"Acho que essa possibilidade é quase nula. Foram anos maravilhosos com a Seleção, mas, sinceramente, não penso nisso hoje." Quem disse isso foi Bruninho, 39 anos, capitão do Campinas e um dos levantadores mais vencedores da história do vôlei brasileiro. A declaração, dada em entrevista esta semana, encerra — ao menos por voz do próprio atleta — qualquer especulação sobre um retorno à camisa amarela antes dos Jogos de Los Angeles 2028.

O que Bruninho diz sobre seus próprios limites

A lógica de Bruninho é a de um atleta que aprendeu a se administrar com precisão. "Nessa idade você precisa pensar dia a dia, mês a mês", afirmou o levantador, que assinou contrato com o Campinas até 2028 — exatamente o período que cobre o ciclo olímpico rumo a Los Angeles. Para ele, a prioridade não é a convocação, mas a longevidade funcional: "conseguir me manter saudável e com essa energia de querer sempre ir pra quadra".

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A posição de levantador exige leitura de jogo em altíssima velocidade, posicionamento de mãos e distribuição tática. Bruninho, que operou como maestro da Seleção por mais de uma década, acumulou títulos olímpicos, mundiais e de Liga das Nações. Aos 39 anos, manter esse nível de execução técnica em uma Superliga cada vez mais física e veloz já é, por si só, uma conquista estatística relevante.

"Com certeza vou estar torcendo muito em 2028", disse Bruninho, reconhecendo o ciclo olímpico sem se colocar dentro dele.

Os números que explicam o peso da ausência de Bruninho na Seleção

Bruninho estreou na Seleção Brasileira principal ainda na primeira metade dos anos 2000 e participou de ao menos três ciclos olímpicos completos — Pequim 2008, Londres 2012 e Rio 2016, com o ouro que definiu sua geração. Nesse período, o Brasil acumulou dois títulos mundiais (2006 e 2010) e múltiplas edições da Liga das Nações (antiga Liga Mundial). O levantador foi presença constante nos elencos que dominaram o circuito internacional por quase 15 anos.

Na Superliga Masculina 2025/2026, o Campinas chegou à final pela terceira temporada consecutiva, enfrentando o Cruzeiro no Ginásio do Ibirapuera neste domingo, 10 de maio, às 10h (horário de Brasília). O retrospecto recente favorece o time paulista: além de vencer os dois turnos da fase classificatória, o Campinas superou o rival nas finais do Sul-Americano e da Copa Brasil de Vôlei em 2026. Uma eventual conquista daria a Bruninho seu oitavo título da Superliga — marca histórica para um levantador no circuito nacional.

O confronto diante do Cruzeiro, principal vencedor da história da Superliga Masculina com 10 títulos em 12 finais disputadas, tem peso simbólico adicional: coloca em campo duas gerações olímpicas e dois modelos de construção de elenco — o projeto de longo prazo do Campinas contra a tradição acumulada do clube mineiro.

Quem assume o passe da Seleção no ciclo rumo a LA-2028

A CBV já opera sem Bruninho no planejamento convocatório há algumas temporadas. O ciclo atual tem apostado em levantadores mais jovens, com perfil atlético adaptado ao vôlei moderno — mais vertical, com saques mais agressivos e levantamentos de maior velocidade. Nenhum nome, até agora, reuniu a mesma combinação de liderança técnica e experiência em decisões que Bruninho carregou por anos.

O próprio atleta reconhece o papel que lhe cabe daqui para frente: torcer. Mas sua permanência no Campinas até 2028 significa que ele seguirá sendo referência de distribuição tática na Superliga, o que, indiretamente, alimenta o desenvolvimento dos levantadores que disputam espaço contra ele rodada a rodada. Essa função de régua técnica — a bússola do sistema ofensivo que calibra o nível de toda a posição no campeonato — pode ser seu maior legado no período final de carreira.

O Campinas enfrenta o Cruzeiro neste domingo, 10 de maio, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, a partir das 10h (de Brasília), com transmissão pela TV Globo, SporTV 2, GE TV (YouTube) e VBTV. Para Bruninho, a disputa por um oitavo título da Superliga é o horizonte imediato — e, segundo ele mesmo, a medida mais honesta do que ainda tem a oferecer ao vôlei brasileiro.