A decisão já está sendo tomada, mesmo que Ancelotti ainda não a tenha anunciado. Com a convocação marcada para 18 de maio na sede da CBF, no Rio de Janeiro, o técnico italiano tem dois jogos do Santos para transformar percepções em certeza — e Neymar sabe que o tempo acabou.

A tese que sustenta a convocação de Neymar

O argumento mais robusto a favor do camisa 10 não é sentimental — é o histórico de Copas. Nas três edições em que Neymar esteve disponível, o Brasil chegou pelo menos às quartas de final. Em 2014, foram seis gols e quatro assistências antes da lesão contra a Colômbia, no dia 4 de julho. Em 2022, ele marcou nos pênaltis contra a Croácia antes da eliminação nas quartas. A qualidade técnica, como o próprio Ancelotti admitiu ao portal The Athletic, não está em discussão:

"Ele é um grande talento. O que temos que observar nele não é se ele consegue dominar ou passar a bola. É se ele está em boa forma física."
O filho e auxiliar técnico Davide Ancelotti reforçou à Gazzetta dello Sport que a condição de Neymar "está melhorando" — declaração que, vinda de dentro da comissão técnica, alimentou o campo favorável à convocação.

A tese que sustenta a convocação de Neymar Dois jogos para convencer Ancelotti e
A tese que sustenta a convocação de Neymar Dois jogos para convencer Ancelotti e

A contra-leitura que Ancelotti não pode ignorar

Mas os números recentes de Neymar pelo Santos no Paulistão 2026 — retorno marcado por poucos minutos e ausências frequentes — colocam em xeque a narrativa da recuperação consolidada. O próprio Ancelotti, em entrevista à Reuters, foi explícito sobre a complexidade da decisão:

"Nos últimos tempos, melhorou muito e vem atuando com continuidade. Para mim, é uma decisão não tão simples. Tenho que avaliar bem os prós e os contras."
A ausência de Rodrygo, Éder Militão e Estêvão por lesão já reduziu as opções do treinador antes mesmo da estreia, marcada para 17 de junho contra Marrocos. Segundo apuração do SportNavo, o cenário de desfalques acumulados é o que mais preocupa Ancelotti neste momento — e convocar um atleta em recuperação pode ampliar o risco em vez de reduzi-lo. A última vez que o Brasil levou um jogador fisicamente comprometido para uma Copa foi em 2014, e a lembrança de Neymar saindo de campo em maca contra a Colômbia ainda pesa sobre qualquer análise racional.

Quanto dessas duas vagas abertas cabem a um jogador que não veste a amarelinha desde outubro de 2023?

O que os próximos dois jogos realmente decidem

A síntese é mais fria do que os torcedores gostariam. Ancelotti já tem 24 nomes definidos — sua própria declaração ao The Athletic confirmou isso. As duas vagas restantes envolvem, segundo a pré-lista enviada à Fifa com 55 nomes, concorrentes como Gabriel Jesus e Endrick, ambos com sequência mais regular de jogos em 2026. Neymar não disputou uma partida pela Seleção em mais de dois anos e meio, período em que sofreu ruptura do ligamento cruzado anterior no joelho esquerdo, em outubro de 2023. A Copa do Mundo de 1994 — referência citada pelo próprio Ancelotti ao elogiar o equilíbrio daquele tetracampeonato — foi erguida com uma seleção que priorizou solidez coletiva sobre genialidade individual: quatro defensores, quatro volantes, Bebeto e Romário à frente. O paralelo histórico sugere que o treinador valoriza estrutura, não apenas talento isolado.

O Santos enfrenta o Coritiba no Couto Pereira pela Copa do Brasil e tem mais um compromisso antes do dia 18. Neymar precisa de minutagem, de intensidade e, acima de tudo, de noventa minutos sem incidentes físicos. Se conseguir, a decisão de Ancelotti terá ao menos uma base concreta. Se não, a matemática das vagas falará mais alto do que qualquer pressão externa. A lista será divulgada em 18 de maio — e o Brasil estreia na Copa do Mundo em 17 de junho.