O empresário americano John Textor foi oficialmente afastado do comando da SAF do Botafogo na última quinta-feira (23) por determinação do Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas. Em seu lugar, assume interinamente Durcesio Mello, ex-presidente do clube entre 2020 e 2023 e atual representante do associativo no Conselho de Administração da SAF.
A decisão do tribunal será reavaliada na próxima quarta-feira (29 de abril), quando todas as partes envolvidas poderão se manifestar sobre o afastamento. Durcesio Mello, de 64 anos, conhece profundamente a estrutura alvinegra e enfrentou desafios similares durante sua gestão como presidente do clube social.
Trajetória de Durcesio no Botafogo
Durcesio Mello comandou o Botafogo associativo durante três anos críticos, período em que o clube enfrentou grave crise financeira e institucional. Durante sua gestão, o dirigente mineiro negociou diretamente com John Textor a criação da SAF, aprovada em assembleia extraordinária em março de 2022 com 1.128 votos favoráveis e apenas 16 contrários.
Como presidente, Durcesio administrou um passivo superior a R$ 700 milhões e conduziu as negociações que resultaram na venda de 90% da SAF para a Eagle Football Holdings, empresa de Textor, por R$ 400 milhões. O acordo também previa investimentos adicionais de R$ 300 milhões em melhorias estruturais e contratações.
"Esta decisão foi baseada em informações incorretas e enganosas apresentadas pelos advogados da Ares, que induziram os juízes em erro", declarou Textor ao Globo Esporte, contestando o afastamento.
Desafios imediatos na gestão interina
Durcesio assume a SAF em momento delicado, com o clube enfrentando nova crise financeira e o polêmico pedido de recuperação judicial protocolado por Textor sem deliberação da assembleia de acionistas. Segundo apuração do SportNavo, essa decisão unilateral foi um dos fatores determinantes para o afastamento do empresário americano.
O tribunal considerou que as medidas recentes de Textor "têm o potencial de causar danos irreparáveis aos acionistas e a toda a comunidade de adeptos do Botafogo". Entre as decisões questionadas está também um contrato de compra e venda assinado em janeiro, pelo qual Textor teria transferido participação societária da Eagle Bidco para uma empresa nas Ilhas Caimão.

A briga societária com o fundo de investimento americano Ares se arrasta desde 2024, quando a empresa emprestou dinheiro a Textor para a compra do Lyon. Como garantia do empréstimo não quitado, Textor ofereceu ações da SAF do Botafogo, conferindo poderes de decisão à Ares na holding Eagle Football.

Estrutura de comando e próximos passos
A nomeação de diretores na SAF fica a cargo do Conselho de Administração, composto por Textor, Durcesio e outros dois membros aliados do empresário americano. Antes da escolha de Durcesio como diretor geral interino, Léo Coelho, atual diretor de coordenação de futebol, chegou a ser cotado para o cargo, mas apoiou a indicação do ex-presidente.
A SAF do Botafogo contestou formalmente a decisão do tribunal, alegando que "a medida de afastamento temporário não encontra correspondência nos pedidos submetidos à apreciação do Tribunal, tendo sido determinada sem requerimento específico das partes". A Assembleia Geral Extraordinária prevista para segunda-feira (27) foi cancelada devido à mudança no comando.
"Confio que isso não será levado em conta pelo Tribunal Arbitral quando receber os fatos completos", afirmou Textor, acusando a Ares de omitir documentos no processo.
Durcesio Mello terá pelo menos cinco dias para implementar medidas emergenciais antes da reavaliação do Tribunal Arbitral. O dirigente precisa estabilizar as operações da SAF, tranquilizar investidores e preparar a defesa para o retorno de Textor, caso o tribunal reverta a decisão na próxima quarta-feira.









