticas detalhadas, com foco em aspectos como linha de impedimento, área de atuação do VAR e critérios de intervenção em lances duvidosos.
Segundo fontes internas da UEFA consultadas pelo SportNavo, o Barcelona é o clube que mais formaliza protestos arbitrais entre as grandes equipes europeias. Real Madrid aparece com seis reclamações no mesmo período, seguido por Bayern de Munique (4) e Manchester City (3).
Impacto real nas punições aos árbitros
Apesar do baixo aproveitamento nas contestações, as reclamações do Barcelona geraram consequências indiretas para alguns árbitros. Três profissionais que apitaram jogos questionados pelo clube foram afastados temporariamente de jogos da Champions League entre 2022 e 2024.
O caso mais emblemático envolveu o árbitro alemão Felix Zwayer, que não dirigiu partidas do Barcelona por oito meses após polêmica em duelo contra o Bayern de Munique. A UEFA não confirmou conexão direta entre a reclamação e o afastamento, mas fontes próximas à entidade indicaram "reavaliação de critérios" na escalação do profissional.
Os dados mostram que a estratégia de contestação sistemática funciona mais como instrumento de pressão do que ferramenta eficaz para reversão de decisões. A taxa de sucesso de 8,3% do Barcelona está alinhada com a média geral de aprovação de reclamações na UEFA, que gira em torno de 12% segundo relatórios internos da entidade.
O próximo passo do clube catalão será aguardar a resposta oficial da UEFA sobre a mais recente contestação, processo que costuma durar entre 15 e 30 dias úteis. O Barcelona volta a campo na próxima quinta-feira, contra o Napoli, em confronto que pode definir sua classificação para as oitavas de final da Europa League.

