Falhou. Jack Della Maddalena saiu do RAC Arena em Perth sem resposta para nenhuma das perguntas que Carlos Prates fez durante três rounds de destruição sistemática. O brasileiro nocauteou o australiano no terceiro assalto do evento principal do UFC Perth, em 2 de maio de 2026, e com isso acumulou três vitórias seguidas — todas por nocaute — para se colocar na fila mais quente do peso meio-médio.
A cena
Prates não apenas venceu: ele desmontou Della Maddalena de forma metódica. O brasileiro foi superior no striking ao longo de todo o combate, misturando joelhadas, golpes de longa distância e pressão constante. O TKO no terceiro round foi consequência de um trabalho que vinha sendo construído desde o primeiro minuto — não foi sorte, foi acúmulo de dano.
A performance rendeu o bônus de US$ 100 mil da noite, confirmado pelo Sherdog. Prates saiu de Perth com o bolso mais cheio e o nome mais pesado dentro da divisão… e aí vem o problema.
O contexto que explica
Para entender o tamanho do que Prates construiu, é preciso lembrar que sua sequência atual começou após uma derrota por decisão para Ian Machado Garry no UFC Kansas City, em abril de 2025. Desde então: três lutas, três nocautes. A vítima mais recente é Della Maddalena. A anterior foi Leon Edwards, ex-campeão mundial, derrubado no UFC 322 em novembro de 2025.
Na avaliação do SportNavo, o que diferencia Prates dos outros candidatos da divisão é a consistência do poder de finalização combinada com volume de golpes. Seu striking accuracy nos últimos três combates supera qualquer outro lutador ativo do top 10 do peso meio-médio no mesmo recorte temporal — uma diferença que, para usar uma escala concreta, é tão expressiva quanto a distância entre Fortaleza e Porto Alegre se comparada a uma corrida de quarteirão.
A reação dos pares foi imediata. O campeão Islam Makhachev postou no X:
"Good job Nutella cake."Curto, mas o reconhecimento de Makhachev não é ornamento — é sinal de que o campeão dos leves, que flerta com uma possível subida ao meio-médio, enxerga Prates como referência na divisão.
Stephen Thompson foi mais direto na análise:
"Prates is living up to his fight name 100% dude is scary good! With that finish, how do you see the top of the WW division playing out? Will the UFC give Prates the title shot next?"Wonderboy colocou a questão que toda a divisão está se fazendo.
Ian Machado Garry, o único homem que derrotou Prates no período recente, fez dois posts reveladores. O primeiro foi um convite:
"Carlos after I beat Islam – You and I in Brazil let's do it!"O segundo foi um diagnóstico frio sobre a noite de Della Maddalena:
"Jack had nothing. Nothing."
As implicações imediatas
O cenário do meio-médio está embaralhado, mas de forma favorável a Prates. Makhachev é o campeão e tem Machado Garry como próximo desafiante rumored. Se Garry vencer o cinturão, o próprio irlandês já sinalizou que quer Prates no Brasil. Se Makhachev segurar o título, Prates entra como candidato natural à próxima disputa — três nocautes seguidos sobre adversários de alto nível é currículo que o UFC dificilmente ignora.
Belal Muhammad, ex-campeão que perdeu o título para Makhachev, também reagiu ao resultado:
"Wow great performance by prates."Muhammad ainda está no topo do ranking e pode ser um caminho intermediário caso o UFC queira um combate de número 1 contender antes de dar o shot a Prates.
O que o levantamento do SportNavo mostra é que Prates tem o perfil estilístico mais perigoso para qualquer campeão atual: reach longo, striking de alto volume com poder real de nocaute, e wrestling defense suficiente para não ser levado ao chão de forma recorrente. Três adversários tentaram encontrar a resposta nos últimos doze meses. Os três foram parados.

O UFC Perth confirmou o bônus de performance de US$ 100 mil para Prates, tornando a noite financeiramente e simbolicamente perfeita para o brasileiro. O próximo passo depende do resultado da disputa entre Makhachev e Machado Garry — luta ainda sem data confirmada pelo UFC para 2026. Enquanto esse combate não acontece, Prates não tem adversário nem data agendada, mas tem o argumento mais sólido da divisão para exigir que o próximo envelope venha com um cinturão dentro.









