O Botafogo protocolou pedido de recuperação judicial na 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro nesta quarta-feira (22), revelando um passivo total superior a R$ 2,5 bilhões. A SAF alvinegra admitiu não possuir recursos para quitar sequer a folha salarial de maio.

Do montante total de dívidas, R$ 400 milhões correspondem exclusivamente a débitos tributários. Outros R$ 1,4 bilhão são obrigações já vencidas ou com prazo até dezembro de 2026, segundo documentação apresentada ao Tribunal de Justiça fluminense.

Prejuízos acumulados deterioram patrimônio

Os balanços dos três últimos exercícios mostram prejuízos consecutivos que agravaram a situação financeira. Em 2023, o déficit chegou a R$ 56 milhões. O rombo saltou para R$ 300 milhões em 2024 e atingiu R$ 287 milhões no último balanço de 2025.

O patrimônio líquido negativo da SAF evoluiu de R$ 28,8 milhões negativos em 2023 para R$ 427,2 milhões negativos atualmente. A deterioração acelerada comprova que as dívidas superam todos os ativos do clube, conforme apontaram os advogados.

Prejuízos acumulados deterioram patrimônio Botafogo acumula R$ 2,5 bi em dívidas
Prejuízos acumulados deterioram patrimônio Botafogo acumula R$ 2,5 bi em dívidas

Cobrança diária inviabiliza operação

A situação chegou ao limite operacional. Fornecedores, outras entidades desportivas e funcionários acumulam pendências que crescem diariamente. O fluxo de caixa não suporta nem os gastos básicos com pessoal.

"As dívidas se avolumam diariamente, seja com fornecedores, outras entidades desportivas e mesmo com funcionários, de modo que não há recursos necessários para o pagamento integral da folha salarial do próximo mês", escreveram os advogados da SAF.

Segundo apuração do SportNavo, o pedido judicial busca suspender execuções e medidas de cobrança contra a SAF. A defesa solicita ainda proteção contra retenções, arrestos, penhoras e outras constrições judiciais sobre o patrimônio alvinegro.

Risco de esvaziamento patrimonial

Os representantes legais alertaram para o cenário de inviabilização total da atividade empresarial. Múltiplas execuções simultâneas podem resultar em esvaziamento patrimonial e de fluxo de caixa que impeça a continuidade operacional.

"Diante de inúmeros débitos vencidos ou com vencimento próximos, os ativos da SAF Botafogo suportarão incontáveis ataques de credores, o que poderá resultar em um esvaziamento patrimonial e de fluxo de caixa que inviabilize o exercício da atividade empresarial", ressaltaram.

A recuperação judicial representa a última alternativa para reorganizar as finanças antes de uma eventual falência. O processo permite negociar prazos e condições com credores sob supervisão judicial, mas exige aprovação de plano de recuperação em assembleia.

O caso do Botafogo estabelece precedente preocupante no futebol brasileiro, onde outras SAFs também enfrentam dificuldades financeiras estruturais. A decisão judicial sobre o pedido deve sair nas próximas semanas, definindo se o clube terá prazo para se reorganizar ou enfrentará execuções imediatas.