Nove nomes. Duas ausências que doem. Uma base em Kansas City. Tudo se explica a partir daí.

A Copa do Mundo de 2026 começa em 11 de junho com México x África do Sul no Azteca, mas para a Argentina o relógio começa a correr no dia 16, contra a Argélia, em Kansas City — a mesma cidade que a Associação do Futebol Argentino (AFA) escolheu como base após "diversas visitas de inspeção e um relatório final minucioso", segundo comunicado oficial da entidade. A lógica é geográfica: Kansas City fica no meio-oeste dos Estados Unidos, próxima ao centro do país, o que reduz deslocamentos numa Copa espalhada por três nações. Dois dos três jogos da fase de grupos acontecem ali; apenas o confronto com a Áustria, em 22 de junho, exige uma viagem de aproximadamente 800 quilômetros até Dallas.

O que mudou entre o Catar e a América do Norte Como nove rostos novos mudam o qu
O que mudou entre o Catar e a América do Norte Como nove rostos novos mudam o qu

O que mudou entre o Catar e a América do Norte

Em 2022, Lionel Scaloni levou um grupo enxuto, de identidade consolidada e quase nenhum espaço para experimentação. Deu certo: tricampeonato nos pênaltis após empate por 3 a 3 com a França. Mas aquele grupo já mostrava desgaste físico no mata-mata, e dois nomes que fizeram parte daquele título — Rodrigo De Paul e Enzo Fernández — chegam agora a 2026 com mais minutagem internacional acumulada. O que Scaloni fez na convocação desta Copa não foi mexer na espinha dorsal; foi adicionar camadas de profundidade.

As nove caras novas em relação ao grupo do Catar são: Juan Musso (Atlético de Madrid), Leonardo Balerdi (Olympique de Marselha), Facundo Medina (Olympique de Marselha), Valentín Barco (Strasbourg), Giovani Lo Celso (Betis), Nico Paz (Como), Nico González (Atlético de Madrid), Giuliano Simeone (Atlético de Madrid) e Flaco López (Palmeiras). As ausências mais comentadas foram Paulo Dybala (Roma), Marcos Acuña (River Plate) — campeão no Catar — e Franco Mastantuono (Real Madrid).

Função por função entre os novos convocados

Na goleira, Musso chega como terceira opção atrás de Emiliano Martínez (Aston Villa) e Gerónimo Rulli (Olympique de Marselha), mas representa a primeira vez em que o Atlético de Madrid coloca dois titulares no mesmo setor da convocação argentina — o clube espanhol, aliás, domina a lista com pelo menos cinco nomes entre titulares e reservas.

Na defesa, Balerdi e Medina formam uma dupla de Marselha que Scaloni conhece bem: os dois jogam juntos na Ligue 1 e oferecem saída de bola com os pés, qualidade que Otamendi (Benfica) e Cuti Romero (Tottenham), os prováveis titulares, não têm na mesma medida. Balerdi é canhoto, pode cobrir Lisandro Martínez (Manchester United) numa eventual emergência, e Medina tem 25 anos — o mais jovem dos três zagueiros reservas convocados.

No meio-campo, Lo Celso retorna após a lesão que o tirou do Mundial de 2022 no pior momento. O meia do Betis foi o pulmão da equipe nas Eliminatórias Sul-Americanas de 2020 e representa uma opção de criação que Scaloni não tinha disponível no Catar. Barco, do Strasbourg, entra como ala de velocidade — alternativa a Acuña na esquerda quando a equipe precisa de largura. Nico Paz, do Como, com 20 anos, é o nome de maior potencial de impacto a longo prazo: terminou a temporada 2025/2026 da Serie A como um dos meias com mais dribles certos entre jogadores abaixo de 21 anos na liga italiana.

Giuliano Simeone, Nico González e Flaco López no ataque

A parte mais interessante da convocação está no setor ofensivo. Giuliano Simeone, 23 anos, filho de Diego Simeone, foi titular no Atlético de Madrid em 28 jogos na LaLiga 2025/2026 e marcou 9 gols — números que justificam a presença mesmo com Lionel Messi (Inter Miami), Julián Álvarez (Atlético de Madrid) e Lautaro Martínez (Inter de Milão) na frente dele na hierarquia. Nico González, também do Atlético de Madrid, oferece mobilidade entre linhas e pressão alta, características que complementam o jogo de Messi em espaços reduzidos.

Flaco López, do Palmeiras, é o nome que o torcedor brasileiro vai acompanhar com atenção especial. O atacante chegou ao clube paulista em 2023 e se consolidou como reserva de Estêvão e Rony antes de ganhar mais espaço na temporada atual. A convocação de Scaloni sinaliza que, para a Copa, ele serve como opção de profundidade para um ataque que dificilmente vai abrir mão de Lautaro e Julián Álvarez no onze inicial.

"Após diversas visitas de inspeção e um relatório final minucioso, concluiu-se que Kansas City seria o local ideal para enfrentar a competição, considerando as distâncias entre as cidades, mas principalmente as comodidades para a delegação", explicou a AFA em comunicado oficial.

O Grupo J e o que espera a Argentina a partir de 16 de junho

O Grupo J coloca a Argentina diante de adversários com níveis muito diferentes de dificuldade. A Argélia, em 16 de junho em Kansas City, é o teste de abertura — uma seleção africana que chegou à Copa pela segunda vez consecutiva mas não tem o peso de um confronto europeu. A Áustria, em 22 de junho em Dallas, representa o maior desafio da fase de grupos: os austríacos tiveram uma campanha sólida nas Eliminatórias Europeias e contam com David Alaba retornando de lesão. O terceiro jogo, contra a Jordânia em 27 de junho, de volta a Kansas City, é o que a Argentina deve usar para rodar o elenco — exatamente onde Flaco López, Giuliano Simeone e Barco podem ganhar minutos de Copa.

Função por função entre os novos convocados Como nove rostos novos mudam o que a
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A Argentina estreia na Copa do Mundo 2026 daqui a 16 dias, em 16 de junho.