Os servidores do site de vendas travaram antes das 10h. Às 11h, os 16 mil ingressos disponibilizados na pré-venda exclusiva para clientes Itaú já haviam desaparecido — tudo em exatos 60 minutos. O amistoso entre Brasil e Panamá, marcado para 31 de maio às 18h30 no Maracanã, mobilizou o torcedor com uma velocidade que poucos jogos preparatórios conseguiram provocar na história recente da Seleção. A explicação é simples e ao mesmo tempo carregada de peso histórico: é o último jogo em solo brasileiro antes da Copa do Mundo.
O que o Brasil costuma fazer no jogo de despedida antes de uma Copa
Olhar para os precedentes ajuda a calibrar a expectativa. Em junho de 2014, o Brasil encerrou sua preparação em casa com uma vitória por 4 a 0 sobre o Panamá — curiosamente o mesmo adversário de agora — no Grêmio Arena, em Porto Alegre, com gols de Neymar (2), Fred e Oscar. Em 2018, a Seleção goleou a Áustria por 3 a 0 em Viena, já em solo europeu, com Neymar, Gabriel Jesus e Paulinho. Em 2022, o último amistoso antes do Qatar foi contra Gana (3 a 0, com Richarlison marcando dois) e Tunísia (5 a 1). O padrão histórico é de jogos de domínio técnico claro, usados como laboratório de escalação — não como termômetro competitivo. Ancelotti sabe disso melhor do que ninguém: em 2014, como técnico do Real Madrid, observou de perto a preparação brasileira naquele torneio.
Que perguntas táticas Ancelotti ainda precisa responder antes de embarcar
A convocação final de 26 jogadores está prevista para 18 de maio, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro — treze dias antes do confronto com o Panamá. Isso significa que Ancelotti terá pouco mais de uma semana de treinos com o grupo completo antes de escalar a equipe no Maracanã. As dúvidas que o técnico carrega são concretas: a lateral direita perdeu Paulo Henrique por lesão, abrindo disputa direta entre ao menos dois nomes; o meio-campo de construção ainda oscila entre uma linha de três ou quatro jogadores dependendo do adversário; e a questão de Neymar permanece sem resposta definitiva.
A própria CBF, em comunicado sobre a programação da Seleção, confirmou que um dia após o jogo contra o Panamá o grupo embarca para os Estados Unidos. Antes da estreia no Mundial, haverá ainda um amistoso contra o Egito em 6 de junho, em Cleveland. O primeiro jogo oficial será contra o Marrocos, em 13 de junho, às 19h, em Nova Jersey — o Brasil integra o Grupo C ao lado de Escócia e Haiti.
Qual dos três setores do campo Ancelotti vai priorizar como zona de teste contra o Panamá — a construção pelo meio, a velocidade pelos flancos ou a eficiência na finalização?O Panamá como adversário e o que a história diz sobre esse tipo de teste
O Panamá não é um adversário escolhido ao acaso. A seleção centro-americana participou de sua primeira Copa do Mundo em 2018, na Rússia, onde foi derrotada por Bélgica (3 a 0), Inglaterra (6 a 1) e Tunísia (2 a 1), totalizando 11 gols sofridos em três jogos. Em 2014, como já mencionado, o Brasil aplicou 4 a 0 antes do torneio. O perfil do adversário é de uma equipe que pressiona com organização mas oferece espaços em profundidade — exatamente o tipo de cenário que permite a Ancelotti testar a velocidade de transição da Seleção sem o risco de uma derrota que contamine o ambiente pré-Copa.
Historicamente, as seleções que chegam ao Mundial com uma despedida em casa positiva — não necessariamente goleadora, mas coesa — carregam um fator de coesão interna que os números nem sempre capturam. O Brasil de 2002, que foi campeão após uma fase de grupos irregular nas Eliminatórias, encerrou sua preparação com vitória sobre Paraguai por 4 a 0 em Recife. O de 2006, eliminado nas quartas, perdeu o último amistoso para a Austrália por 0 a 0. A correlação não é determinista, mas o ambiente gerado por uma partida de encerramento bem-sucedida tem peso psicológico documentado nos bastidores da CBF.
Com ingressos para a venda geral disponíveis no site brasil.futebolcard.com a partir desta quinta-feira (14) — com preços que vão de R$ 100 (setor Norte) a R$ 400 (Oeste Inferior) —, a torcida já garantiu que o Maracanã estará lotado. A pergunta que fica é outra, e é a que Ancelotti vai carregar até o apito inicial: se Neymar estiver na lista e em condições, ele entra como titular nessa despedida ou começa no banco, poupado para o Marrocos em 13 de junho?









